E Partiam o Pão de Casa em Casa…

Há algum tempo tenho pensado sobre a “Ceia do Senhor” e gostaria de estar compartilhando com os irmãos seu significado e prática.

Se você não está bem familiarizado com os textos da Escritura que abordam esse assunto, aqui seguem os principais para que possa meditar perante o Senhor e receber também diretamente deles, pois não irei citar e/ou transcrever todos:
Última Ceia: Mt 26:17-30; Mc 14:12-26; Lc 22:7-20
Pascoa Judaica: Ex 12
Pratica dos Discípulos: At 2:42-47; At 20:7-11
Ensino de Paulo: 1Co 10:14-22; 11:17-34

Em primeiro lugar seria interessante simplesmente analisarmos os fatos:

O Senhor Jesus, em sua ultima páscoa antes de ser crucificado, pediu aos discípulos para a prepararem; o que eles assim fizeram; certamente ao modo tradicional, como qualquer judeu da época faria. Ainda que o próprio Jesus fosse de fato a própria páscoa Ele participava normalmente da páscoa, como das festas judaicas em geral; sem grande problema, até por que, a realidade de todas elas só estavam vindo à luz com Ele mesmo. Ele mesmo e Sua obra é que são a realidade de todas elas; por isso acredito que Ele bem sabia que não podiam suportar essa “ruptura” com toda a antiga revelação de uma só vez e o fez ao modo como todo judeu fazia realmente. Mas, enquanto comiam fez algo diferente:

“Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o, e o deu aos seus discípulos, dizendo: “Tomem e comam; isto é o meu corpo”. Em seguida tomou o cálice, deu graças e o ofereceu aos discípulos, dizendo: “Bebam dele todos vocês. Pois este é o meu sangue, o sangue da nova aliança, que é derramado por muitos, resultando em libertação dos seus pecados (esse verso 28 em itálico foi traduzido de forma livre da versão em inglês The Father´s Life). Eu lhes digo que, de agora em diante, não beberei deste fruto da videira até aquele dia em que beberei o vinho novo com vocês no Reino de meu Pai”.
Mateus 26:26-29

Como, creio eu, a maioria dos leitores sabem; muitos tem transformado tal atitude de nosso Senhor em um rito sagrado, sacramento. Parece-me que a vontade humana de sacramentar tal “memorização” foi tal, que inventaram, por na realidade não conhecerem ‘o poder de Deus nem as Escrituras’, o que é então conhecido como a transubstanciação dos elementos. Ou seja; interpretaram a afirmação de Jesus de “este é o meu corpo” e “este é o meu sangue” de modo material e carnal. Como vamos ver logo à frente esta era realmente a interpretação dada, às palavras de Jesus, por homens carnais do Seu tempo. E infelizmente tem sido assim até hoje.

Há um capítulo na bíblia de grande importância para solucionarmos esse problema que é o capítulo 6 do evangelho de João. Caso não esteja familiarizado com esse capítulo, recomendo ler com atenção e o coração aberto para Deus poder falar profundamente contigo, sobre Sua real vontade em tudo isso que temos considerado (é necessário lê-lo por completo).

Acredito que tal capítulo deixa claro que o corpo/carne e sangue que Jesus nos está oferecendo é a realidade de quem Ele é essencialmente. Pela nossa fé Nele e em Suas palavras, nos alimentamos Dele e recebemos da Sua Vida que também é a Vida do Pai; a qual é, em substancia, espiritual e não carnal/material. Dessa forma, a ideia humana de buscar sacramentar o rito/cerimonia da Ceia com a transubstanciação na realidade é o inverso do que nosso Senhor tem dito; e o inverso da Sua vontade. Mas como está escrito que, “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus”; como foi no passado, também é agora; não podem compreender o ensino de Jesus.

Bem, talvez você esteja pensando: “É, realmente essa ideia da transubstanciação não tem nada há ver; eu sempre compreendi isso muito bem não tenho crido dessa forma…” Sim, graças a Deus Ele não tem deixado Seu povo na escuridão, mas tem feito as reformas e lançado Sua luz sobre nós, a qual precisamos para nos voltarmos à simplicidade Dele; mas ainda assim, meu irmão, sinto da parte Dele que precisamos continuar a andar com Ele e a avançarmos no entendimento e prática desse assunto. Mesmo que já uma grande parte do Seu povo tem deixado para trás a imatura e errada ideia da transubstanciação, ainda assim continuamos a fazer da realidade de nos alimentarmos de Jesus à forma e maneira de um rito, cerimonia, celebração, ou qualquer outro nome que se queira dar, “sagrado”. De fato sinto que a formalidade e a aparente santificação de tal liturgia tem antes atrapalhado e desviado os santos da verdadeira comunhão que Deus deseja.

Se analisarmos os textos da palavra sobre o assunto, veremos que de fato os discípulos do primeiro século jamais se reuniam com o propósito de praticarem um rito, ou mesmo um memorial centralizado sobre os elementos materiais da Ceia em foco. Na realidade sempre que estavam por assim dizer “partindo o pão” não consistia em uma cerimonia religiosa, mas sim de um banquete, um jantar, um almoço, e nunca de uma forma; diria até quase idólatra sobre os elementos. Tenho chegado a pensar que de fato a expressão “partir o pão” fosse algo como o “tomar café” do nosso tempo, significando uma mesa posta, com comida nela! rsrs, em que os irmãos participariam juntos do mesmo alimento para o corpo físico de fato. Isso porque eles não foram instruídos e ensinados por alguém carnal, mas os ensinamentos de Jesus e Seu estilo de vida estavam frescos em seus dias, onde cada coisa era colocada em seu devido lugar! A comida para o corpo permanecia como algo “que perece”, e que ainda que precisemos dela (por isso também que estão presentes rs) por agora e sejamos gratos, são temporais e por isso não eternas, e não possuindo a natureza de Deus em si mesmas. Mas a comida que, como Ele disse, “é verdadeiramente comida”; tem a vida eterna de Deus nela, e é “espírito e vida”!

Sei que para muitos que tem colocado tal cerimonia em uma posição “sacra” poderão pensar que isso é uma espécie de sacrilégio, e que estaria por assim dizer roubando, tirando a honra e santidade de algo sagrado. Mas a verdade é que isso tem sido algo sobre o que tenho meditado diante do Senhor já alguns anos, e cujos frutos de benção e de verdadeira nutrição são irrefutáveis para mim. Não estou querendo dizer que tais reuniões sejam em si mesmas pecaminosas ou algo assim, ou que não deveríamos participar delas como se fossem algo ruim. Acredito que assim como nosso Senhor participava das cerimonias, do Seu tempo, estabelecidas pela lei, mesmo que soubesse que iriam passar e que Ele mesmo era a realidade de todas elas, acredito que possamos sim participar com nossos irmãos de tais cerimonias; com o devido discernimento. “Mas está escrito para partirmos o pão e tomarmos do cálice até que venha!” Alguém poderia argumentar?! “Sim!! Vamos realmente comermos do Pão e bebermos do Sangue até aquele dia!! Em que então o beberemos novo com o Amado no Reino do Seu Pai!!” Eu responderia. Percebe? O rito não cumpre o Seu mandamento, ou agrada Seu coração; é a Vida que cumpre Seus mandamentos e satisfaz Seu coração. Creio que é tempo de nos voltarmos à Sua simplicidade, nos despindo de todo formalismo externo e oco, e nos enchendo de Sua Vida, compartilhando com os membros do corpo de modo que todo ele seja plenamente nutrido e aperfeiçoado!

Entendo que não seja proibido fazer uma cerimonia tal, mas realmente acredito que está muito aquém do que nosso Senhor tinha em mente: visitarmo-nos uns aos outros para comermos juntos, de casa em casa, tendo comunhão no Espírito, sendo alegres e singelos de coração. Peço a Deus que cada um de nós vá realmente a Ele e possa sentir o pulsar de Seu coração, os gemidos do Seu Espírito com o fim de desfrutarmos de verdadeira comunhão, na pureza e simplicidade de Cristo.

 

A paz Dele seja com todos! 🙂

8 comentários em “E Partiam o Pão de Casa em Casa…

  1. Amém.

    Relendo João 6 a afirmação que saltou dos versículos após a leitura do seu texto foi a seguinte: “Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.
    Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão.
    E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida, aquele que vem a mim não terá fome e quem crê em mim nunca terá sede”. Jo 6:33-35

    Tenho comigo que Jesus estava simplesmente afirmando, alimentem-se de mim, o o verbo que se fez carne e andou entre nós, anseia hoje que nos alimentemos através de Suas palavras. Infelizmente tudo que se torna um hábito religioso sem um sentido ou significado espiritual não apresenta realidade ou nenhum efeito em nós, como bem afirmou que tem se tornado um ritual.

    De fato vejo a comunhão com santos um momento de regozijo pois ali podemos celebrar a vida dEle em nós. Está dito, onde dois ou três estiverem em meu nome, ali estarei. Compartilhar Jesus no dia a dia não deixa de ser uma ceia repleta de Verdade que se encerra nEle levando ao Caminho de Vida e vida em abundância.

    Sim! Devemos nos despir de qualquer rito, ou algo que se tornou uma “tradição” e celebrar como em Atos 2, perseverando unânimes todos os dias […]partindo o pão em casa, comendo juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus pois Ele é digno.

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    1. Olá Edson. Não sei exatamente qual seria sua dúvida, mas imagino qual seja. A questão é que nesse texto de Corintios parece realmente que tomavam o pão e o cálice de forma literal certo? Bem, pode ser que fosse mesmo. Mas em primeiro lugar, eles não o faziam de forma isolada, ou seja, claramente era um almoço ou jantar completo. Caso eles realizassem algo simbólico durante a confraternização, ainda assim a realidade do corpo e do sangue de Jesus ainda assim consiste naqueles que o receberam em seus corações, e não em um pedaço de pão de trigo. Pelos versos 33 e 34 é notável que a ofensa que muitos estavam fazendo se referia precisamente ao corpo real de Cristo, aos irmãos. Eles estavam agindo de forma indigna com os seus irmãos, que são realmente o corpo e sangue de Jesus. A disciplina de Deus na vida deles se aplicava a isso, por não estarem conforme o mandamento do amor. Acredito que a participação na real Ceia do Senhor esteja mais relacionado a comunhão no Espírito de uns para com os outros. Ainda que naquele tempo pudesse haver um ato simbólico de fato com os elementos, acredito que não seja a enfase de Deus.

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