O Trabalho

Muito há o que falar sobre o trabalho, mas como de costume não irei buscar dissecar tal tema minuciosamente. Antes, estabelecendo alguma base para o mesmo, vou-me ater ao que julgo ser o objetivo mais importante.

Primeiramente é preciso dizer que não, o trabalho não é uma maldição! Como alguns tendem a lhe atribuir dizendo “com o suor do teu rosto comerás o teu pão”. Não! Realmente isso não é de fato ‘o trabalho’, mas sim o julgamento de Deus sobre o objeto – a terra – do trabalho do homem após este ter pecado.

Mas o verdadeiro trabalho é realmente muito antes disso! Em primeiro lugar, em relação ao homem, ainda antes dele ter comido do fruto proibido e recebido o julgamento citado acima; Deus deu a ele certas incumbências as quais por certo lhe exigiriam trabalho, como: dominar, subjugar, multiplicar, encher, cuidar, cultivar, etc. Ações que certamente seriam realizadas através de seu próprio trabalho. A diferença é que após o homem ter desobedecido a Deus e comido do fruto proibido, a terra foi amaldiçoada como parte do julgamento de Deus sobre o homem; o que traria diversos obstáculos e impedimentos à produção e trabalho do homem sobre ela, dificultando assim seus resultados. “Mas no principio não foi assim!” O homem teria muito mais ajuda do ‘meio’ nos resultados de sua própria ação para produzir; estado ao qual Deus deseja faze-lo voltar, HOJE MESMO!

Entretanto para realmente entendermos quando isso, ‘o trabalho’, começa, temos que voltar ainda antes…

Certa vez Jesus disse que: “meu Pai continua trabalhando até hoje, e eu também estou trabalhando”, em resposta aos fariseus em seu tempo que acreditavam que não se podia trabalhar aos sábados por causa da lei. Aqui percebemos que ‘o trabalho’ é um atributo próprio de Deus, tanto do Pai como, por consequência, do Filho também. Sim! Consiste no que Ele é; e não há como ser de outro modo. Ainda que Deus não possa ter algo a mais, acrescentado a si, nem ser mais rico do que já é; parece-me que Ele quis que suas infindáveis riquezas se tornassem realidade neste mundo conforme uma economia/administração Sua, na qual Ele dispensaria Suas riquezas ao longo do tempo. Creio que isso explicaria o motivo pelo qual Deus estaria então trabalhando. Ele estaria aplicando Seus “esforços” a fim de fazer o “download” de Suas riquezas eternas a este mundo que Ele criou; sendo o próprio também um produto delas. Está semeando Sua palavra dentro dos corações e, ainda que haja muitos espinhos e abrolhos, Ele perseverantemente está trabalhando para obter aquilo que deseja o Seu coração.

Bom, isto nos conduziria a que Deus tem aplicado Seus esforços, o que Seu coração deseja alcançar e produzir; mas não iremos por esse caminho aqui. Isso é apenas para que possamos compreender que ‘o trabalho’, como disse, não é uma maldição; mas sim um fruto de Deus, derivado Dele, e verdadeiramente é uma dádiva e um privilégio à qual somos chamados a participar juntamente com o Seu autor.

Em toda a Escritura, o que também será confirmado em nossa própria experiência, o trabalho é estabelecido como o único “agente” para se obter/produzir riqueza (de todos os tipos), lucro, bens, etc. Em Provérbios por exemplo isso é explicitamente dito como pode constatar nesse link: https://www.bibliaonline.com.br/acf+nvi/busca?f=book%3A20&q=trabalho

Ou seja, nossa abundancia será diretamente proporcional a toda força e poder de trabalho empregado com fim de produzir bens a nós mesmos; de qualquer natureza realmente, tendo a nós mesmos como fonte/agente ou qualquer outra(o).

Tendo estabelecido essa verdade sobre o trabalho queria agora pensar juntamente com os irmãos sobre qual a mentalidade e pratica que devemos ter em relação a isso.

Primeiramente ouço muitos irmãos afirmarem que devemos trabalhar a fim de obtermos nosso próprio sustento, pagar nossas contas, etc, ou senão até mesmo para sermos ricos. Sim! Não me refiro a ímpios, mas a irmãos de fato. Em relação à ideia de sermos ricos acredito que a bíblia seja muito clara sobre tal assunto, em sua reprovação e perigo: 1 Tm 6:3-12. Quanto aos demais acredito que grande parte simplesmente tenha suas mentes conformadas a este mundo e tal como ele, pensam. Chegam até mesmo a citar “com o suor do teu rosto comerás o teu pão” com a credencial de um mandamento divino! Já outros; creio que sinceramente o digam de boa consciência, como que querendo cumprir a Palavra (Ex: 2Ts 3:8-12).

Mas vamos meditar juntos sobre o que realmente Deus diz em Sua palavra.

Antes de tudo quero dizer que tenho tomado um principio, que acredito ser muito importante para o devido entendimento da palavra de Deus. Que é; principalmente em relação ao novo testamento, que todas as cartas, e tudo quanto àqueles que foram enviados (apóstolos) falaram, deve ser submetido e entendido à luz daquilo que nosso próprio Senhor Jesus ensinou. Assim sendo, veja a clareza com a qual Jesus refuta tais usuais conceitos sobre o proposito do trabalho:

“Não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem lhes dará. Deus, o Pai, nele colocou o seu selo de aprovação”.

João 6:27

Percebam como Jesus está claramente nos dizendo que nosso trabalho, esforço, labuta, empreendimento, investimento, deve ser não ao nosso “pão”, sustento ou contas; mas que devemos empreender tudo o que somos em alcançar algo de valor muito mais elevado: a vida eterna! Ou seja, a vida propriamente de Deus!

Em outro lugar ele ensinou assim:

“Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração. Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são! Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”.

Mateus 6:19-24 (seriam interessante lerem até o verso 34)

Observem como novamente Ele nos esta ensinando a buscarmos e estocarmos riquezas eternas e indestrutíveis, as quais, como vimos no outro texto, obteremos das Suas mãos. E, ao mesmo tempo demonstrando quão efêmero e frágil são as riquezas terrenas. O que para mim trás uma conclusão mais do que obvia sobre em qual delas devemos investir! Mas há um problema… As riquezas celestiais são invisíveis, e para muitos parece como “dar um tiro no escuro”!

Aqui, antes de continuarmos, gostaria de recomendar; o que será de grande ajuda no nosso entendimento; a leitura do post “O Que Você Vê”.

Desse modo, para muitos, uma pessoa que se dedique somente para a obtenção de bens espirituais, possa parecer como quem está fora da realidade, em uma utopia, enganado; e muitos outros dirão que é uma questão de interpretação, e que estou “viajando”. Caso conheça bem a palavra, as escrituras; estou certo de que muitos versos podem vir à sua mente para justificar como propósito ao trabalho obter coisas deste mundo, nosso sustento. O que quero considerar mais a frente…

Caso julgue utópico terá também, acredito eu, que considerar a existência de Deus também utópica; ou pelo menos utópico que Jesus tenha pronunciado palavras da boca do próprio Deus! Caso tenha lido os versos 25 a 34 do capítulo 6 de Mateus, terá percebido que “aquelas coisas”, comida e roupa – que acredito representarem a síntese de nossas necessidades – faladas no texto, são coisas das quais não nos compete buscar, mas que o Pai as trará a nós. Sim, se não nos tornarmos como “débeis” criancinhas; de MANEIRA NENHUMA entraremos em Seu reino!! E quanto temor e tremor devemos urgir ter, a fim de não sermos pedras de tropeço a elas…

Na realidade é magnifico que seja assim! Deus nos criou de tal modo limitado, que podemos nos ocupar apenas com uma só coisa por vez. Assim, ele nos tem liberado de todas as demais ocupações com o fim de estarmos plenamente livres para nos ocupar e trabalhar em Seu reino! Este é o proposito para o qual Ele nos criou: trazer Seu reino! E por isso mesmo, o Deus Todo-Poderoso nos tem dito para descansarmos de todos os outros afazeres, e nos concentrarmos com tudo o que temos e somos nisso! Confiando totalmente em Sua mais que eficiência; para lidar com o resto.

Sua bondade e amor para conosco é de tal forma que é Seu desejo dar a nós, do melhor de tudo quanto possuí. Toda a terra e tudo o que nela há pertence a Ele, mas verdadeiramente Ele também possuí uma “terra” a qual é muito melhor. E a tem disponibilizado a nós: Sua própria natureza santa, amorosa, bondosa, gloriosa, na plena medida de tudo quanto nos é possível “beber”, absorver!

Mas é verdade que aquilo pelo que trabalharmos isso mesmo é o que teremos. Deus em Seu caráter nos fez livres para obtermos qualquer coisa que queiramos, e em Sua justiça nos dá exatamente aquilo pelo que temos trabalhado para obter. Portanto, se trabalharmos para obtermos coisas deste mundo, então essa será devidamente nossa recompensa! E quão triste ela será. Mt 6:1-6

Meus amados irmãos! A suma de tudo o que estou dizendo aqui é: Que se empreendermos e trabalharmos com o fim de construirmos o reino de Deus; essa mesma construção sobre a qual estivermos gastando nosso tempo e esforços para construir, dela mesma participaremos. Todas as riquezas celestiais cujas quais o Pai fizer descer a este mundo por nosso intermédio, serão nossas! Não somente por um tempo, como 10, 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80 anos, etc, mas por toda a eternidade sem fim!!!

Como nossos olhos precisam ser abertos para contemplarmos tão imensa riqueza grandiosa e gloriosa!!! Que nosso amado Pai nos guarde da loucura de Esaú! Assim como grande é a recompensa, indescritível também será o choro e o ranger de dentes!

Não mais te delongues… Apronta-te para a obra! Arregaça as tuas mangas e vem! Já o gozo da Sua presença tem sido saboreado pelos Seus servos, e Ele conclama a todos que venham! Ao Seu canteiro, no qual há uma deliciosa mesa posta, e que irá resultar no verdadeiro Paraíso para se habitar!

Continua em “O Trabalho – Parte 2”…

Jesus o Ungido seja com o seu espírito. Amém.

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