A Nutrição da Alma Primeiro

“Um livreto de George Mueller, 9 de maio de 1841

Tem sido do agradado do Senhor me ensinar uma verdade, o benefício da qual eu não perdi, por mais de catorze anos. O ponto é este:

Vi mais claramente do que nunca que o primeiro grande e primordial negócio a que eu deveria atender todos os dias era ter a minha alma feliz no Senhor. A primeira coisa a se preocupar não era o quanto eu poderia servir ao Senhor, ou como eu poderia glorificar o Senhor; mas como eu poderia ter minha alma em um estado feliz, e como meu homem interior poderia ser nutrido. Pois eu poderia buscar estabelecer a verdade diante dos não convertidos, buscar beneficiar os crentes, buscar aliviar os aflitos, de outras formas buscar me comportar em como se tornar um filho de Deus neste mundo; e ainda assim não sendo feliz no Senhor, e não sendo nutrido e fortalecido no meu homem interior dia a dia, tudo isso não poderia ser atendido em um espírito correto.

Antes dessa época, minha prática tinha sido, pelo menos durante dez anos antes, como uma coisa habitual, me entregar à oração, depois de ter me vestido pela manhã. Agora, vi que a coisa mais importante que eu tinha de fazer era me entregar à leitura da Palavra de Deus e à meditação sobre ela, para que assim meu coração pudesse ser consolado, encorajado, advertido, reprovado, instruído; e que assim, por meio da Palavra de Deus, enquanto meditava sobre ela, meu coração pudesse ser levado à experiencial comunhão com o Senhor.

Comecei, portanto, a meditar no Novo Testamento desde o princípio, de manhã cedo. A primeira coisa que fiz, depois de ter pedido em poucas palavras a bênção do Senhor sobre sua preciosa Palavra, foi, começar a meditar na Palavra de Deus, procurando como em cada versículo, para obter bênção dela; não por causa do ministério público da Palavra, não para pregar sobre o que eu tinha meditado, mas para obter alimento para minha própria alma.

O resultado que eu encontrei ser quase invariavelmente isto, que depois de alguns minutos minha alma foi levada a confissão, ou a ação de graças, ou a intercessão, ou a súplica; de modo que, embora eu não me entregasse, por assim dizer, à oração, mas à meditação, no entanto, quase imediatamente tornava-se mais ou menos em oração. Quando então, tendo feito por um tempo, confissão ou intercessão, ou súplica, ou agradecimento, vou para as próximas palavras ou versos, transformando todos, enquanto continuo, em oração para mim mesmo ou para os outros, na medida em que a Palavra possa levar a isso, mas ainda continuamente mantendo diante de mim, o alimento para minha própria alma o objetivo da minha meditação. O resultado disto é que sempre há muita confissão, ação de graças, súplica ou intercessão misturada com minha meditação, e então meu homem interior quase invariavelmente é mesmo sensivelmente nutrido e fortalecido, e assim à hora do café da manhã, com raras exceções, estou em um estado pacífico senão feliz de coração. Assim o Senhor também tem o prazer de comunicar a mim isto que, logo depois ou em um momento mais tarde, acharei ser alimento para outros crentes, embora não fosse por causa do ministério público da Palavra que eu me entreguei a meditação, mas para o beneficio do meu próprio homem interior.

A diferença, então, entre minha prática anterior e a presente é esta:

Antes, quando eu levantava, começava a orar o quanto antes, e geralmente gastava todo o meu tempo até o café da manhã em oração, ou quase todo o tempo. Em todos os eventos, quase invariavelmente começava com a oração, exceto quando sentia minha alma mais do que normal estéril, caso em que eu lia a Palavra de Deus para o alimento, ou para o refrigério, ou para um renascimento e renovação do meu homem interior, antes que eu me entregasse à oração.

Mas qual foi o resultado? Muitas vezes passei um quarto de hora, meia hora ou até uma hora, de joelhos, antes de ter consciência de ter obtido conforto, encorajamento, humilhação de alma, etc., e muitas vezes, depois de ter sofrido muito de vagar na mente durante os primeiros dez minutos, ou um quarto de hora, ou mesmo meia hora, só então comecei realmente a orar. Eu agora quase nunca sofro desta maneira. Pois meu coração, sendo primeiro nutrido pela verdade, sendo levado à comunhão experiencial com Deus, falo então ao meu Pai e ao meu Amigo, (embora eu seja vil e indigno disso), sobre as coisas que Ele trouxe perante mim em Sua preciosa Palavra.

Isso muitas vezes me espanta agora, que não tenha percebido esse ponto mais cedo. Eu jamais li sobre isso em nenhum livro. Nenhum ministério público jamais me apresentou a questão. Nenhuma relação privada com um irmão me excitou até este assunto. E, no entanto, agora, desde que Deus me ensinou este ponto, é tão claro para mim como qualquer coisa, que a primeira coisa que o filho de Deus tem que fazer manhã após manhã é, obter alimento para seu homem interior. Como o homem exterior não é apto para o trabalho por qualquer espaço de tempo, a não ser que tomemos alimento, e como esta é uma das primeiras coisas que fazemos pela manhã, assim deve ser com o homem interior. Devemos levar alimento para ele, na medida em que cada um possa conceder.

Agora, qual é o alimento para o homem interior? Não a oração, mas a Palavra de Deus; e aqui novamente, não a simples leitura da Palavra de Deus, de modo que somente passe através de nossas mentes, assim como a água percorre através de um cano, mas considerando o que lemos, ponderando sobre e aplicando-o aos nossos corações. Quando oramos, falamos com Deus. Agora, a oração, a fim de ser continuada por qualquer período de tempo, em qualquer outra do que uma maneira formal, requer, em termos gerais, uma medida de força ou desejo piedoso, e a ocasião, portanto, quando este exercício da alma pode ser mais efetivamente realizado, é depois que o homem interior tenha sido nutrido pela meditação na Palavra de Deus, onde encontramos nosso Pai falando a nós, para nos encorajar, para nos consolar, para nos instruir, para nos humilhar, para nos reprovar. Podemos, portanto, meditar proveitosamente, com a bênção de Deus, embora possamos estar espiritualmente fracos como nunca; mais, quanto mais fracos estamos, mais precisamos de meditação para o fortalecimento do nosso homem interior.

Assim, há muito menos a ser temido de vaguear na mente do que se nos entregarmos à oração sem ter tido previamente tempo para a meditação. Permaneço tão particularmente neste ponto, por causa do imenso proveito e refrigério espiritual do qual estou consciente de ter obtido disso para mim mesmo, e eu, carinhosamente e solenemente, suplico a todos os meus companheiros crentes que ponderem sobre este assunto. Pela bênção de Deus, atribuo a este modo a ajuda e a força que tive de Deus para passar em paz através de provações mais profundas, de várias maneiras, do que jamais tive antes; e depois de ter agora por mais de catorze anos experimentado deste modo, posso muito plenamente, no temor de Deus, recomendá-lo.

Em adição a isso, geralmente leio, depois da oração familiar, porções maiores da Palavra de Deus, quando ainda persigo minha prática de ler regularmente adiante nas Sagradas Escrituras, às vezes no Novo Testamento e às vezes no Velho, e por mais de vinte e seis anos eu provei a bem-aventurança disso. Tomo também, do mesmo modo então ou em outras partes do dia, tempo mais especialmente para a oração. Quão diferente, quando a alma é refrescada e feliz no início da manhã, do que é, quando sem a preparação espiritual; o serviço, as provações e as tentações do dia que virá.”

 

Extraído e traduzido do livro: George Mueller of Bristol de A. T. Pierson

2 comentários em “A Nutrição da Alma Primeiro

  1. No Salmos 119 há algumas passagens que remetem a contemplação da Sua Palavra, como nos seguintes versículos:
    130 A entrada das tuas palavras dá luz, dá entendimento aos símplices.

    147 Antecipo-me à alva da manhã e clamo; aguardo com esperança as tuas palavras.

    165 Muita paz têm os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço.

    8 Faze-me ouvir da tua benignidade pela manhã, pois em ti confio; faze-me saber o caminho que devo seguir, porque a ti elevo a minha alma.Salmos 143:8

    E claro, o Salmos 1 que logo no início nos admoesta a ter prazer na meditação não somente pelas noites como também de dia e é o que tenho feito pelas manhãs.

    Deu início a leitura deste livro a alguns dias apenas. E tenho visto que a mesma constatação a que chegou, tem se dado comigo. Ele tem me acordado normalmente entre 5 a 7 da manhã, cada manhã em um horário. Percebi também essa necessidade de alimentar-me na Sua Palavra atrelando a estudos de um aplicativo como meditação e forma de fixar aquilo que Ele deseja que retenha para por em prática. Recentemente até animei um irmão a “fazer as coisas que são primeiras”, rs não sei de onde tirei tal frase, (alguém me falou), mas apesar de parecer boba, o fazer as coisas que são nossa necessidade, não por obrigação, mas como você mesmo abordou, alimentar-se para alimentar a outros, tem me levado a crer que é estou cumprindo a vontade dEle quando priorizo entre centenas de coisas a fazer a leitura e meditação logo que Ele me desperta.

    Seu texto irmão só veio ratificar o que tenho seguido como prática e que tem feito toda diferença em minha vida.

    Que Ele continue vos abençoando no compartilhar dos textos, amigo escriba, rs.

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