Maturidade Real – Parte 2

Caso não tenha lido a primeira parte recomendo fazê-lo primeiro: Maturidade Real

Vamos ler os textos abaixo:

“Jesus respondeu e lhe disse: “Na verdade, na verdade eu lhe digo, a menos que alguém seja nascido de cima, não é apto para perceber o reino de Deus.” Nicodemos lhe disse: “Como um homem pode nascer quando já é velho? Poderia entrar uma segunda vez para o útero da sua mãe e renascer?” Jesus respondeu: “Na verdade, na verdade eu lhe digo, a menos que alguém seja nascido pela água e pelo Espírito, não pode entrar no reino de Deus! O que é nascido naturalmente é o corpo físico, e o que nascido do Espírito é nosso espírito humano. Não esteja surpreso que lhe tenha dito, você precisa nascer de cima. O vento sopra onde quer e você ouve seu som, mas não sabe da onde vêm nem para onde vai. É dessa mesma maneira com todos que são gerados pelo Espírito.””
João 3:3-8 (tradução livre da versão em inglês “The Father’s Life”)

“Em verdade, em verdade eu lhes digo: quem ouve minha palavra e crê Naquele que me enviou tem a vida eterna do Pai e não receberá a sentença de condenação, mas passou da morte para a vida imortal do Pai.”
João 5:24 (tradução livre da versão em inglês “The Father’s Life”)

“Pois vocês foram regenerados, não de uma semente perecível, mas imperecível, por meio da palavra de Deus, viva e permanente.”
1 Pedro 1:23

Percebam como as escrituras dão testemunho daquilo que vinha dizendo no post anterior. Em João 3 vemos como Jesus disse a Nicodemos que não era possível ver, perceber, o reino de Deus o qual é espiritual, sem que alguém nascesse de cima, do Espírito. E consequentemente também não seria possível entrar nele. No capítulo 5 lemos que a fé nas palavras de Jesus e no Pai que o enviou, faria uma pessoa “passar da morte para a vida imortal do Pai” assim como havia dito, chamando a nós mesmos de mortos-vivos e explicando como essa vida do Pai foi perdida devido a desobediência do homem e da mulher.

Tal “vida imortal do Pai” é transmitida, gerada em nós, no nosso espírito, como Jesus tentou explicar a Nicodemos; o qual não entendeu no momento; e não consiste na mesma espécie de vida que recebemos da carne, de modo natural, que é uma vida perecível, com prazo de validade, como um ramo que está fora da seiva como havia explicado; destinado a falecer, secar, morrer.

Agora, permitam-me lhes falar um mistério: Assim como se dá a maturidade no mundo natural também o é no mundo espiritual. Quando as escrituras falam sobre regeneração, estou certo de que o processo espiritual da vida se dá de forma extremamente semelhante ao do carnal e natural; até porque o mundo natural consiste em um reflexo do espiritual, que ainda que esteja em um estado decadente contém em si bases dos princípios da criação original de Deus.

Quando Pedro em sua carta fala sobre sementes, perecível e imperecível, ele está fazendo uma associação do modo de reprodução de uma espécie, de um ser nesse mundo, com o “modo reprodutivo” do próprio Deus. Ele declara que a semente de Deus é a Sua palavra; o que disse também Jesus na conhecida “parábola do semeador”: “A semente é a palavra de Deus” Lucas 8:11; de quem obviamente Pedro tinha aprendido tal verdade quer nesse dia ou pelo Espírito depois.

Dessa forma; a nova vida eterna de Deus, a qual é gerada nos corações daqueles que recebem Sua palavra, que é a semente, contém em si mesma a própria vida de Deus. Fazendo-se a mesma associação que tanto Jesus como Pedro (e todos os outros certamente) fizeram, podemos também seguir esses princípios para entendermos o desenvolvimento e maturidade dessa mesma vida santa.

É preciso ressalvar que a palavra de Deus, gera dentro do homem/mulher que a recebe um ser completamente novo, imperecível e incorruptível. Sim, um filho de Deus, da mesma natureza e substância do Pai, perfeito, mas não exatamente maduro. Este novo ser, é também o que a bíblia chama de “novo homem” ou “homem interior”.

Vamos verificar o testemunho das escrituras sobre a maturidade e desenvolvimento do homem interior, gerado pela Palavra de Deus:

“Irmãos, eu não pude falar a vocês como a pessoas espirituais, mas como a carnais, exatamente como a bebês no Ungido. Eu os alimentei com leite, não com carne, pois ainda não eram capazes de suportar isto. Não, mesmo agora vocês não são capazes, pois ainda são carnais. Pois quando há ciúmes e competição entre vocês, não são precisamente carnais? Vocês não estão seguindo as naturais tendências humanas?”
1 Coríntios 3:1-3 (tradução livre da versão em inglês “The Father’s Life”)

“Meus filhos, novamente estou sofrendo dores de parto por sua causa, até que Cristo seja formado em vocês.”
Gálatas 4:19

“Filhinhos, eu lhes escrevo pois seus pecados são perdoados por causa do nome dele. Eu lhes escrevo pais, pois o conhecem profundamente, o qual é desde o princípio. Eu lhes escrevo jovens, pois têm vencido o maligno. Eu lhes tenho escrito filhinhos, pois tornaram-se familiares com o Pai. Eu lhes tenho escrito pais, pois vieram a compreender aquele que é desde o princípio. Eu lhes tenho escrito jovens, pois são fortes, a palavra de Deus habita em vocês, e têm sido vitoriosos sobre o maligno.”
1 João 2:12-14 (tradução livre da versão em inglês “The Father’s Life”)

Percebam como Paulo em sua carta aos Coríntios, os chama de bebês no Ungido (Cristo).

Paulo foi enviado por Deus a Corinto, por causa das boas novas do evangelho sobre o Filho de Deus, Jesus. Lá, ele anunciou a palavra de Deus, a qual foi crida (recebida) por diversas pessoas, e permaneceu ali naquela instância por 18 meses. Com referência a esse tempo, foi que Paulo a principio lhes chamou de bebês. Declarou inclusive, seguindo  a mesma lógica associativa, que lhes alimentou/nutriu com leite; alimento no sentido natural apropriado para nenéns. Na ocasião que Paulo está escrevendo a primeira carta, acredita-se haver entre 6 a 18 meses que ele havia deixado Corinto. Ou seja, os crentes em Corinto teriam crido em torno de 1 a 3 anos antes. Seria normal, como qualquer recém nascido, que de fato eles se alimentassem de leite (espiritual) nos primeiros meses; mas Paulo se admira de como ainda, mesmo após 1 a 3 anos de vida (a nova, celestial) não pudessem ainda receber alimento sólido, o que ele constata de acordo com a conduta deles.

Vejam bem que a vida celestial, que Deus gera em nós pela sua palavra, nasce neném. Na verdade, assim como ocorre a fecundação no útero de uma mulher gerando uma célula (zigoto) microscópica, assim também o é com relação a nova vida, o homem/mulher interior. Ela começa pequenina, e na medida que recebe alimento, nutrição, ela se desenvolve e cresce. Isso é de tal modo que a associação que Paulo faz desse desenvolvimento se dá até mesmo no aspecto cronológico.

Se a vida eterna de Deus cresce dentro de uma pessoa, os aspectos santos dessa vida serão vistos. Mas, se por algum motivo essa vida não se desenvolve, o que Paulo chamou de “naturais tendências humanas”, inveja, ciúmes, competição e etc, as quais já estão devidamente desenvolvidas em um homem adulto, é que prevalecerão e se manifestarão. Dessa forma Paulo mediu a maturidade dos irmãos de Corinto pela maneira que viviam e se relacionavam.

Também na primeira carta de João vemos ele a endereçando a grupos de pessoas as quais ele segmentou por nível de maturidade. Algumas pessoas podem pensar que ele estivesse se referindo a maturidade natural; mas como estamos percebendo, a verdadeira identidade dos filhos de Deus se dá precisamente na vida nova, através da qual tornaram-se portanto realmente filhos do Altíssimo. Certamente João não estava se referindo a maturidade natural dos irmãos, mas sem sombra de dúvidas à espiritual.

Desse modo, tenho tido cada vez maior percepção e convicção de que o desenvolvimento da nova vida celestial dentro de nós, se dá em paralelismo real à vida natural, sendo que a natureza da primeira é santa e a da segunda é carnal e impura. Mas é possível entender que um crente de 1 ano se assemelharia em suas faculdades espirituais a um bebê de 1 ano em suas faculdades naturais, um crente de 5 anos a uma criança de 5 anos, um de 10 a uma criança de 10, um jovem na idade de 15 anos a um crente de 15 anos, um jovem de 20 a um crente de 20, um homem/mulher de 30 anos a um crente de 30 anos no Ungido.

Ainda que a vida que recebemos de Deus, a Eterna e Santa vida de Deus, seja perfeita; isso não significa que ela não tenha crescimento e desenvolvimento, mas sim que ela é sem macula, sem as impurezas do pecado e da carne caída.

Para concluirmos, gostaria de levá-lo a uma reflexão; agora que temos o quadro completo do desenvolvimento do ser humano; sobre aquilo que vinha falando no início da primeira parte desse assunto (Maturidade Real).

Assim como havia explicado que um homem poderia muito bem ter um bom desenvolvimento de seu corpo, seu crescimento, estrutura, saúde e etc; mas não necessariamente o desenvolvimento da sua alma, sua mente, emoções e personalidade em geral, gostaria então que olhássemos agora para o crescimento da alma e do espírito.

Realmente muitos homens/mulheres crentes possuem as faculdades da sua alma bem desenvolvidas naturalmente, podem ser muito inteligentes, compreender enigmas complexos, lógicas filosóficas e etc; como também serem equilibrados em suas emoções, serem lideres em empresas, regerem uma equipe de pessoas de modo muito eficiente para os objetivos traçados e etc; muitos ainda podem possuir uma força de vontade persistente, serem disciplinados, rígidos consigo mesmos e alcançarem muito sucesso natural. Contudo, ao invés de toda a sua “competência” estarem ajudando, indubitavelmente acabam por atrapalhar o desenvolvimento da vida espiritual de Deus em seus corações. Muitas vezes, tais pessoas, por não possuírem crescimento em seu homem interior, não são capazes de perceber sua total inadequação para o trabalho de Deus; antes julgam a si próprios até mesmo especiais e dotados de grande graça de Deus por toda sua desenvoltura, inteligência e força.

Porém, deixem-me afirmar uma coisa em caixa alta: NADA COM ORIGEM NO HOMEM NATURAL, TEM QUALQUER VALOR PARA DEUS OU O SEU REINO. Um homem, maduro e bem desenvolvido em suas habilidade naturais da alma, nada mais é, nos ensinos de Jesus, como um grande espinheiro. A natureza da alma não regenerada é corrupta, podre e de nenhum proveito. Todo poder conseguido na alma na força do homem, carne, é nada mais que fétido e abominável a Deus. Por esse motivo, o entendimento de que o “novo nascimento” e a nova vida que surge no interior de um crente, seja similar, e paralelo em seu crescimento ao natural, é tão importante.

Qual é o pai, que colocaria seu filho de 2 ou 5 anos para cuidar dos seus negócios, para lidar com seus empregados, as contas da empresa ou qualquer atividade que exija um mínimo de maturidade e responsabilidade? Se um pai terreno não faria uma insensatez assim, quanto mais o Pai da Sabedoria, invés disso, não daria funções e tarefas adequadas aos seus filhos conforme seu nível de maturidade!

Entenda, a humildade é de Deus, mas o orgulho é do Diabo. Portanto, não busque servir a Deus naquilo que Ele não o chamou para servir. Enquanto ainda for uma das Suas criancinhas, não tema; regozija e se deleite no Pai, expresse Sua alegria, busque Sua doçura, descanse em Seus braços e se alimente do alimento Santo de Seu Ser e presença. Espere que a vida santa em seu interior cresça e ganhe sua forma e estrutura. Sim, se você tem 5 anos no Ungido, você é simplesmente um dos Seus filhinhos, seja humilde, fique em silêncio, aprenda com Ele cada passo e atividade, fique quieto, “escove seus dentes”, “faça seu dever de casa”, espere que a maturidade o alcance antes de querer “tomar conta” dos seus irmãos.

Irmãos, acredito que essas coisas que estou escrevendo são realmente verdadeiras. Elas não me eram claras na minha tenra infância no Ungido, mas a medida que Sua vida cresce em mim e com ela a compreensão e entendimento espiritual, também a clareza dessas verdades tem se descortinado.

No tempo de Moisés, um homem era considerado apto para a guerra a partir dos seus 20 anos. Sim irmãos, precisamos de muita paciência e humildade diante de Deus, aguardando que a maturidade e poder da vida santa, única apta para a batalha, se desenvolva, a fim de efetivamente participarmos das vitórias e avanços do Reino no campo de batalha.

No Ungido.
Seu servo.

2 comentários em “Maturidade Real – Parte 2

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