Maria, Mãe de Deus?

Olá irmãos!

A graça e a paz do nosso amado Senhor Jesus seja com vocês!

A mais ou menos um ano e meio, tenho lido um livro sobre as visões de uma irmã do século 18 do qual tenho gostado muito.
É um livro contendo todas as visões da beata (que significa bem-aventurada ou feliz) Ana Catarina Emmerich. Apesar de estar gostando e sendo edificado por tais visões, ainda não é o momento de compartilhar sobre elas. Ainda estou processando e meditando nelas diante do Senhor, ainda que em minha vida prática tais visões e revelações já estejam “empenhando” seu real impacto.

Contudo, ainda que não seja o momento de falar de tais revelações que Jesus deu a essa sua filha – por ela professar e ser devota às tradições do catolicismo – isso me tem feito pensar e talvez olhar com outros olhos para a herança que esses irmãos carregam ao longo de tantos anos. Verdade é que, perceber a maneira como o Senhor se revelou à Ana Catarina por exemplo, tem-me feito de fato perceber certas riquezas ao que então é chamado de “tradição católica”, que por muitas vezes pode ser desprezada por muitos dos crentes que se apegam ao lema protestante “Sola Scriptura” (expressão que, mesmo não conhecendo bem os textos dos “reformadores” do século 16, me parece não ser bem compreendida por muitos). Todavia, esses serão temas para serem abordados em outra ocasião…

Bem, pelo que tenho escrito até aqui, talvez você possa estar imaginando que irei de algum modo endossar a “doutrina católica” que afirma que Maria seja então “Mater Dei” (Mãe de Deus). Não, não irei fazer isso. Contudo, isso não significa rebaixar a tão amada Maria de Nazaré à uma mulher qualquer, de modo nenhum! Quero apenas compreender de forma correta quem é Maria, como Deus a vê e não os homens. É muito importante para nós compreendermos que somos falhos, qualquer um de nós. Mas que Deus é infalível. Penso que parece ser esse um grande equivoco dentro da assim chamada “doutrina católica”, que ensina que certos homens ou mulheres são infalíveis; mesmo que afirmem isso não na integralidade de algum indivíduo (acho que não o fazem) mas em certos aspectos de seu ministério ou trabalho; como ocorre por exemplo com a infalibilidade do “Papa” “para ensinar e definir pontos da fé cristã”. Certamente isso é um erro que dificulta o reconhecimento dos irmãos a certas questões que foram então adicionados à “doutrina da igreja”, que não têm sua origem em Deus mas no homem.

Bem, eu não quero me alongar muito e escrever um extenso texto. Mas confesso que me dói um pouco não gastar tempo para discorrer em torno de elogios sinceros ao caráter e virtudes dessa preciosa e amada irmã e mãe, Maria. Contudo, mesmo que de fato ela o seja realmente uma lindíssima “Teótoco” (portadora de Deus), não somente pelo período de sua gestação, mas muito mais graciosa e reluzente como quando, posteriormente, sendo morada do Espírito de Deus e de Jesus. Não é grandemente da vontade do Pai nem da própria Maria, que os holofotes da Luz Celestial apontem para ela, mas para Aquele a quem todos os anjos e santos (inclusive Maria) no céu adoram: Jesus!
É verdade que Maria consiste em um exemplo de piedade feminina a todas as mulheres que têm o desejo de terem uma vida pura e santa, agradável a Deus em todas as coisas. Assim ratifico!!

Todavia, tenho por objetivo nesse curto texto, apenas tornar claro que o título “Mãe de Deus” ao invés de trazer real veneração à santa filha de Deus, a coloca em uma “posição” espúria, inadequada à verdade sobre quem ela é em Cristo e em Deus.
Preciso dizer verdadeiramente que não sou um grande conhecedor dos livros/epistolas/textos na tradição que proveram base para a construção e afirmação de tal doutrina. Porém, me é perceptível que apenas tomando alguns textos das Escrituras, é fácil o discernimento de que tal tradição se desviou da verdade ensinada por Jesus, aqueles que Ele enviou (os apóstolos) e a própria Maria inclusive, que contradiz tal afirmação que fizeram a seu respeito em séculos posteriores.

Sendo assim, deixe-me de forma simples e descomplicada buscar clarear toda essa questão…

Primeiro eu preciso dizer sobre um imenso amor e afeição que tenho por Maria de Nazaré, escolhida “a dedo” por Deus para ser a mãe de Jesus, meu Salvador. Que de forma alguma nada disso que estou dizendo aqui é de modo a denegrir essa verdadeiramente agraciada de Deus. Antes, muito pelo contrário, é um desejo sincero de honrá-la conforme a verdade de sua pessoa, tomando como testemunhas da verdade o Pai, o Filho e o Espírito de Deus!

É provável, se você é meu irmão em Cristo que busca ser fiel à tradição e doutrina da “igreja católica”, que você não seja familiar com as Escrituras; e isso digo, não necessariamente criticando-o ou algo assim, mas apenas como atestação factual. Porque se entre os “protestantes” o conhecimento dos textos bíblicos (o que sim é algo bom) é mais comum, isso não necessariamente e automaticamente os faz acertar mais ou serem mais fiéis a Deus e ao Seu Espírito. Mas a verdade é que o conhecimento e a revelação de Deus está distribuída entre todos os santos filhos de Deus; e que para Ele há uma só igreja, que não é aquela definida pelos homens mas por Ele próprio e pelo Seu Espírito; cuja “Porta de entrada” não consiste em credos ensinados pelos homens mas naquela fé genuína que provém do Pai e que acompanha os Seus frutos!

Desse modo, deixe-me demonstrar a você alguns textos da Bíblia, do Novo Testamento, que tornam a afirmação de Maria ser então “Mater Dei” dissonante à Verdade.

Vejamos o texto abaixo do evangelho de Mateus:

“Quando os fariseus estavam reunidos, Jesus perguntou a eles:
— O que vocês pensam sobre o Messias? De quem ele é descendente?
— De Davi! — responderam eles.
Jesus tornou a perguntar:
— Então, por que é que Davi, inspirado pelo Espírito Santo, chama o Messias de Senhor? Pois Davi disse:
“O Senhor Deus disse ao meu Senhor:
‘Sente-se do meu lado direito,
até que eu ponha os seus inimigos
debaixo dos seus pés.’ ”
Portanto, se Davi chama o Messias de Senhor, como é que o Messias pode ser descendente de Davi?
Ninguém podia responder mais nada, e daquele dia em diante não tiveram coragem de lhe fazer mais perguntas.”

Mateus 22:41-46 (NTLH)

Vejam, nos dias antecedentes à crucificação de Jesus, os evangelistas nos contam que alguns líderes religiosos dentre os judeus vieram para fazer algumas perguntas a Jesus (o que em Mateus está relatado logo antes do texto acima), as quais Ele respondeu muito sabiamente deixando-os sem palavras para contradizê-lo. Então, após eles lhe terem feito suas perguntas, o próprio Jesus lhes propõe uma como se pode ler no texto supracitado.
Agora reparem bem no que Jesus lhes perguntou: “De quem o Messias é filho?” ou “De quem o Messias (ou Cristo) é descendente?” Os judeus sem pestanejar lhe responderam: “De Davi!” Por um lado mostrando que eles bem conheciam a promessa de Deus a Davi, de que seu filho (ou descendente) herdaria um reino eterno (Samuel 7:1-17). E realmente a profecia declarada ao rei Davi se cumpriu e Jesus era da descendência de Davi segundo a carne, por isso mesmo Ele foi chamado “Filho de Davi”. Repare bem em um verso dessa profecia em Samuel:

“Quando chegar o fim de teus dias (de Davi) e repousares com os teus pais, então suscitarei depois de ti a tua posteridade, aquele que sairá de tuas entranhas e firmarei o seu reino.”

2 Samuel 7:12 (Bíblia Ave Maria)

Veja como o texto diz “saíra de tuas entranhas” significando algo físico, certo?

Quando os judeus deram tal resposta a Jesus, Ele disse que Davi, em um salmo de sua autoria, havia chamado o Messias/Cristo de “Senhor” querendo dizer que ele fazer tal afirmação seria uma contradição a Cristo ser seu filho. Percebem? Jesus é filho de Davi pelos meios naturais, segundo a carne/corpo. Porém Ele é o “Senhor”, Aquele que estava no principio com Deus, Aquele que é Deus! E por isso, não faz sentido dizer que Ele é filho de Davi, já que muito antes de Davi existir Ele já era Quem é, e de fato Ele mesmo é o Criador de todas as coisas, e “sem ele nada do que foi feito se fez”, inclusive o próprio Davi, de modo que assim dizendo Davi que é filho do Cristo e não o contrário!

Ao perceber a maneira como o próprio Jesus lida com a questão da sua filiação a Davi nesse texto; eu trago novamente Sua pergunta à tona: “O que vocês pensam sobre o Messias (ou Cristo)? De quem ele é descendente (ou filho)?” E ouço alguns dos meus irmãos dizerem: “De Maria!”
Bem, talvez, pela arraigada crença religiosa de alguns, uma resistência relutante ainda o fará negar a realidade que estou apresentando com as palavras do seu próprio Salvador, Deus e Senhor. Contudo, a questão não se apresenta de forma análoga? Jesus não é filho de Davi e a profecia se cumpriu? Sim! A palavra de Deus a Davi teve seu cumprimento! Mas o Cristo é filho de Davi? Certamente que não! Ele é o Senhor! Eterno e Criador de todas as coisas, desse modo Pai e não filho de Davi.
Ora, não parece claro que o mesmo se dê com relação à virgem Maria, de Nazaré? Penso que sim. Porém, se você ainda precisa de mais evidências e confirmações disso… Certamente há muitas outras apenas tomando outros textos da sua própria bíblia.

Veja o que diz Maria em seu cântico, o “Magnificat”:

“E Maria disse: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador…”

Lucas 1:46-47 (Bíblia Ave Maria)

Veja, aí está nossa querida e preciosa Maria, inspirada pelo Espírito Santo, afirmando que o seu Salvador (e sabemos que Jesus é quem é declarado como “O Salvador” nas Escrituras: Mt 1:21; Tt 2:13) é Deus e que Deus é o seu Senhor. Não é? Percebe? Portanto, levanto a pergunta: Como pode o Cristo ser filho de Maria? Entende? Isso realmente não faz sentido tomando as palavras proferidas pela própria Maria.

Bem, compreendendo isso então, gostaria de clarear algumas outras afirmações que os irmãos “católicos” fazem com relação à nossa querida e santa irmã Maria.
Além de tal tradição que Maria seja “Mater Dei” também afirma-se que Maria seja mãe da igreja. Tal afirmação é feita por certos motivos, os quais vou tentar elucidar um pouco, utilizando novamente, apenas textos da Escritura Sagrada.
Em primeiro lugar deixe-me mostrar-lhe um texto bíblico, leiamos:

“Mas a Jerusalém lá do alto é livre e esta é a nossa mãe…”

Gálatas 4:26 (Bíblia Ave Maria)

Vejam, nesta carta que Paulo escreveu aos Gálatas ele faz uma afirmação sobre uma Jerusalém que é do “alto”, em contraste com a Jerusalém de baixo ou terrena. Se você ver o contexto dessa frase perceberá então que Paulo estava colocando em contraste dois povos: o povo da lei e o povo da graça, onde os primeiros seriam carnais e o segundo seriam espirituais. É de simples e consenso entendimento que esse povo espiritual que ele fala, os espirituais, se refira então à igreja; ou seja, aos filhos e filhas de Deus. Desse modo, a tal Jerusalém que é “lá do alto” seria portanto a mãe da igreja. Percebe?
Agora, todos sabemos que “Jerusalém” é o nome de uma cidade que existe lá na terra de Israel. Certo? Mas o que seria então essa cidade “do alto”? O que ela representa?
Graças a Deus, Ele não nos deixou sem luz sobre essa questão, mas a tal Jerusalém que é “de cima” é citada novamente por um daqueles que Jesus escolheu e enviou: o apóstolo João. Na revelação que ele recebeu de Jesus (o livro do Apocalipse) João viu essa cidade “lá do alto”. Leia comigo dois trechos sobre o que ele diz sobre ela:

“E vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia do céu. Ela vinha de Deus, enfeitada e preparada, vestida como uma noiva que vai se encontrar com o noivo.”

Apocalipse 21:2 (NTLH)

“’—Venha, e eu lhe mostrarei a Noiva, a Esposa do Cordeiro.’
“Então o Espírito de Deus me dominou, e o anjo me levou para uma montanha grande e muito alta. Ele me mostrou Jerusalém, a Cidade Santa, que descia do céu e vinha de Deus, brilhando com a glória de Deus.”

Apocalipse 21:9b-11a (NTLH)

Vejam só como há uma devida descrição dessa cidade… Como de fato ela é do “alto” e nessa visão de João ela “desce do céu”. Uma outra informação importante que aprendemos desses textos, dessa revelação concedida a João, é que essa cidade é então chamada de “Noiva” e “Esposa” do Cordeiro.
No livro do Apocalipse bem como em outros lugares das Sagradas Escrituras, uma outra “pessoa” ou “ser” é chamada de “noiva” e/ou “esposa” de Cristo (que é então o Cordeiro). No capítulo 19 de Apocalipse vemos então a festa de casamento entre Cristo (que é o Cordeiro) e a sua noiva. Em Efésios capítulo 5, a partir do versículo 21, Paulo deixa bem claro que o relacionamento de Cristo e a igreja é como de um noivo e uma noiva, de um marido e sua esposa. E ainda se você buscar, irá achar ainda outros textos, apenas tomando o Novo Testamento, em que essa realidade é apresentada.

Assim sendo meus irmãos e irmãs, fica claro que nossa mãe, ou seja, a mãe da igreja, dos santos, é, por assim dizer, a própria igreja. Mas aquela parte da igreja que se encontra no céu. Entende?

Uma outra “figura” que é atribuída à igreja é a de “Casa de Deus” ou “Templo de Deus”. Sabiam? Acho que a maior parte da igreja sabe e compreende esse fato. Certo? Após sermos batizados no Espírito Santo, o próprio Espírito de Deus vem habitar, morar, dentro de nós. E é por isso que nos tornamos então “morada de Deus”. É por isso também que Paulo disse aos nossos irmão das igrejas da Galácia:

“Filhinhos meus, por quem de novo sinto dores de parto, até que Cristo seja formado em vós…”

Gálatas 4:19 (Bíblia Ave Maria)

Veja como Paulo afirma que ele sofre dores de parto, tal como se colocando na figura de “mãe” daquelas igrejas. Não é? E ele então diz que os irmãos tinham o próprio Cristo sendo formado dentro deles. Percebe? Obviamente, essas são realidades espirituais. Porém, de modo nenhum menos reais do que as carnais e materiais, muito pelo contrário, elas são de fato referentes à Realidade eterna e duradoura.
Percebendo essas coisas é possível dizer que não apenas Maria é “Teótoco” (portadora de Deus) mas também o são todos aqueles que pelo batismo, são então morada de Deus, habitação de Cristo, nos quais Ele vem sendo formado, tal como o foi em Maria; com a diferença que nesta, em Maria, primeiramente o foi em corpo, de carne e ossos, mas posteriormente Maria também já não tinha Jesus dentro de si desse modo, mas certamente O tinha pela presença do Espírito Santo de Cristo, bem como todos os demais crentes O tinham e têm.
A clareza dessas verdades que estou colocando aqui são muito claras no ensino de Jesus e dos seus discípulos, incluindo a própria Maria. Porém, é possível que você esteja muito acostumado a tais tradições e jamais tenha feito tal pesquisa por si mesmo. Por mais que você possa perceber tudo o que estou dizendo aqui é possível que lhe pareça apenas uma compreensão errônea dos textos sagrados, talvez imagine que eu não tenha a devida autoridade para falar sobre tais coisas, que não sou, por assim dizer, “ordenado” e tal.
Tudo bem, está em seu direito pensar assim. De qualquer forma creio que seria bom se pensasse em tais questões. E caso exerça algum tipo de ministério na igreja, busque por si mesmo tais questões, não como forma de cisma, mas de amor à Verdade.
Eu ainda teria muitos outros textos tomados simplesmente das sagradas letras para corroborar tudo o que estou dizendo. Porém prefiro encerrar por aqui e não me delongar muito mais em minhas palavras.
Mesmo dizendo todas essas coisas acima, não rejeito a assim chamada “tradição católica”. Mas é preciso compreender e defender a verdadeira Igreja Católica fundada por nosso Senhor Jesus Cristo. Nos é preciso lembrar das palavras de Jesus e dos apóstolos de que muitos falsos mestres e falsos profetas iriam surgir com o tempo. Desse modo é preciso compreender bem, sendo iluminado com a Luz Celestial quais são as tradições que foram inspiradas por Deus realmente e quais têm sua origem no homem. Como Jesus mesmo fez em seus dias revelando que certas tradições que eram majoritariamente aceitas pelos sacerdotes de seu tempo eram na verdade errôneas e contrárias aos propósitos e ao coração do Senhor (Mateus 15).
Ele, o Filho de Deus, escolheu para Si, e para dar testemunho de Si, não exatamente “sacerdotes ordenados” que tinham então um reconhecimento humano, mas homens e mulheres simples, que tinham seus corações abertos à viva e fresca Palavra de Deus.

O desejo do meu coração é de que você seja plenamente abençoado em Cristo com toda a sorte de bençãos espirituais Nele. Que os “olhos do seu coração” sejam iluminados pela luz de Cristo mediante Seu Espírito no homem interior. Amém.

Ele os santifique!

Seu servo em Cristo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s