A Cabeça da Mulher

Bem, em continuação à postagem “A Cabeça de Cada Homem”, chegou o momento de considerarmos a outra parte do texto, com relação a posição e função da mulher nesta ordenação da autoridade de Deus.

Leiamos ao texto novamente:

“Mas, eu quero que vocês saibam, que a cabeça de cada homem é o Ungido, a cabeça da mulher é o homem, e a cabeça do Ungido é Deus. Todo homem, quando ora ou profetiza, tendo sua cabeça abaixo, {ou, sob} desonra sua cabeça verdadeira: o Ungido.

E cada mulher orando ou profetizando com a cabeça descoberta desonra sua cabeça: o homem. Pois seria o mesmo que se ela estivesse com os cabelos rapados. Pois, se uma mulher não está coberta, deixe-a também rapar os cabelos. Mas, se é vergonhoso para uma mulher ter os cabelos cortados ou rapados, deixe-a ser coberta.

Porque um homem é obrigado a não ter sua cabeça coberta [sinalizando submissão à autoridade humana] pois ele possui a imagem e glória de Deus. Mas a mulher é a glória do homem. Você vê, o homem não foi extraído da mulher, mas a mulher foi extraída do homem.

Portanto, o homem não foi feito para a mulher, mas a mulher foi feita para o homem. Por esta razão, a mulher deve ter um sinal de sua submissão à autoridade em sua cabeça por causa dos anjos. No entanto; no Senhor, nem a mulher é completa sem o homem nem o homem completo sem a mulher. Pois, assim como a mulher foi extraída do homem, também o homem provém da mulher. Mas todas as coisas são de Deus.

Façam este julgamento por si mesmos. É apropriado a uma mulher orar a Deus descoberta? Não os ensina igualmente a natureza que se um homem tem cabelos longos, é uma desonra para ele? Mas se uma mulher tem cabelos compridos, é uma glória para ela. Porque o cabelo dela, lhe é dado como uma cobertura.

Mas se qualquer um tem uma forte discórdia sobre isso, nós não temos tal costume, nem o tem as assembleias dos que Deus chamou para fora.”

1 Coríntios 11:3-16 (tradução livre da versão em inglês “The Father’s Life”)

Vamos lá, primeiro Paulo afirma o seguinte: “a cabeça da mulher é o homem”. Como vivemos em uma sociedade completamente perdida e depravada, ela esta cheia de trevas e escuridão, e já os homens e mulheres não conhecem o Seu Deus ou O adoram. Isso significa que não podem ver e/ou compreender mesmo que seja as verdades mais simples de Deus, e são muitas vezes enganados pela ardilosa e dobre língua da antiga serpente. Quem disse que a cabeça tem mais valor do que o corpo? Por acaso, o coração, que podemos considerar como um dos nossos órgãos mais importante, está no corpo ou está na cabeça? Paulo não diz precisamente no capítulo seguinte a este que a própria cabeça do corpo não pode dizer aos pés que não precisa deles? Quanto mais o corpo inteiro não seria igualmente importante como a cabeça o é! Portanto, voltemos à revelação de Deus e não nos deixemos contaminar com a peçonha da víbora.

Assim como Paulo exemplifica nesse texto, vamos também voltar no principio e compreender o que Deus tinha em mente ao criar o homem e a mulher, qual é o significado e propósito deles.

Com a revelação que Deus tem dado no evangelho (boas novas) sabemos que Deus, assim como havia dito que Deus criou o homem com uma cabeça e um corpo como figura Dele mesmo, também criou o homem e a mulher como figuras do Ungido e da sua “mulher”, que é também o seu próprio corpo; o corpo de todos os que possuem a mesma unção da Cabeça, do Rei. O que está escrito é que essa é “ossos dos meus ossos, e carne da minha carne”; e também “será chamada mulher, porque do homem foi tirada” (Gênesis 2:23). Bem, se isso foi verdadeiro com relação ao homem e mulher terrenos, a verdade, é de que também é verdadeiro com relação ao “homem” e “mulher” celestiais. Além do mais, da “mulher” celestial se diz que é “o complemento (ou plenitude) daquele que enche tudo em todos” (Efésios 1:22,23). Ora, se é o Seu complemento, isso significa que sem ela, Ele torna-se então incompleto, (se pensar na palavra plenitude se deduz o mesmo, pois sem ela Ele não seria pleno, ou seja, incompleto) assim como se fosse uma cabeça sem corpo. Calma hehe, respire… talvez seja muito para você caso nunca houvesse pensado ou meditado diante de Deus sobre nada de tudo isso que estou falando. Primeiramente entenda que assim como Eva foi edificada, ou formada, a partir do próprio Adão, e por isso por assim dizer ela mesma é “Adão”, assim como se eu arrancar um ramo de uma laranjeira e plantá-lo, esse ramo mesmo que retirei da primeira laranjeira torna-se ele próprio outra laranjeira. Não há diferença de natureza, essência ou estrutura de uma laranjeira para a outra, mas as duas possuem uma mesma identidade (não que cada uma não seja singular, mas dentro do escopo da identidade como árvores que dão laranjas) ainda que sejam separadamente e distintamente duas. Porém, o homem e a mulher não foram criados para expressar dois separados, mas dois que são um, ainda que distintos. Da mesma maneira, a “mulher” do Ungido foi tirada Dele, e tem sido formada e se tornado tal qual Ele mesmo, de mesma natureza, essência e estrutura que o “Adão” Celestial.

Certamente, de tudo que tenho dito no parágrafo anterior, o que pode causar maior espanto e estranheza aos ‘ouvidos’ (internos) do leitor seja que Jesus seria incompleto sem a Sua amada noiva e futura esposa. Isso acontece devido a não conhecermos bem o coração, a natureza e também o propósito de Deus para o homem e Suas criaturas. Tudo isso que tenho dito não consiste em algo que esteja inventando ou erradamente interpretando, mas apenas uma dedução clara e simples da revelação de Deus, tanto nas Escrituras como em meu próprio espírito.

Assim como Jesus, ao partir os pães e distribuí-los para multidão os multiplicou, assim também, ao partir o Seu próprio corpo, o pão celestial, o qual contém Sua própria vida e estrutura, também multiplicou a Si mesmo. Assim como um ser humano, no inicio, é uma única célula (zigoto) e com o tempo vai se multiplicando, assim também Jesus é o zigoto desse corpo celestial. Desse modo, se ao princípio Jesus isoladamente era a Casa e a morada de Deus, já agora não é assim, mas Ele foi multiplicado no seio de muitos corações e já muitos daqueles que Ele tem escolhido são então, juntamente com Ele, Casa de Deus. Percebe? Ele já não é mais Casa de Deus sozinho por um lado, pois todos nós que temos o Espírito também o somos, porém, por outro lado, Ele permanece sendo, já que é Ele próprio quem habita em nós e forma o Seu próprio corpo; de modo que: “já não são apenas dois mas um só”.

A suma do que estou querendo dizer é que, quando uma mulher se submete à cabeça de um homem, ela não é inferior ao homem, assim como o Ungido se submete à cabeça de Deus e não Lhe é inferior mas iguais. Da mesma maneira a igreja (aqueles que Deus chamou para fora) se submete à sua cabeça, o Ungido, não como Lhe sendo inferior, mas sim de mesma natureza e sendo ela própria um com Ele, e parte Dele, e a multiplicação Dele.

Assim como há diferença na manifestação, modo de operação e etc entre o próprio Pai e o Filho, o Pai e o Espírito e o Espírito e o Filho, porém nenhum Deles é inferior ao outro, mas possuem a mesma essência, qualidade e valor, até mesmo porque são UM e Um está no Outro assim como o Outro está no Um, assim também com relação ao Ungido. Ungido digo, não somente a Cabeça que possui sobre Si e em Si a unção, mas também o corpo, o qual juntamente com a Cabeça forma um único corpo e possui sobre e em cada membro a mesma unção, precisamente o Espírito comum ao Pai e ao Filho. Para que todos sejam UM, assim como Eles são UM. (João 17)

O que quero dizer é que, assim como acontece em Deus, e Ele mesmo possui uma multiforme variedade de se expressar e comunicar a Si mesmo, assim também o homem e a mulher foram criados de modo a expressar e comunicar essas essências e glórias de Deus de modo diferente e particular.

Desse modo, o chamado e a vocação do homem e da mulher na revelação de Deus é distinto porém complementar. De maneira que, nem o homem pode expressar a “face” de Deus que a mulher foi chamada para expressar, nem a mulher pode expressar a “face” de Deus que o homem foi chamado para expressar. Contudo, quando a glória do Criador é revelada tanto no homem como na mulher; aí sim o quadro se faz completo e belo.

O homem foi chamado para ser o cabeça da mulher, e a mulher para ser a ajudadora do homem, como quando foram criados.

Nesse texto de primeira Coríntios Paulo ensina, como tenho buscado demonstrar até então com tudo o que disse anteriormente, que estar abaixo do homem e tê-lo como sua cabeça, é uma honra e não uma desonra para a mulher. Somente assim ela cumpre seu chamado tal como Deus a criou, de representar e expressar a “mulher” do próprio Deus, ou, mais corretamente dizendo a “mulher” do Ungido, já que ela, a “mulher” do Ungido, foi enxertada, e ao mesmo tempo extraída de Deus, e é ela mesma UM com Deus. Se a mulher assim o fizer, ela honra a Deus, honrando a cabeça homem que, junto com a mulher, Deus criou para participarem e expressarem a Sua glória.

Quando Paulo, e mais especialmente o Espírito Santo, diz que uma mulher que não queira cobrir a sua cabeça é como se tivesse seus cabelos rapados, ele não está se referindo a cobertura de um pano, lenço ou véu, mas sim a estar debaixo da orientação de um homem, que pode ser seu pai, ou seu marido, ou os próprios irmãos. Desse modo, caso uma mulher não deseje estar debaixo do homem e ter o homem como sua cabeça, Paulo conclui então que ela esta desse modo sem uma cobertura espiritual, e por isso, de uma maneira associativa, seria como uma mulher que não possui a cobertura dos seus cabelos. Assim como de modo geral, uma mulher é considerada, tanto pelos homens como pelas mulheres, (por isso tende a ser vergonhoso para ela rapar seus cabelos) mais bonita tendo cabelos longos do que rapados, do mesmo modo, para os olhos espirituais, uma mulher que se submete a orientação e direção de um homem e o honra como sua cabeça é mais bela espiritualmente. Pois se cumprimos aquilo para o que Deus nos chamou a Sua glória permanece em nós, se porém não o cumprimos, então não há glória (sendo a beleza de Deus uma das ‘coisas’ a que chamamos “Sua glória”). Pois se Deus se submete a Deus, seriamos por acaso melhores do que Ele para não nos submetermos uns aos outros? E se essa submissão (ajudar na missão, na corregência do reino a que o homem foi chamado), expressa com maior beleza e glória Seu Ser e Seu Caráter, não deveriam as mulheres colocar a si mesmas debaixo do Seu jugo e experimentarem o leve fardo que Ele prometeu aos que com Ele aprendem a ser mansos e humildes; e assim então desfrutarem do Seu descanso? Portanto, que a mulher não faça o trabalho do homem, nem o homem coloque a si mesmo na posição das mulheres, mas que cada qual honre a Deus, conforme o chamamento da sua própria natureza, a fim de que Deus e a Sua palavra sejam glorificados.

Será que os anjos são tão ignorantes, e possuem um discernimento tão raso que precisem ver um objeto, um véu, sobre a cabeça de uma mulher para atestarem ou perceberem sua submissão ou não? Não seria muito mais obvio e sensato — como de fato no original grego não diz que a mulher precise de um sinal ou muito menos de um véu sobre a sua cabeça por causa dos anjos mas sim de uma autoridade ou poder em sua cabeça — que os anjos tivessem a percepção da submissão de uma mulher, por seu proceder e pelas suas atitudes? E você já parou para pensar em que, tal submissão por parte da mulher se relacionaria com os anjos? Vamos pensar um pouco sobre isso:

Primeiro é preciso colocar que a palavra anjo na bíblia é usada tanto em relação aos espíritos da luz e do bem que servem a Deus como os espíritos das trevas e do mal que servem a Satanás, o adversário. Portanto nesse caso Paulo pode estar se referindo a um dos dois grupos ou a ambos. Quando penso nos anjos de Deus nenhum motivo muito especial me vem a mente senão um que decorra de outro. Porém quando penso nos anjos das trevas e em seu príncipe, me parece haver um motivo um tanto específico do porque estejam atentos a essa questão.

Assim como tudo o que tem sido dito, tanto na carta de Paulo quanto nesse texto que estou escrevendo, a maneira como Deus criou o homem e a mulher, suas funções e atribuições tais quais Deus as planejou em Seu eterno propósito, são de extrema importância no entendimento de toda essa ordenação e vocação de suas criaturas. Como é bem sabido, o anjo rebelde não se sujeitou à sua Cabeça, antes levantou a sua própria e dessa forma veio a cair da graça de Deus e a se perder. Além do mais, se estudar bem o que a Escritura diz sobre esta criatura rebelde, o pai da mentira, descobriremos que não somente ele não reteve a Cabeça real; mas como também induziu a muitas outras das criaturas celestiais de Deus a se rebelarem, não retendo a Cabeça santa e a abaixarem ou colocarem suas cabeças sob uma outra cabeça indigna, o próprio Diabo.

O que quero dizer é que, aquele que rodeia a terra buscando a quem possa tragar, caso perceba em uma mulher insubmissão à sua cabeça; percebe também ali, como o foi no principio, uma oportunidade e uma inclinação para ouvir a sua enganadora e cheia de encantos do mal, voz. Pois Satanás nada pode fazer caso não tenha “algo em nós”. Se todavia já em nosso interior tais desejos malignos brotam, são como um imã para o devorador de almas.

Finalmente, o costume ao qual Paulo afirmou que nem ele nem as assembleias dos chamados para fora tinha; era o costume de uma mulher orar ou profetizar sem ter a sua cabeça coberta por um homem, ou seja, sem estar sob a orientação, direção e conselho de um homem, seja o pai para as irmãs mais novas, o marido para as casadas, ou os irmãos de modo geral para as demais irmãs.

A vontade de Deus é que cada homem e cada mulher submeta a si mesmo a Deus, compreendendo diante Dele seu trabalho e função na cooperação com Deus para estabelecer Seu reino aqui na terra, como é o desejo do Seu coração. Envergonhando Satanás e todas as hostes celestiais da maldade, nos sujeitando uns aos outros alegremente na forma do Ungido, e experimentando de toda a alegria e vida que provêm do precioso e santo Cabeça celestial.

Em Cristo,
Seu servo

Segue o link para poder ler e baixar o livro sobre autoridade do qual havia dito que recomendaria:

David Dyer – Autoridade Espiritual Genuína

A Cabeça de Cada Homem

Olá irmãos,

Gostaria de fazer uma reflexão junto com vocês de um texto das Escrituras que acredito ser normalmente mal compreendido por certas questões: principalmente do entendimento espiritual errôneo (ao meu ver) a respeito de autoridade e em certas deficiências e/ou inclinações das traduções mais tradicionais do texto em questão.

Vamos ler a passagem juntos:

“Mas, eu quero que vocês saibam, que a cabeça de cada homem é o Ungido, a cabeça da mulher é o homem, e a cabeça do Ungido é Deus. Todo homem, quando ora ou profetiza, tendo sua cabeça abaixo, {ou, sob} desonra sua cabeça verdadeira: o Ungido.

E cada mulher orando ou profetizando com a cabeça descoberta desonra sua cabeça: o homem. Pois seria o mesmo que se ela estivesse com os cabelos rapados. Pois, se uma mulher não está coberta, deixe-a também rapar os cabelos. Mas, se é vergonhoso para uma mulher ter os cabelos cortados ou rapados, deixe-a ser coberta.

Porque um homem é obrigado a não ter sua cabeça coberta [sinalizando submissão à autoridade humana] pois ele possui a imagem e glória de Deus. Mas a mulher é a glória do homem. Você vê, o homem não foi extraído da mulher, mas a mulher foi extraída do homem.

Portanto, o homem não foi feito para a mulher, mas a mulher foi feita para o homem. Por esta razão, a mulher deve ter um sinal de sua submissão à autoridade em sua cabeça por causa dos anjos. No entanto; no Senhor, nem a mulher é completa sem o homem nem o homem completo sem a mulher. Pois, assim como a mulher foi extraída do homem, também o homem provém da mulher. Mas todas as coisas são de Deus.

Façam este julgamento por si mesmos. É apropriado a uma mulher orar a Deus descoberta? Não os ensina igualmente a natureza que se um homem tem cabelos longos, é uma desonra para ele? Mas se uma mulher tem cabelos compridos, é uma glória para ela. Porque o cabelo dela, lhe é dado como uma cobertura.

Mas se qualquer um tem uma forte discórdia sobre isso, nós não temos tal costume, nem o tem as assembleias dos que Deus chamou para fora.”

1 Coríntios 11:3-16 (tradução livre da versão em inglês “The Father’s Life”)

Antes de iniciar a reflexão sobre o texto acima preciso primeiramente explicar algo a respeito dessa versão que estou usando. Infelizmente ela não está oficialmente disponível em português ainda; senão eu simplesmente indicaria a leitura do prefácio da mesma, o que os habilitados à leitura em inglês o podem fazer e pular esse parágrafo ;). Ao lerem o texto acima, irão perceber algumas palavras em itálico. Tais palavras não existem no texto original mas foram acrescentadas pelo tradutor a fim de que tornasse mais claro o significado do que o autor disse. Muitos podem pensar, como de fato muitos pensam, que isso seja algum tipo de corrupção ao texto sagrado original mas isso não é verdade. Na realidade qualquer pessoa que já tenha feito um trabalho de tradução sabe bem que por vezes para se traduzir com maior, e não menor, fidelidade um texto você deve fazer certas alterações de palavras a fim de que a fidelidade ao sentido, o que de fato é o que se deseja transmitir, seja mais acurado do que um certo “stricto sensu” (sentido restrito) de cada palavra isoladamente. O que certamente não significa que não deva ser feito com muito zelo e responsabilidade. Portanto, tais palavras em itálico, estão antes para clareza do que para indução particular do tradutor. Por outro lado isso não significa que qualquer que seja o tradutor, seja esse ou outro qualquer, não possua uma visão própria tal qual julgue ter recebido de Deus, e ao selecionar uma dentre as muitas possíveis traduções de um texto ou palavra não seja de algum modo influenciado por sua própria visão. Ainda assim, mesmo lendo-se o texto sem tais palavras; acredito que por inferência e compreensão do contexto chega-se à mesma conclusão como procurarei demonstrar. O texto entre colchetes diferente das demais palavras em itálico não é necessariamente um sentido implícito ao texto mas sim uma explicação particular do tradutor para o benefício do leitor, e a palavra “sob” que se encontra entre chaves consiste em uma alternativa legitima, ou seja, no escopo das possibilidades literais da palavra grega que foi traduzida por “abaixo”, ela é uma alternativa, uma possível tradução.

Durante os primeiros anos da minha vida cristã considerava e ouvia e entendia esse texto como sendo um texto que falasse sim, sobre uma ordenação de Deus a respeito de autoridade, mas também sobre a questão se era justo e/ou necessário o uso do véu por parte das mulheres. Realmente mesmo que não compreendesse bem o motivo pelo qual o simples véu tivesse algum tipo de real relevância, ainda assim, como quase que de maneira unânime ao meu “redor” era-se ensinado dessa forma, não havendo muita razão para que julgasse (até para não ser contencioso) que não fosse assim.

Contudo, após ler um livro (vou indicá-lo ao final) a respeito de autoridade e que abordava algo sobre esse texto, (não unicamente o livro mas a real maturidade de caminhar com Deus no Espírito, sendo o livro uma confirmação para as inclinações de inspiração celestial) comecei a perceber que a verdade contida no texto nada tem a ver com véu; mas sim somente com a autoridade de Deus.

Em primeiro lugar, como já havia dito, há problema com uma grande parte das traduções desse texto, como também em muitos outros lugares da bíblia é verdade. Essa palavra “véu” estritamente falando não está no texto grego e, foi assim traduzida ao bel-prazer de tradutores do passado, em alguns lugares a acrescentando e em outros traduzindo-a de uma palavra do grego que teria o sentido de uma cobertura sobre a cabeça, mas que não seria necessariamente um pano ou tecido mas podendo ser também uma cobertura espiritual por exemplo. Por isso disse que a tradução por “véu” veio de uma ideia relacionada a uma escolha talvez baseada ao costume dos tradutores do passado e não necessariamente à mente de Deus. Sim, é verdade que os tradutores possam ter escolhido a palavra “véu” com base em um costume muito antigo, talvez da tradição judaica por exemplo, (lembrando que há diferença entre uma tradição santa e divina e uma meramente humana que, normalmente, confronta e desonra o mandamento de Deus como Jesus demonstra em Mateus 15) mas que, como veremos, de modo nenhum representa e transmiti com fidelidade o coração e a mente de Deus.

Compreendendo isto, e tendo diante de nós uma tradução que seja mais próxima da verdade, como creio, vamos buscar entender qual é o verdadeiro ensino que Deus quer nos falar aqui.

A igreja (assembleia dos chamados para fora) de Corinto, aos que têm conhecido o contexto em que Paulo escreveu essa carta, era na ocasião uma igreja nova, ainda imatura e pouco desenvolvida espiritualmente; motivo pelo qual Paulo afirmou no início da carta que eram carnais. Assim sendo havia diversas confusões e o entendimento espiritual deles era limitado e muitas vezes distorcido também.

Dessa forma Paulo, segundo a sabedoria que Deus lhe deu, estava buscando corrigir aqueles irmãos em diversos assuntos, e ajudá-los com diversas dúvidas que tinham. Uma delas era sobre essa questão da autoridade entre eles, homens e mulheres.

É preciso enfatizar que o ensino aqui consiste nas relações de autoridade na igreja, entre os santos, (que são os que oram e profetizam) e não com respeito às autoridades seculares.

Sobre esse assunto Paulo começa estabelecendo coisas de extrema importância. Veja a primeira: “o Ungido é a cabeça de cada homem”. Ou seja, cada homem individualmente possui uma única cabeça que é o Ungido. Essa palavra “cabeça”, se você é crente e conhece algo sobre a realidade de Deus no Ungido (em Cristo) sabe que o corpo humano é uma figura do corpo de Deus (Cristo). Sim, disse que o corpo humano é uma figura do corpo de Deus e não o contrário. Quando Deus criou o homem, ele o fez conforme a Sua imagem e semelhança, o que significa que ao criar o homem com uma cabeça e um corpo, Ele o fez baseado em Si mesmo, O qual possui, como possuía, Deus é Eterno, uma cabeça e um corpo. Não há tempo para falar disso especificamente mas se Deus é eterno e também imutável, significa que Ele sempre foi assim mesmo como o é “agora”.

Dessa maneira, maravilhosamente, ao observarmos o nosso próprio funcionamento, ainda que tal funcionamento esteja manchado pelo pecado, podemos apreender coisas a respeito do próprio Deus, ainda que o seja de forma limitada como na realidade sempre o será. Mas a questão é que: cada um de nós têm um corpo que está sujeito à nossa própria cabeça, mente ou cérebro você poderia dizer também, pois são similares. Cada membro do nosso corpo, seja um dedo, a mão, olhos, etc, estão sujeitos e seguem a ordem e comando da nossa mente, cabeça. Se, por exemplo, faço uma pintura; ainda que o instrumento que use para tal seja minha mão segurando um pincel, o projeto e toda a regência do processo é “controlado” e administrado pela minha mente, minha cabeça. Também se poderia dizer que eu sou o autor da obra e não minhas mãos; da onde deriva a palavra autoridade, aquele ou o que, que possui a autoria.

O que podemos entender é que o próprio Ungido é diretamente a cabeça de cada homem na igreja, tendo completa e total, ou deveria, autoridade sobre cada um particularmente.

Mais a frente Paulo diz que: “Todo homem, quando ora ou profetiza, tendo sua cabeça abaixo, {ou, sob} desonra sua cabeça verdadeira: o Ungido.” Nessa parte, acredito que muitos de nós sempre lemos pensando na primeira e segunda menção do termo “sua cabeça” como a nossa própria cabeça física, (nas traduções tradicionais especialmente) já que estamos com a ideia do véu ou lenço fixa em nossa mente. Porém, como estamos vendo, antes de Paulo entrar nessas questões sobre “tipos de coberturas” que trazem desonra a “verdadeira cobertura”; ele estabeleceu como uma rocha, bem como Deus em Deus (Deus o cabeça do Ungido), que a cabeça de cada homem é o próprio Ungido, ou seja, que a minha ou a sua cabeça é o Ungido, Cristo. Portanto, o tal termo “sua cabeça” do texto pode sim se referir tanto à cabeça física do homem como à sua Cabeça espiritual, o Ungido; e é necessário buscar luz da parte de Deus e compreender qual termo se refere a qual cabeça.

Dessa forma temos que pensar e buscar de Deus o que seria orar ou profetizar com a cabeça abaixo ou sob. Pois, se de fato o Ungido é a minha cabeça, não é certo que eu mesmo, e minha própria cabeça, minha própria mente, estão abaixo e sob essa Cabeça celestial? Porém, caso abaixe minha própria cabeça e a coloque sob uma outra cabeça que não esta que está no céu, não estaria eu então desonrando a Cabeça celestial e não Lhe concedendo a posição, poder e autoridade que Lhe são devidos? Pense por um instante: não seria realmente o ato de orar ou profetizar atividades essencialmente espirituais, devendo ser exercidas sob a direção e orientação do Espírito Santo, o qual transmiti a autoridade e regência da Cabeça celestial, o Ungido? Portanto, ao orar, profetizar, o que acredito sejam apenas exemplos de possíveis serviços espirituais, devemos assim estar debaixo da autoridade da Cabeça, o Ungido, e não de qualquer outro ser, inclusive o homem, ainda que seja um homem de Deus.

Concluindo essa primeira parte vamos considerar o lugar em que Paulo diz que “…um homem é obrigado a não ter sua cabeça coberta pois ele possui a imagem e glória de Deus.” Percebam só, é uma obrigação de cada homem não permitir que sua cabeça seja coberta (o que seria o mesmo que colocar-se abaixo ou sob outra cabeça) por nenhuma outra cabeça senão única e exclusivamente à Cabeça celestial, o Ungido. Paulo afirma que todo homem possui a imagem e a glória de Deus, se referindo à sua criação, e que esse é o motivo pelo qual não deve ter sua cabeça coberta; ou seja, nenhum homem tem a imagem e a glória de Deus por si mesmo ou de outra criatura mas elas derivam de Deus e lhe são transmitidas por meio Dele e segundo Sua unção; todos os homens estão iguais perante Deus e não há nada originalmente que os diferencie um do outro nessa relação com Deus, antes todos estamos aptos a nos submetermos e nos colocarmos em uma relação de direta submissão à verdadeira Cabeça, Jesus. Isso é verdadeiro com relação a imagem e glória da criação original, mas certamente também o é com relação a nova criação no Ungido. Por isso, Jesus ensinou que na igreja, que de fato é o corpo dessa Cabeça celestial, um membro não pode exercer autoridade sobre o outro (Mateus 20:25-28), como o fazem os gentios, já que há um só Deus e Senhor a quem é dada toda autoridade no céu e na terra, o Ungido. Caso alguém coloque a si mesmo em uma posição de cobertura espiritual sobre um irmão ou sobre um grupo de irmãos, o tal esta, consciente ou não, assumindo uma posição de “concorrência” e usurpando uma posição da qual unicamente um é apto e digno para tal, o Ungido.

Ainda que essa ideia de uma tal cobertura espiritual de alguns irmãos sobre os demais seja muito comum nas assembleias dos santos (igrejas) percebemos que na realidade ela é espúria e não harmônica ao coração e à mente de Deus.

Os prejuízos que tal ‘substituição’, ainda que em parte (devido a completa falta de capacidade de uma cabeça que seja humana), da Cabeça celestial por uma cabeça terrena são muitos. O povo de Deus não foi chamado para ter um “rei” como o tem os demais povos, mas Deus mesmo é Aquele que tem a dignidade real sobre os santos.

É verdadeiro também que ainda que a vontade de Deus não fosse que o povo de Israel tivesse um rei como as outras nações gentílicas, e que ao decidirem isto eles rejeitaram ao Deus de Israel (assim como os que submetem sua cabeça aos homens rejeitam/desonram o Cabeça – Deus do novo Israel), ainda assim Deus abençoou a Davi como rei por exemplo, e nele, em Davi, podemos ver certos aspectos do verdadeiro Rei; motivo pelo qual Deus o escolheu também. Todavia, Deus o abençoou um tanto quanto a despeito da escolha da nação de se ter um rei humano; mas na realidade apesar dessa escolha, apesar dessa desonra ao único e verdadeiro Rei, Ele misericordiosamente ungiu e abençoou a Davi, muito até por causa do próprio Davi é verdade, que como rei foi uma benção ao povo. Ainda assim, a nação não deixou de ter aqueles prejuízos dos quais Deus havia falado a Samuel para advertir ao povo com respeito a se ter um rei (1 Samuel 8:9-18), nem mesmo com Davi, o qual poderíamos considerar como uma “boa autoridade humana” que foi ungida por Deus o qual em Sua misericórdia atendeu o povo nessa questão ainda que tendo sido desprezado por eles.

Os prejuízos e perdas do povo por constituírem para si um rei humano no tempo de Samuel, perdas as quais Deus determinou a Samuel adverti-los, se assemelha em muito aos prejuízos e perdas do povo da nova aliança por abaixarem suas cabeças e aceitarem sobre si outra cobertura que não o próprio Senhor Jesus. Só que, se o povo terreno de Deus teve perdas terrenas, o povo celestial, que nasceu do alto, têm então sofrido perdas espirituais, celestiais; cujas terrenas são figuras (será interessante se meditar sobre isso diante de Deus no texto de 1 Samuel que citei acima).

Portanto, que cada irmão sirva o seu próximo com os dons que tem recebido de Deus sem exercer qualquer autoridade sobre seu irmão; e que cada um não se submeta a qualquer outro homem, ou outra coisa qualquer, senão unicamente à Cabeça celestial, segundo sua mais absoluta dignidade e capacidade, o Ungido, Cristo (Juízes 9:7-15). Desse modo, a glória e o ser de Deus serão mais plenamente manifestados. Isso não significa que o próprio Ungido não possa expressar sua vontade e autoridade através de um irmão ou irmã, e que quando Ele expressa a Si mesmo por meio de um membro do corpo tenhamos que nos submeter Àquele que fala, porém, isso não torna tal irmão ou irmã em uma autoridade (a autoridade é Jesus) ou cabeça sobre o outro.

Sei que uma boa parte daqueles que estão lendo esse artigo, estão questionando muitas coisas das que estou dizendo, devido ao que têm normalmente aprendido e por outras passagens das Escrituras que aos seus olhos parecem não serem harmônicas a tudo quanto venho dito até aqui. Sim, o fato é que também tive de passar por isso, e pela vida e a luz do Espírito buscar a verdade em cada texto particularmente. Gostaria muito de talvez tentar ajudá-los com muitas dessas passagens mais críticas mas teria de gastar muita “tinta”, e o objetivo desse artigo é abordar especificamente esse texto em questão. Por isso mesmo disse que estarei indicando um livro que faz uma abordagem mais ampla sobre o tema da autoridade aos olhos de Deus, cujo qual recomendarei a leitura e colocarei o link ao final do assunto.

Apenas para se concluir, é preciso perceber, como utilizei o livro de Samuel e de Juízes para vermos os germes da revelação de Deus ao homem, que o estabelecimento de juízes entre o povo procedeu de Deus e não dos homens, diferente do rei. Do mesmo modo acredito que agora, possamos julgar entre os irmãos como fica bem evidente nessa carta de Paulo aos santos de Corinto; porém não um julgamento como se fossemos o Juiz, mas somente como representantes e transmitindo as palavras do único e verdadeiro Juiz. Mas sobre isto ainda teria muito o que se dizer não sendo possível no momento.

Para falar da parte das mulheres a que o texto fala, criei um novo post: “A Cabeça da Mulher”.

Minha esperança é que o Senhor ilumine os olhos do seu coração.

Paz.

A Nutrição da Alma Primeiro

“Um livreto de George Mueller, 9 de maio de 1841

Tem sido do agradado do Senhor me ensinar uma verdade, o benefício da qual eu não perdi, por mais de catorze anos. O ponto é este:

Vi mais claramente do que nunca que o primeiro grande e primordial negócio a que eu deveria atender todos os dias era ter a minha alma feliz no Senhor. A primeira coisa a se preocupar não era o quanto eu poderia servir ao Senhor, ou como eu poderia glorificar o Senhor; mas como eu poderia ter minha alma em um estado feliz, e como meu homem interior poderia ser nutrido. Pois eu poderia buscar estabelecer a verdade diante dos não convertidos, buscar beneficiar os crentes, buscar aliviar os aflitos, de outras formas buscar me comportar em como se tornar um filho de Deus neste mundo; e ainda assim não sendo feliz no Senhor, e não sendo nutrido e fortalecido no meu homem interior dia a dia, tudo isso não poderia ser atendido em um espírito correto.

Antes dessa época, minha prática tinha sido, pelo menos durante dez anos antes, como uma coisa habitual, me entregar à oração, depois de ter me vestido pela manhã. Agora, vi que a coisa mais importante que eu tinha de fazer era me entregar à leitura da Palavra de Deus e à meditação sobre ela, para que assim meu coração pudesse ser consolado, encorajado, advertido, reprovado, instruído; e que assim, por meio da Palavra de Deus, enquanto meditava sobre ela, meu coração pudesse ser levado à experiencial comunhão com o Senhor.

Comecei, portanto, a meditar no Novo Testamento desde o princípio, de manhã cedo. A primeira coisa que fiz, depois de ter pedido em poucas palavras a bênção do Senhor sobre sua preciosa Palavra, foi, começar a meditar na Palavra de Deus, procurando como em cada versículo, para obter bênção dela; não por causa do ministério público da Palavra, não para pregar sobre o que eu tinha meditado, mas para obter alimento para minha própria alma.

O resultado que eu encontrei ser quase invariavelmente isto, que depois de alguns minutos minha alma foi levada a confissão, ou a ação de graças, ou a intercessão, ou a súplica; de modo que, embora eu não me entregasse, por assim dizer, à oração, mas à meditação, no entanto, quase imediatamente tornava-se mais ou menos em oração. Quando então, tendo feito por um tempo, confissão ou intercessão, ou súplica, ou agradecimento, vou para as próximas palavras ou versos, transformando todos, enquanto continuo, em oração para mim mesmo ou para os outros, na medida em que a Palavra possa levar a isso, mas ainda continuamente mantendo diante de mim, o alimento para minha própria alma o objetivo da minha meditação. O resultado disto é que sempre há muita confissão, ação de graças, súplica ou intercessão misturada com minha meditação, e então meu homem interior quase invariavelmente é mesmo sensivelmente nutrido e fortalecido, e assim à hora do café da manhã, com raras exceções, estou em um estado pacífico senão feliz de coração. Assim o Senhor também tem o prazer de comunicar a mim isto que, logo depois ou em um momento mais tarde, acharei ser alimento para outros crentes, embora não fosse por causa do ministério público da Palavra que eu me entreguei a meditação, mas para o beneficio do meu próprio homem interior.

A diferença, então, entre minha prática anterior e a presente é esta:

Antes, quando eu levantava, começava a orar o quanto antes, e geralmente gastava todo o meu tempo até o café da manhã em oração, ou quase todo o tempo. Em todos os eventos, quase invariavelmente começava com a oração, exceto quando sentia minha alma mais do que normal estéril, caso em que eu lia a Palavra de Deus para o alimento, ou para o refrigério, ou para um renascimento e renovação do meu homem interior, antes que eu me entregasse à oração.

Mas qual foi o resultado? Muitas vezes passei um quarto de hora, meia hora ou até uma hora, de joelhos, antes de ter consciência de ter obtido conforto, encorajamento, humilhação de alma, etc., e muitas vezes, depois de ter sofrido muito de vagar na mente durante os primeiros dez minutos, ou um quarto de hora, ou mesmo meia hora, só então comecei realmente a orar. Eu agora quase nunca sofro desta maneira. Pois meu coração, sendo primeiro nutrido pela verdade, sendo levado à comunhão experiencial com Deus, falo então ao meu Pai e ao meu Amigo, (embora eu seja vil e indigno disso), sobre as coisas que Ele trouxe perante mim em Sua preciosa Palavra.

Isso muitas vezes me espanta agora, que não tenha percebido esse ponto mais cedo. Eu jamais li sobre isso em nenhum livro. Nenhum ministério público jamais me apresentou a questão. Nenhuma relação privada com um irmão me excitou até este assunto. E, no entanto, agora, desde que Deus me ensinou este ponto, é tão claro para mim como qualquer coisa, que a primeira coisa que o filho de Deus tem que fazer manhã após manhã é, obter alimento para seu homem interior. Como o homem exterior não é apto para o trabalho por qualquer espaço de tempo, a não ser que tomemos alimento, e como esta é uma das primeiras coisas que fazemos pela manhã, assim deve ser com o homem interior. Devemos levar alimento para ele, na medida em que cada um possa conceder.

Agora, qual é o alimento para o homem interior? Não a oração, mas a Palavra de Deus; e aqui novamente, não a simples leitura da Palavra de Deus, de modo que somente passe através de nossas mentes, assim como a água percorre através de um cano, mas considerando o que lemos, ponderando sobre e aplicando-o aos nossos corações. Quando oramos, falamos com Deus. Agora, a oração, a fim de ser continuada por qualquer período de tempo, em qualquer outra do que uma maneira formal, requer, em termos gerais, uma medida de força ou desejo piedoso, e a ocasião, portanto, quando este exercício da alma pode ser mais efetivamente realizado, é depois que o homem interior tenha sido nutrido pela meditação na Palavra de Deus, onde encontramos nosso Pai falando a nós, para nos encorajar, para nos consolar, para nos instruir, para nos humilhar, para nos reprovar. Podemos, portanto, meditar proveitosamente, com a bênção de Deus, embora possamos estar espiritualmente fracos como nunca; mais, quanto mais fracos estamos, mais precisamos de meditação para o fortalecimento do nosso homem interior.

Assim, há muito menos a ser temido de vaguear na mente do que se nos entregarmos à oração sem ter tido previamente tempo para a meditação. Permaneço tão particularmente neste ponto, por causa do imenso proveito e refrigério espiritual do qual estou consciente de ter obtido disso para mim mesmo, e eu, carinhosamente e solenemente, suplico a todos os meus companheiros crentes que ponderem sobre este assunto. Pela bênção de Deus, atribuo a este modo a ajuda e a força que tive de Deus para passar em paz através de provações mais profundas, de várias maneiras, do que jamais tive antes; e depois de ter agora por mais de catorze anos experimentado deste modo, posso muito plenamente, no temor de Deus, recomendá-lo.

Em adição a isso, geralmente leio, depois da oração familiar, porções maiores da Palavra de Deus, quando ainda persigo minha prática de ler regularmente adiante nas Sagradas Escrituras, às vezes no Novo Testamento e às vezes no Velho, e por mais de vinte e seis anos eu provei a bem-aventurança disso. Tomo também, do mesmo modo então ou em outras partes do dia, tempo mais especialmente para a oração. Quão diferente, quando a alma é refrescada e feliz no início da manhã, do que é, quando sem a preparação espiritual; o serviço, as provações e as tentações do dia que virá.”

 

Extraído e traduzido do livro: George Mueller of Bristol de A. T. Pierson

O Julgamento de Adão

Deus é verdadeiramente justo, e talvez muitos não compreendam claramente Sua justiça.

Quando Deus criou o primeiro homem, é dito que Ele o fez à Sua própria imagem e semelhança. Basicamente isso significa que Deus estava fazendo uma miniatura, uma criatura dentre tudo quanto estava criando, que mais o expressasse e mais se parecesse com Ele em todos os aspectos.

Podemos seguramente dizer que Deus não se esqueceu de nada, aquela criatura foi feita com todos os atributos necessários para cumprir todo o proposito pelo qual Deus a havia criado; representa-lo neste mundo, ser tal qual um embaixador de Deus e com Deus mesmo governar a Terra.

Ainda assim lemos como o primeiro homem falhou, caiu em tentação e comeu do fruto proibido desobedecendo a Deus. Tal única decisão trouxe sobre a humanidade e a Terra consequências extremamente catastróficas. Ainda que Deus tenha estabelecido tudo de forma harmônica e perfeita, por causa do pecado de Adão, tudo veio a se perder.

Vamos ler juntos como Deus o julgou:

E ao homem declarou: “Visto que você deu ouvidos à sua mulher e comeu do fruto da árvore da qual eu lhe ordenara que não comesse, maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida. Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas, e você terá que alimentar-se das plantas do campo. Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó e ao pó voltará”.
Gênesis 3:17-19

Veja só: uma única ação de Adão trouxeram consequências terríveis sobre a Terra e sobre o próprio homem. Primeiramente a Terra foi amaldiçoada, e ao invés de produzir coisas deliciosas para nossa satisfação e nutrição, produziria também agora espinhos e ervas daninhas. Em consequência disso a vida do homem já não seria nada agradável, mas para que mantivesse sua vida nesse mundo ele teria de pelejar e sofrer; e para concluir, sua vida teria um fim desolador e medíocre, viraria pó (nada), a realidade última de sua péssima escolha.

Muitos podem pensar que Deus tenha sido muito rigoroso em um ato tão inofensivo do primeiro homem, afinal ele cometeu um erro, uma única vez. Os que pensam assim não percebem o aspecto maligno e contaminador da desobediência, é como o câncer, a lepra, se você não o retirar já no inicio contaminará e destruirá tudo o mais.

E de fato, foi isso mesmo o que aconteceu, a desobediência de Adão contaminou como um “vírus”; uma “doença” hereditária, toda a sua descendência para sempre. De maneira que ainda hoje todos os homens que respiram estão debaixo da mesma e única maldição sem nenhuma forma de escaparem.

Vamos ler um verso em Romanos o qual irá confirmar isso:

Portanto, da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram;
Romanos 5:12

A morte, é o tornar pó; é como uma casa que tendo sido construída for derrubada e esmiuçada por uma máquina ou dinamitada. O homem foi formado/construído pela Palavra Viva de Deus, e sem ela, ao desprezá-la pela desobediência, ele iria se tornar em um monte de “entulho”.

Certamente que isso fez da Terra um lugar terrível, como um tenebroso conto de uma maldição sem fim…

Mas realmente Deus já tinha isso em mente, e antecipadamente já havia pensado e providenciado a solução. Graças a Ele por Sua tão imensa sabedoria e poder!!

Leia comigo:

Cristo nos redimiu da maldição da lei quando se tornou maldição em nosso lugar, pois está escrito: “Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro”.
Gálatas 3:13

Aleluia!! Redenção!! É o que o texto diz! Todos estávamos cativos à maldição do pecado, subjugados ao seu perverso domínio, sem nenhuma esperança de salvação, mas eis que o Leão da tribo de Judá venceu! Destruiu as grades da maldição e libertou Seu povo para sempre!

Se fosse contar todas as realizações que o Ungido de Deus conquistou na cruz, creio que não iriam caber nesse post rsrs. Mas quero me ater a duas questões que abordei em relação ao julgamento de Adão: maldição da Terra e maldição ultima (morte).

Vou começar pela última:

Veja a declaração de Paulo em Romanos 5:

Consequentemente, assim como uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens, assim também um só ato de justiça resultou na justificação que traz vida a todos os homens. Logo, assim como por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio da obediência de um único homem muitos serão feitos justos. A lei foi introduzida para que a transgressão fosse ressaltada. Mas onde aumentou o pecado, transbordou a graça, a fim de que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reine pela justiça para conceder vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.
Romanos 5:18-21 (é bom ler todo o capítulo)

Veja, que tendo todo o “lote”, toda a árvore genealógica a partir de Adão ter sido descartada; contaminação generalizada haha. Deus então, semeou Seu amado Filho Unigênito neste mundo, para através Dele gerar uma nova “prole”, fruto de uma semente incorruptível, possuindo ela mesma a exata Vida de Deus e produzindo então está nova e gloriosa “árvore” santa e abençoada que produz frutos de justiça para Deus.

Não que Deus tenha tomado a massa corrupta de Adão (abrangendo todos os seus filhos) e a reformado ou esterilizado; mas Ele criou algo totalmente novo, de uma matéria totalmente única e distinta da antiga. Toda a velha massa, o corpo de toda a descendência de Adão, ainda esta devidamente destinada à morte, fulminação única e eterna. Como está escrito: “Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês…” Cl 3:5a.

Assim, Deus, através de Seu Filho amado criou em si mesmo um novo “homem” (o corpo dos descendentes de Jesus), constituído de uma nova e pura natureza; a qual pode resistir (não ser consumida/destruída) no dia do juízo de Deus!

Graças a Deus por tão grande graça!!

E quanto à maldição da Terra? Certamente que a salvação de Deus para a nossas vidas é sem duvida nosso maior tesouro; mas e quanto às demais coisas?

Tenho realmente pensado que ao Jesus ter-se feito maldição por ser pendurado no madeiro; assumiu não somente a maldição que pesava sobre nós, humanidade, mas ainda mesmo à que pesava sobre todo o universo!

Assim sendo, Sua autoridade e poder são não somente sobre nós para curar um paralitico por exemplo, mas ainda mesmo sobre a Terra; em sobrepor a maldição de se obter pão pelo suor do rosto; já que o próprio Jesus mesmo estava, naturalmente falando, sobre a linhagem e hereditariedade de Adão, e desse modo sujeito ao juízo de Deus por essa linhagem; quando por meio de uma só palavra de agradecimento e benção sobre os “cinco pães e dois peixinhos” fez uma multiplicação singular jamais antes vista na história humana sem “sofrer” um único suor para tal abundância.

A realidade é que toda a autoridade tem sido dada a Ele, sobre tudo, e em todos os lugares. Seu poder tem transpassado tudo, superado toda e qualquer maldição, pois Ele é o Filho do Homem.

Assim como aqueles que são Dele, tem recebido poder para superarem a maldição da morte, e viverão com Ele para sempre a partir da nova vida que tem recebido de Deus mesmo. Do mesmo modo a vida de sofrimento pela maldição à Terra também está sob Sua autoridade e poder, de modo tal que: se Sua vida é dominante em nosso interior, Sua autoridade irá se expressar também em relação ao fazer “pão”; e ao termos a mesma atitude de gratidão, e tão somente abençoarmos o que temos recebido de Suas mãos, te digo que também isso, o sofrimento e suor do rosto, não cairá sobre nós!

Mas calma! Não estou querendo dizer que não há necessidade de se trabalhar; na verdade acredito que devemos trabalhar sem cessar haha (favor ler o post sobre O Trabalho). O que quero dizer é que o Ungido de Deus tomou sobre si A Maldição, e proporcionou uma redenção para toda a criação! Tal redenção já pode ser de fato vista em nossos dias, a qual tendo começado através do próprio Filho o qual disse “dá-lhes de comer” ou “Menina, levante-se”, tem-se estabelecido cada dia mais nesse mundo, a qual um dia brilhará como o sol em Seu precioso reino!!

Esses dois extratos: maldição da Terra e maldição da morte, são base para diversos se não todos os males deste mundo; e é preciso compreender que nosso Senhor tem providenciado uma redenção/salvação para todos eles, Sua autoridade é sobre todos eles, e não há nada que não Lhe esteja sujeito e ao qual Ele não possua poder para superar em justiça.

A paz de Jesus! 🙂

O Trabalho – Parte 2

Bem, um assunto tão amplo e significativo como esse me rendeu mais palavras do que previa rsrs… Além de ser realmente delicado por estar diretamente relacionado com uma parte do nosso ser que exerce uma poderosa demanda e suplica em nós: nossas preocupações com as nossas necessidades.

Na primeira postagem sobre o trabalho, procurei abordar o que considero como o mais essencial sobre o mesmo: a natureza do trabalho, propósitos e recompensa. Pensar em que Deus esta trabalhando, e então, nos estimular a segui-Lo e nos unir a Ele em Seu empreendimento. Mas há algo relacionado ao trabalho, que é de grande importância, que não cheguei a abordar e explicar e o estarei fazendo agora. Preferi criar outro post para que o primeiro não ficasse demasiadamente grande.

No post anterior enunciei a ideia de que alguns poderiam considerar como utópico e não prático, a ideia e caminho de se trabalhar única e exclusivamente para obter bens espirituais, e não os materiais. E, como disse, há outros que bem sei possuem embasamento bíblico para afirmarem que o trabalho para obter bens materiais é bíblico e honrado. Sei que sinceramente e honestamente o afirmam de boa consciência. Sim, estou certo de que é extremamente importante pensarmos sobre isso e irmos até o Senhor para conhecermos Seu coração nisso!

Primeiramente, é preciso deixar claro que sim! Não existe nenhuma proibição bíblica em um trabalho remunerado, para se ganhar dinheiro. Antes, vemos realmente Paulo exortando alguns irmãos de Tessalônica a procederem assim:

“Agora àqueles que são assim, ordenamos e exortamos no Senhor Jesus o Ungido, que trabalhem sem perturbar os outros, e consigam dinheiro para pagarem pela comida que comem.” (tradução livre da versão The Father´s Life)

2Ts 3:12

Mas, percebam que ao se entender o contexto em que Paulo deu tal ordem; veremos, que tal atitude foi exigida devido primeiramente ao comportamento de certos irmãos em Tessalônica, que na realidade não queriam trabalhar, os quais até mesmo estavam criando confusão e fofocas. O trabalho para se conseguir comida, suprimentos básicos, nos trás preciosos ensinos sobre o caráter de Deus sobre o qual falamos no primeiro post. Podemos perceber que mesmo para obtermos coisas materiais, mesmo as mais básicas como alimento e vestes, precisamos exercer trabalho e haverá uma labuta e uma fadiga! Somos então ensinados por tal realidade terrena que, caso queiramos obter algum lucro no mundo que há de vir; indubitavelmente o será com muito trabalho e “fadiga”. A segunda questão relacionada ao trabalho de remuneração terrena, essa um tanto mais nobre, é para testemunho dos que estão de fora.

Para aquelas pessoas que não conhecem as riquezas eternas, os homens e mulheres que dedicam suas vidas a elas, tais riquezas invisíveis, são desprezadas aos seus olhos, já que verdadeiramente não podem atribuir valor ao ganho que estão perseguindo. Repare bem! Isso esta intrinsecamente relacionado com as motivações reais de Paulo ter trabalhado para ser recompensado com dinheiro, secularmente, como dizemos (veja sua própria explicação em 1Co 9). O que movia seu coração era o profundo desejo de alcançar pessoas para as boas novas sobre Jesus e Seu reino. Mas como enviado que foi aos gentios – o que poderíamos considerar como os que não conhecem a Jesus em nossos dias – identificou-se com os gentios, e se humilhou, à maneira terrena dos gentios trabalharem, para alcançarem coisas terrenas; já que de fato, nada mais podiam enxergar. Como Jesus disse: “porque todas estas coisas os gentios procuram”. Portanto, de fato, seu trabalho/oficio com tendas, que lhe rendia um dinheiro/lucro; na realidade era com o proposito de ganhar pessoas para Deus, construir a verdadeira Tenda, com o fim de Lhe agradar, e acumular para si e seus irmãos: riquezas eternas!!

Tendo entendido esses dois justos motivos para se trabalhar por coisas desse mundo; os quais são; não o objetivo final, mas sim tutores, meios para se alcançar o verdadeiro. Finalizaremos então, o que confirmará o que tenho dito desde o inicio, que, tendo assim perseguido recursos a partir dos dois motivos anteriores; surge então um terceiro, que é pensarmos em como iremos então: Distribuir os dividendos? Investir os rendimentos?

Vai perceber pelos textos que irei colocar abaixo, que até mesmo nisso somos chamados, e temos verdadeiramente a possibilidade, de obtermos gloriosas virtudes de Seus tesouros eternos!!

Então Jesus disse ao que o tinha convidado: “Quando você der um banquete ou jantar, não convide seus amigos, irmãos ou parentes, nem seus vizinhos ricos; se o fizer, eles poderão também, por sua vez, convidá-lo, e assim você será recompensado. Mas, quando der um banquete, convide os pobres, os aleijados, os mancos, e os cegos. Feliz será você, porque estes não têm como retribuir. A sua recompensa virá na ressurreição dos justos”.

Lucas 14:12-14

Jesus olhou para ele e o amou. “Falta-lhe uma coisa”, disse ele. “Vá, venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me”. Diante disso ele ficou abatido e afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas.

Marcos 10:21,22

Perceba como Jesus está ensinando que ao utilizarmos os recursos que temos em mãos, para abençoar com estes pessoas que não nos poderão recompensar com dinheiro; que a nossa recompensa será algo extremamente mais precioso, que nos será dada diretamente por Deus no que ele chamou de ressurreição dos justos. Veja também como na conhecida passagem sobre o jovem que possui muitas propriedades, bens, Jesus lhe disse como, se o tal jovem aplicasse corretamente seus recursos; nesse caso Jesus falou para doar TUDO; que isso lhe garantiria um tesouro no céu, certamente imensamente mais glorioso do que tudo quanto possuía neste mundo. A questão de Jesus ter dito TUDO está relacionado com a palavra “amou” da primeira frase o que ficará mais claro com os versos que iremos ver a frente. Infelizmente para o tal jovem; foi-se embora triste como muitos de nós muitas vezes…

O Rei responderá: Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram.

Mateus 25:40

Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé.

Gálatas 6:10

Quem recebe um profeta, porque ele é profeta, receberá a recompensa de profeta, e quem recebe um justo, porque ele é justo, receberá a recompensa de justo. E se alguém der mesmo que seja apenas um copo de água fria a um destes pequeninos, porque ele é meu discípulo, eu lhes asseguro que não perderá a sua recompensa.

Mateus 10:41,42

Por isso, eu lhes digo: usem a riqueza deste mundo ímpio para ganhar amigos, de forma que, quando ela acabar, estes os recebam nas moradas eternas.

Lucas 16:9

Não que eu esteja procurando ofertas, mas o que pode ser creditado na conta de vocês.

Filipenses 4:17

Os versos acima demonstram que além dos nossos investimentos serem direcionados aos pobres, há um de ainda maior lucro. Refere-se ao investimento feito aos que são da fé, ou seja, nosso irmão (ou irmã) e também do próprio Senhor; dos quais nos parece haver um “plus” quando os abençoamos. Jesus ainda associa a recompensa à pessoa a qual abençoamos; se profeta, recompensa de profeta; se justo, recompensa de justo, etc. Veja como em Lucas 16 há um vislumbre sobre certos aspectos da recompensa: “recebam nas moradas eternas”. Mas não! Não são mansões celestiais cheias de guloseimas!! Na realidade se estudar a Palavra entenderá que as moradas eternas se referem aos nossos corpos ESPIRITUAIS que receberemos na ressurreição. Assim sendo, acredito que, os amigos que fizermos com tais riquezas do mundo ímpio, irão partilhar conosco da vida de Deus (que é devidamente as riquezas eternas a que nos referimos) dentro deles nos dias da eternidade. E, à semelhança de Paulo, os verdadeiros homens de Deus não estarão buscando ofertas, mas se alegrarão pelo fato de que por elas; Deus irá recompensar os ofertantes naquele Dia, conforme Sua fidelidade.

Jesus sentou-se em frente do lugar onde eram colocadas as contribuições, e observava a multidão colocando o dinheiro nas caixas de ofertas. Muitos ricos lançavam ali grandes quantias. Então, uma viúva pobre chegou-se e colocou duas pequeninas moedas de cobre, de muito pouco valor. Chamando a si os seus discípulos, Jesus declarou: “Afirmo-lhes que esta viúva pobre colocou na caixa de ofertas mais do que todos os outros. Todos deram do que lhes sobrava; mas ela, da sua pobreza, deu tudo o que possuía para viver”.

Marcos 12:41-44

Lembrem-se: aquele que semeia pouco, também colherá pouco, e aquele que semeia com fartura, também colherá fartamente.

2 Coríntios 9:6 (recomendável a leitura dos capítulos 8 e 9)

Para completarmos o entendimento sobre tais aplicações, é preciso entender a avaliação de Deus em relação às proporções. No interessante caso da viúva percebemos como que em Seus cálculos, os valores da aplicação não estão relacionados à quantidade absoluta, mas sim proporcionalmente ao quanto que cada um possui – patrimônio. Assim Jesus categoricamente afirmou: “mais do que todos os outros”; ainda que em valores absolutos tenha sido uma ‘mixaria’. Olhando então como Deus olha, percebemos então uma segunda lei em relação à administração dos Seus recursos (mesmo os terrenos) que por um momento coloca em nossas mãos a fim de nos provar; que a colheita da recompensa daquele Dia, será então diretamente proporcional a semeadura, não dos valores absolutos, mas à proporção do montante que temos.

Quero concluir irmãos com o desejo que cada um de nós creia em Deus! Pela sua vida, suas atitudes, demonstrará se crê, ou se as palavras Dele não são verdadeiras para você; o que seria o mesmo de chamá-lo de mentiroso. Não que haja qualquer capacidade em nós para crermos amados irmãos, pois é sim “impossível aos homens”! Mas se o buscarmos de todo o nosso coração e confiarmos totalmente em Sua bondade e fidelidade; Ele mesmo nos encherá de Seu poder santo a fim de passarmos pelo “fundo da agulha” e obtermos riquezas infindáveis e eternas junto do nosso amado Senhor!!

Quero lembra-lo, de que não teremos uma segunda chance, hoje é o dia da salvação, da decisão; e Ele te diz venha! Não tenha medo! Toda a terra é minha, diz o Senhor, e tudo quanto nela há! Sou Seu Pai e você é Meu filho!

Que Deus tenha misericórdia de nós!

No Ungido.

Paz.

O Que Você Vê?

“Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração. Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são! Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”.
Mateus 6:19-24 (recomendável ler até o verso 34)

Gostaria neste post de estar analisando mais especificamente os versículos 22 e 23, em negrito. Tenho visto e ouvido muito ensino que acredito não se encaixar exatamente ao que Jesus realmente estava querendo dizer neles; e certamente isso trás consigo uma deficiência a mensagem que Ele quer que apreendemos, produz prejuízo ao nosso entendimento e, consequentemente, à nossa vida com Ele.

Durante um tempo tive dificuldade para compreender o que Jesus estava querendo dizer, até que um dia tive um entendimento que acredito ser o mais justo ao ensino e à mente do Senhor. Acredito que o problema esteja em primeiro lugar em que os próprios tradutores das Escrituras, por não terem também tido um acurado entendimento sobre o assunto, fizeram sua tradução de um modo que não ajuda muito. Mas também é verdadeiro que Jesus ensinava usando palavras de Sua própria sabedoria que por si mesmas são divinamente poéticas, podendo ser desvendadas unicamente por Ele mesmo. Tendo boa consciência de que seu significado me foi revelado por Ele mesmo, irei transmitir conforme me foi dito…

Quando Jesus diz “se seus olhos forem bons”, a primeira ideia que temos em relação à palavra ‘bom’ é no sentido de bondade, e assim associamos que Jesus estivesse falando para termos olhos bondosos e tal. Mas ainda que sim, ele queira isso, não é esse o seu sentido mais “bruto”, “cru” e primeiro. Não! De fato acredito que o literal e imediato sentido o qual estava se referindo ao dizer bom é como significando “saudável” ou “que funciona bem”.

A segunda coisa que também precisa ser equalizada, ajustada, tendo também em mente o significado de bom no contexto é; da mesma forma, o entendimento que temos da ideia associada a corpo e luz nesse texto. Quando Ele diz “os olhos são a candeia do corpo”, ou “a luz do corpo”; o que literalmente Ele quer dizer é que através dos olhos é que todo o corpo enxerga; e por isso não está em trevas ou escuridão. Este modo de falar como foi traduzido nos parece um tanto estranho e de fato não usual aos nossos dias. Mas obtive ajuda para entender tal falar, com a linguagem do antigo testamento. Como por exemplo:

“E aconteceu que, como Isaque envelheceu, e os seus olhos se escureceram, de maneira que não podia ver…”
Gênesis 27:1a

Repare bem! É dito que os olhos de Isaque “escureceram”, não no sentido de que a cor dos olhos tornou-se escura ou preta; mas que devido à sua velhice a sua visão escureceu, ou seja, estava enxergando mal, com deficiência. Aplicando essa mesma percepção e linguagem as palavras de Jesus, juntamente com o significado de bom nelas, vou parafraseá-las abaixo, de modo a ajudar em sua compreensão:

“Os olhos são os que dão visão ao corpo. Se os teus olhos funcionarem bem, todo o seu corpo será bem guiado por sua visão. Mas se os seus olhos funcionarem mal então todo o seu corpo estará desnorteado. Portanto, se a visão que possuem por dentro for cega, quão grande cegueira será!”

Entendem! Vejam só como esse entendimento se aplica tão maravilhosamente bem ao ensino que Jesus estava dando!… Ele estava dizendo aos discípulos sobre dois tipos de riqueza: a terrena e a celestial. E os estava incentivando/ordenando a que acumulassem para eles próprios as riquezas celestiais. Mas a realidade é que tais riquezas são invisíveis aos nossos olhos naturais, e caso nossa vida seja dirigida/guiada por eles iremos buscar as riquezas que vemos, ou seja, as terrenas. Se, por outro lado, tivermos olhos espirituais e realmente estivermos enxergando as riquezas eternas que Deus tem pra nós, então, nossos olhos espirituais guiarão todo o nosso corpo, para que todo ele se empenhe e esteja corretamente direcionado para adquirir e acumular tais riquezas imarcescíveis. Desse modo, o que vemos é que nos será precioso, será nosso tesouro; e nosso coração, que está relacionado com o cerne e as fontes de nossa vida, será então cativado e impulsionado por isso.

Muitos dizem estarem buscando as coisas celestiais, mas na realidade, na pratica de suas vidas, nas obras de suas mãos, o caminho dos seus pés, são para ‘as coisas que se veem’. Para esses a palavra do Senhor é “quão grandes trevas serão”!

Desse modo ele estabelece apenas dois caminhos; ou iremos servir a um Senhor invisível com riquezas invisíveis, ou seremos servos de um senhor visível que possui riquezas visíveis! Realmente somente a graça e a misericórdia de Deus nos fará trabalhar e investir em um ganho que por hora, talvez não estejamos vendo. Mas à medida que por Sua grande bondade nos concede ver algo celestial; nossa convicção se torna tal, que as demais coisas quando comparadas com os verdadeiros bens; são então reputadas como “lixo”!

Que o nosso amado e precioso Senhor ilumine os olhos do seu coração, para compreender e já hoje experimentar as excelentes riquezas dos Seus tesouros eternos! Com o fim de que cada, até mesmo pequeno movimento, ou respiração de nossos corpos, seja para Ele e para a glória do Seu bendito reino!

 

Recomendo a leitura da postagem “O Trabalho”, diretamente relacionada com essa.

 

Na paz Dele.
Amém.

O Trabalho

Muito há o que falar sobre o trabalho, mas como de costume não irei buscar dissecar tal tema minuciosamente. Antes, estabelecendo alguma base para o mesmo, vou-me ater ao que julgo ser o objetivo mais importante.

Primeiramente é preciso dizer que não, o trabalho não é uma maldição! Como alguns tendem a lhe atribuir dizendo “com o suor do teu rosto comerás o teu pão”. Não! Realmente isso não é de fato ‘o trabalho’, mas sim o julgamento de Deus sobre o objeto – a terra – do trabalho do homem após este ter pecado.

Mas o verdadeiro trabalho é realmente muito antes disso! Em primeiro lugar, em relação ao homem, ainda antes dele ter comido do fruto proibido e recebido o julgamento citado acima; Deus deu a ele certas incumbências as quais por certo lhe exigiriam trabalho, como: dominar, subjugar, multiplicar, encher, cuidar, cultivar, etc. Ações que certamente seriam realizadas através de seu próprio trabalho. A diferença é que após o homem ter desobedecido a Deus e comido do fruto proibido, a terra foi amaldiçoada como parte do julgamento de Deus sobre o homem; o que traria diversos obstáculos e impedimentos à produção e trabalho do homem sobre ela, dificultando assim seus resultados. “Mas no principio não foi assim!” O homem teria muito mais ajuda do ‘meio’ nos resultados de sua própria ação para produzir; estado ao qual Deus deseja faze-lo voltar, HOJE MESMO!

Entretanto para realmente entendermos quando isso, ‘o trabalho’, começa, temos que voltar ainda antes…

Certa vez Jesus disse que: “meu Pai continua trabalhando até hoje, e eu também estou trabalhando”, em resposta aos fariseus em seu tempo que acreditavam que não se podia trabalhar aos sábados por causa da lei. Aqui percebemos que ‘o trabalho’ é um atributo próprio de Deus, tanto do Pai como, por consequência, do Filho também. Sim! Consiste no que Ele é; e não há como ser de outro modo. Ainda que Deus não possa ter algo a mais, acrescentado a si, nem ser mais rico do que já é; parece-me que Ele quis que suas infindáveis riquezas se tornassem realidade neste mundo conforme uma economia/administração Sua, na qual Ele dispensaria Suas riquezas ao longo do tempo. Creio que isso explicaria o motivo pelo qual Deus estaria então trabalhando. Ele estaria aplicando Seus “esforços” a fim de fazer o “download” de Suas riquezas eternas a este mundo que Ele criou; sendo o próprio também um produto delas. Está semeando Sua palavra dentro dos corações e, ainda que haja muitos espinhos e abrolhos, Ele perseverantemente está trabalhando para obter aquilo que deseja o Seu coração.

Bom, isto nos conduziria a que Deus tem aplicado Seus esforços, o que Seu coração deseja alcançar e produzir; mas não iremos por esse caminho aqui. Isso é apenas para que possamos compreender que ‘o trabalho’, como disse, não é uma maldição; mas sim um fruto de Deus, derivado Dele, e verdadeiramente é uma dádiva e um privilégio à qual somos chamados a participar juntamente com o Seu autor.

Em toda a Escritura, o que também será confirmado em nossa própria experiência, o trabalho é estabelecido como o único “agente” para se obter/produzir riqueza (de todos os tipos), lucro, bens, etc. Em Provérbios por exemplo isso é explicitamente dito como pode constatar nesse link: https://www.bibliaonline.com.br/acf+nvi/busca?f=book%3A20&q=trabalho

Ou seja, nossa abundancia será diretamente proporcional a toda força e poder de trabalho empregado com fim de produzir bens a nós mesmos; de qualquer natureza realmente, tendo a nós mesmos como fonte/agente ou qualquer outra(o).

Tendo estabelecido essa verdade sobre o trabalho queria agora pensar juntamente com os irmãos sobre qual a mentalidade e pratica que devemos ter em relação a isso.

Primeiramente ouço muitos irmãos afirmarem que devemos trabalhar a fim de obtermos nosso próprio sustento, pagar nossas contas, etc, ou senão até mesmo para sermos ricos. Sim! Não me refiro a ímpios, mas a irmãos de fato. Em relação à ideia de sermos ricos acredito que a bíblia seja muito clara sobre tal assunto, em sua reprovação e perigo: 1 Tm 6:3-12. Quanto aos demais acredito que grande parte simplesmente tenha suas mentes conformadas a este mundo e tal como ele, pensam. Chegam até mesmo a citar “com o suor do teu rosto comerás o teu pão” com a credencial de um mandamento divino! Já outros; creio que sinceramente o digam de boa consciência, como que querendo cumprir a Palavra (Ex: 2Ts 3:8-12).

Mas vamos meditar juntos sobre o que realmente Deus diz em Sua palavra.

Antes de tudo quero dizer que tenho tomado um principio, que acredito ser muito importante para o devido entendimento da palavra de Deus. Que é; principalmente em relação ao novo testamento, que todas as cartas, e tudo quanto àqueles que foram enviados (apóstolos) falaram, deve ser submetido e entendido à luz daquilo que nosso próprio Senhor Jesus ensinou. Assim sendo, veja a clareza com a qual Jesus refuta tais usuais conceitos sobre o proposito do trabalho:

“Não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem lhes dará. Deus, o Pai, nele colocou o seu selo de aprovação”.

João 6:27

Percebam como Jesus está claramente nos dizendo que nosso trabalho, esforço, labuta, empreendimento, investimento, deve ser não ao nosso “pão”, sustento ou contas; mas que devemos empreender tudo o que somos em alcançar algo de valor muito mais elevado: a vida eterna! Ou seja, a vida propriamente de Deus!

Em outro lugar ele ensinou assim:

“Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração. Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são! Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”.

Mateus 6:19-24 (seriam interessante lerem até o verso 34)

Observem como novamente Ele nos esta ensinando a buscarmos e estocarmos riquezas eternas e indestrutíveis, as quais, como vimos no outro texto, obteremos das Suas mãos. E, ao mesmo tempo demonstrando quão efêmero e frágil são as riquezas terrenas. O que para mim trás uma conclusão mais do que obvia sobre em qual delas devemos investir! Mas há um problema… As riquezas celestiais são invisíveis, e para muitos parece como “dar um tiro no escuro”!

Aqui, antes de continuarmos, gostaria de recomendar; o que será de grande ajuda no nosso entendimento; a leitura do post “O Que Você Vê”.

Desse modo, para muitos, uma pessoa que se dedique somente para a obtenção de bens espirituais, possa parecer como quem está fora da realidade, em uma utopia, enganado; e muitos outros dirão que é uma questão de interpretação, e que estou “viajando”. Caso conheça bem a palavra, as escrituras; estou certo de que muitos versos podem vir à sua mente para justificar como propósito ao trabalho obter coisas deste mundo, nosso sustento. O que quero considerar mais a frente…

Caso julgue utópico terá também, acredito eu, que considerar a existência de Deus também utópica; ou pelo menos utópico que Jesus tenha pronunciado palavras da boca do próprio Deus! Caso tenha lido os versos 25 a 34 do capítulo 6 de Mateus, terá percebido que “aquelas coisas”, comida e roupa – que acredito representarem a síntese de nossas necessidades – faladas no texto, são coisas das quais não nos compete buscar, mas que o Pai as trará a nós. Sim, se não nos tornarmos como “débeis” criancinhas; de MANEIRA NENHUMA entraremos em Seu reino!! E quanto temor e tremor devemos urgir ter, a fim de não sermos pedras de tropeço a elas…

Na realidade é magnifico que seja assim! Deus nos criou de tal modo limitado, que podemos nos ocupar apenas com uma só coisa por vez. Assim, ele nos tem liberado de todas as demais ocupações com o fim de estarmos plenamente livres para nos ocupar e trabalhar em Seu reino! Este é o proposito para o qual Ele nos criou: trazer Seu reino! E por isso mesmo, o Deus Todo-Poderoso nos tem dito para descansarmos de todos os outros afazeres, e nos concentrarmos com tudo o que temos e somos nisso! Confiando totalmente em Sua mais que eficiência; para lidar com o resto.

Sua bondade e amor para conosco é de tal forma que é Seu desejo dar a nós, do melhor de tudo quanto possuí. Toda a terra e tudo o que nela há pertence a Ele, mas verdadeiramente Ele também possuí uma “terra” a qual é muito melhor. E a tem disponibilizado a nós: Sua própria natureza santa, amorosa, bondosa, gloriosa, na plena medida de tudo quanto nos é possível “beber”, absorver!

Mas é verdade que aquilo pelo que trabalharmos isso mesmo é o que teremos. Deus em Seu caráter nos fez livres para obtermos qualquer coisa que queiramos, e em Sua justiça nos dá exatamente aquilo pelo que temos trabalhado para obter. Portanto, se trabalharmos para obtermos coisas deste mundo, então essa será devidamente nossa recompensa! E quão triste ela será. Mt 6:1-6

Meus amados irmãos! A suma de tudo o que estou dizendo aqui é: Que se empreendermos e trabalharmos com o fim de construirmos o reino de Deus; essa mesma construção sobre a qual estivermos gastando nosso tempo e esforços para construir, dela mesma participaremos. Todas as riquezas celestiais cujas quais o Pai fizer descer a este mundo por nosso intermédio, serão nossas! Não somente por um tempo, como 10, 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80 anos, etc, mas por toda a eternidade sem fim!!!

Como nossos olhos precisam ser abertos para contemplarmos tão imensa riqueza grandiosa e gloriosa!!! Que nosso amado Pai nos guarde da loucura de Esaú! Assim como grande é a recompensa, indescritível também será o choro e o ranger de dentes!

Não mais te delongues… Apronta-te para a obra! Arregaça as tuas mangas e vem! Já o gozo da Sua presença tem sido saboreado pelos Seus servos, e Ele conclama a todos que venham! Ao Seu canteiro, no qual há uma deliciosa mesa posta, e que irá resultar no verdadeiro Paraíso para se habitar!

Continua em “O Trabalho – Parte 2”…

Jesus o Ungido seja com o seu espírito. Amém.

E Partiam o Pão de Casa em Casa…

Há algum tempo tenho pensado sobre a “Ceia do Senhor” e gostaria de estar compartilhando com os irmãos seu significado e prática.

Se você não está bem familiarizado com os textos da Escritura que abordam esse assunto, aqui seguem os principais para que possa meditar perante o Senhor e receber também diretamente deles, pois não irei citar e/ou transcrever todos:
Última Ceia: Mt 26:17-30; Mc 14:12-26; Lc 22:7-20
Pascoa Judaica: Ex 12
Pratica dos Discípulos: At 2:42-47; At 20:7-11
Ensino de Paulo: 1Co 10:14-22; 11:17-34

Em primeiro lugar seria interessante simplesmente analisarmos os fatos:

O Senhor Jesus, em sua ultima páscoa antes de ser crucificado, pediu aos discípulos para a prepararem; o que eles assim fizeram; certamente ao modo tradicional, como qualquer judeu da época faria. Ainda que o próprio Jesus fosse de fato a própria páscoa Ele participava normalmente da páscoa, como das festas judaicas em geral; sem grande problema, até por que, a realidade de todas elas só estavam vindo à luz com Ele mesmo. Ele mesmo e Sua obra é que são a realidade de todas elas; por isso acredito que Ele bem sabia que não podiam suportar essa “ruptura” com toda a antiga revelação de uma só vez e o fez ao modo como todo judeu fazia realmente. Mas, enquanto comiam fez algo diferente:

“Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o, e o deu aos seus discípulos, dizendo: “Tomem e comam; isto é o meu corpo”. Em seguida tomou o cálice, deu graças e o ofereceu aos discípulos, dizendo: “Bebam dele todos vocês. Pois este é o meu sangue, o sangue da nova aliança, que é derramado por muitos, resultando em libertação dos seus pecados (esse verso 28 em itálico foi traduzido de forma livre da versão em inglês The Father´s Life). Eu lhes digo que, de agora em diante, não beberei deste fruto da videira até aquele dia em que beberei o vinho novo com vocês no Reino de meu Pai”.
Mateus 26:26-29

Como, creio eu, a maioria dos leitores sabem; muitos tem transformado tal atitude de nosso Senhor em um rito sagrado, sacramento. Parece-me que a vontade humana de sacramentar tal “memorização” foi tal, que inventaram, por na realidade não conhecerem ‘o poder de Deus nem as Escrituras’, o que é então conhecido como a transubstanciação dos elementos. Ou seja; interpretaram a afirmação de Jesus de “este é o meu corpo” e “este é o meu sangue” de modo material e carnal. Como vamos ver logo à frente esta era realmente a interpretação dada, às palavras de Jesus, por homens carnais do Seu tempo. E infelizmente tem sido assim até hoje.

Há um capítulo na bíblia de grande importância para solucionarmos esse problema que é o capítulo 6 do evangelho de João. Caso não esteja familiarizado com esse capítulo, recomendo ler com atenção e o coração aberto para Deus poder falar profundamente contigo, sobre Sua real vontade em tudo isso que temos considerado (é necessário lê-lo por completo).

Acredito que tal capítulo deixa claro que o corpo/carne e sangue que Jesus nos está oferecendo é a realidade de quem Ele é essencialmente. Pela nossa fé Nele e em Suas palavras, nos alimentamos Dele e recebemos da Sua Vida que também é a Vida do Pai; a qual é, em substancia, espiritual e não carnal/material. Dessa forma, a ideia humana de buscar sacramentar o rito/cerimonia da Ceia com a transubstanciação na realidade é o inverso do que nosso Senhor tem dito; e o inverso da Sua vontade. Mas como está escrito que, “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus”; como foi no passado, também é agora; não podem compreender o ensino de Jesus.

Bem, talvez você esteja pensando: “É, realmente essa ideia da transubstanciação não tem nada há ver; eu sempre compreendi isso muito bem não tenho crido dessa forma…” Sim, graças a Deus Ele não tem deixado Seu povo na escuridão, mas tem feito as reformas e lançado Sua luz sobre nós, a qual precisamos para nos voltarmos à simplicidade Dele; mas ainda assim, meu irmão, sinto da parte Dele que precisamos continuar a andar com Ele e a avançarmos no entendimento e prática desse assunto. Mesmo que já uma grande parte do Seu povo tem deixado para trás a imatura e errada ideia da transubstanciação, ainda assim continuamos a fazer da realidade de nos alimentarmos de Jesus à forma e maneira de um rito, cerimonia, celebração, ou qualquer outro nome que se queira dar, “sagrado”. De fato sinto que a formalidade e a aparente santificação de tal liturgia tem antes atrapalhado e desviado os santos da verdadeira comunhão que Deus deseja.

Se analisarmos os textos da palavra sobre o assunto, veremos que de fato os discípulos do primeiro século jamais se reuniam com o propósito de praticarem um rito, ou mesmo um memorial centralizado sobre os elementos materiais da Ceia em foco. Na realidade sempre que estavam por assim dizer “partindo o pão” não consistia em uma cerimonia religiosa, mas sim de um banquete, um jantar, um almoço, e nunca de uma forma; diria até quase idólatra sobre os elementos. Tenho chegado a pensar que de fato a expressão “partir o pão” fosse algo como o “tomar café” do nosso tempo, significando uma mesa posta, com comida nela! rsrs, em que os irmãos participariam juntos do mesmo alimento para o corpo físico de fato. Isso porque eles não foram instruídos e ensinados por alguém carnal, mas os ensinamentos de Jesus e Seu estilo de vida estavam frescos em seus dias, onde cada coisa era colocada em seu devido lugar! A comida para o corpo permanecia como algo “que perece”, e que ainda que precisemos dela (por isso também que estão presentes rs) por agora e sejamos gratos, são temporais e por isso não eternas, e não possuindo a natureza de Deus em si mesmas. Mas a comida que, como Ele disse, “é verdadeiramente comida”; tem a vida eterna de Deus nela, e é “espírito e vida”!

Sei que para muitos que tem colocado tal cerimonia em uma posição “sacra” poderão pensar que isso é uma espécie de sacrilégio, e que estaria por assim dizer roubando, tirando a honra e santidade de algo sagrado. Mas a verdade é que isso tem sido algo sobre o que tenho meditado diante do Senhor já alguns anos, e cujos frutos de benção e de verdadeira nutrição são irrefutáveis para mim. Não estou querendo dizer que tais reuniões sejam em si mesmas pecaminosas ou algo assim, ou que não deveríamos participar delas como se fossem algo ruim. Acredito que assim como nosso Senhor participava das cerimonias, do Seu tempo, estabelecidas pela lei, mesmo que soubesse que iriam passar e que Ele mesmo era a realidade de todas elas, acredito que possamos sim participar com nossos irmãos de tais cerimonias; com o devido discernimento. “Mas está escrito para partirmos o pão e tomarmos do cálice até que venha!” Alguém poderia argumentar?! “Sim!! Vamos realmente comermos do Pão e bebermos do Sangue até aquele dia!! Em que então o beberemos novo com o Amado no Reino do Seu Pai!!” Eu responderia. Percebe? O rito não cumpre o Seu mandamento, ou agrada Seu coração; é a Vida que cumpre Seus mandamentos e satisfaz Seu coração. Creio que é tempo de nos voltarmos à Sua simplicidade, nos despindo de todo formalismo externo e oco, e nos enchendo de Sua Vida, compartilhando com os membros do corpo de modo que todo ele seja plenamente nutrido e aperfeiçoado!

Entendo que não seja proibido fazer uma cerimonia tal, mas realmente acredito que está muito aquém do que nosso Senhor tinha em mente: visitarmo-nos uns aos outros para comermos juntos, de casa em casa, tendo comunhão no Espírito, sendo alegres e singelos de coração. Peço a Deus que cada um de nós vá realmente a Ele e possa sentir o pulsar de Seu coração, os gemidos do Seu Espírito com o fim de desfrutarmos de verdadeira comunhão, na pureza e simplicidade de Cristo.

 

A paz Dele seja com todos! 🙂

O Sacerdote

Vamos primeiramente tomar o conceito bíblico sobre sacerdote: “Todo sumo sacerdote é constituído para apresentar ofertas e sacrifícios…” Hb 8:3.

Apesar do verso acima se referir ao sumo sacerdote, penso ser o conceito mais diretamente simples das escrituras sobre o oficio dos sacerdotes. Apresentar ofertas e sacrifícios (de animais na antiga aliança, mas a nós mesmos na nova. Rm 12:1) a Deus.

Outro conceito sobre o oficio dos sacerdotes está em Malaquias 2:8 “Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens buscar a lei porque ele é o mensageiro do Senhor dos Exércitos.” De modo q o primeiro é o oficio de baixo (do homem) para cima (para Deus), já o segundo é de cima para baixo.

Agora vamos olhar a história sobre os sacerdotes:

Muitos acham q o sacerdote é uma instituição da lei de Moisés, mas ainda q Moisés tenha estabelecido sacerdotes pela lei, não foram os primeiros da história. De fato o primeiro sacerdote registrado pelas escrituras é o famoso Melquisedeque, do qual não irei falar nesse post apesar da sua importância. A bíblia conta ainda de sacerdotes egípcios, q obviamente exerciam o sacerdócio diante dos deuses dos egípcios, e outros. E mesmo se pensarmos no oficio do sacerdote podemos ver q tanto Caim como Abel fizeram pelo menos a primeira parte, ainda q não fossem chamados como tal.

A questão peculiar sobre o sacerdócio por Moisés é q ainda antes q houvesse a lei escrita, Deus ordenou Moisés dizer ao povo: “Agora, se me obedecerem fielmente e guardarem a minha aliança, vocês serão o meu tesouro pessoal dentre todas as nações. Embora toda a terra seja minha, vocês serão para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.” Ex 19:5-6a. Aqui vemos o propósito de Deus desde o início de estabelecer Seu reino sobre este mundo. Para isso Deus estava trabalhando para obter não somente indivíduos como sacerdotes, mas ampliando para uma nação inteira. O desejo do Seu coração verdadeiramente foi q todos os hebreus, israelitas, exercessem o oficio de sacerdote diante dEle. Mas infelizmente não foi o q aconteceu; devidamente pq Deus estabeleceu uma condição “…SE me obedecerem fielmente e guardarem a minha aliança…” Esse é o caminho para o oficio do sacerdócio, mas muitos tropeçaram. Sabemos q de toda a nação, de milhares de famílias, uma única, a de Arão, foi separada e permitida de exercer o sacerdócio na presença e na casa de Deus.

Ainda q no antigo testamento, possa não parecer claramente q a vontade de Deus seja que todo o povo ministre/sirva como sacerdotes diante dEle, no novo testamento, pela nova aliança q nos foi concedida em Jesus é claro. Por um lado a questão do sacerdócio como lei foi abolida, mas por outro lado a realidade e o significado espiritual do mesmo permanecem. Nos é dito nos evangelhos, q quando Jesus foi crucificado e entregou o seu espírito, o véu do templo rasgou-se de alto a baixo. O autor de Hebreus interpreta o q seria a realidade disso: “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne…” Hb 10:19-20. De maneira q o rasgar do véu mostra q o acesso a presença de Deus no santuário, q é a casa de Deus, q segundo a lei era restrito aos sacerdotes, agora esta liberado para qualquer um dos crentes em Cristo(o Ungido) Jesus. Qualquer um q tenha fé em Jesus é apto então para se achegar ao verdadeiro santuário do céu, o qual o da terra, segundo a lei, era figura. O verdadeiro santuário é o corpo do Ungido, o “lugar” onde Deus verdadeiramente habita. Isso é maravilhoso! O acesso a presença do ser mais sublime, santo e perfeito tem sido concedido a homens simples, pequenos e perdidos por causa da obra da redenção.

Apesar disso parece haver em nossos dias uma “classe” especial a qual muitos chamam de sacerdotes ou dizem ser vocacionados ao sacerdócio. São chamados de pastores(as), bispos(as), padres(=pais), reverendos, mestres, apóstolos, lideres, etc, (ainda q mesmo tais nomeações sejam proibidas por Jesus Mt 23:7-12) diferenciando-se assim dos demais irmãos e negando ou no mínimo obscurecendo a graça q Jesus conquistou a todos os crentes, de serem um reino de sacerdotes diante dEle.

Apesar de toda a maravilhosa graça de Deus, ainda permanece a condição da fé para entrar em Sua presença. É preciso crer q o Filho de Deus comprou a nós o acesso a presença do Pai. E assim, como está escrito: “…aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena certeza de fé, tendo os corações purificados de uma consciência má e tendo os nossos corpos lavados com água pura (nota: palavra inspirada pelo Espírito Santo). Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu.” Hb 10:22-23. Dessa forma, é verdadeiro q ainda q o acesso esteja liberado a todos, nem todos estão usufruindo dessa incomensurável graça. Precisamos entender q tamanha graça carrega consigo grande responsabilidade e por isso um terrível juízo com os q são negligentes diante dela (ler o capítulo 10 de Hebreus por inteiro para compreender os juízos envolvidos relativos a negligência à graça oferecida).

Ninguém pode exercer o seu sacerdócio em seu lugar, essa é uma responsabilidade inteiramente sua; e cada um responderá individualmente por seu trabalho diante de Cristo. Não permita q ninguém se interponha entre vc e Deus, de fato Ele é acessível a todos homens por meio de Seu Filho. Verdadeiramente Ele disse q habita com o “contrito e humilde de espírito”, essa é verdadeiramente a Sua casa, aos menores do rebanho Ele certamente exaltará! Não almeje posições carnais e humanas, não permita aos homens colocá-lo em qualquer “lugar” q o diferencie dentre os irmãos. Estou certo de q o Senhor odeia tais ‘obras’. Que Deus nos conceda Sua graça; como estou certo de q o fará; para não sermos achados negligentes diante dela e amemos mais a Sua glória do q a dos homens.

No amor de Jesus, o Ungido do Pai.

Um servo Dele.