A Cabeça de Cada Homem

Olá irmãos,

Gostaria de fazer uma reflexão junto com vocês de um texto das Escrituras que acredito ser normalmente mal compreendido por certas questões: principalmente do entendimento espiritual errôneo (ao meu ver) a respeito de autoridade e em certas deficiências e/ou inclinações das traduções mais tradicionais do texto em questão.

Vamos ler a passagem juntos:

“Mas, eu quero que vocês saibam, que a cabeça de cada homem é o Ungido, a cabeça da mulher é o homem, e a cabeça do Ungido é Deus. Todo homem, quando ora ou profetiza, tendo sua cabeça abaixo, {ou, sob} desonra sua cabeça verdadeira: o Ungido.

E cada mulher orando ou profetizando com a cabeça descoberta desonra sua cabeça: o homem. Pois seria o mesmo que se ela estivesse com os cabelos rapados. Pois, se uma mulher não está coberta, deixe-a também rapar os cabelos. Mas, se é vergonhoso para uma mulher ter os cabelos cortados ou rapados, deixe-a ser coberta.

Porque um homem é obrigado a não ter sua cabeça coberta [sinalizando submissão à autoridade humana] pois ele possui a imagem e glória de Deus. Mas a mulher é a glória do homem. Você vê, o homem não foi extraído da mulher, mas a mulher foi extraída do homem.

Portanto, o homem não foi feito para a mulher, mas a mulher foi feita para o homem. Por esta razão, a mulher deve ter um sinal de sua submissão à autoridade em sua cabeça por causa dos anjos. No entanto; no Senhor, nem a mulher é completa sem o homem nem o homem completo sem a mulher. Pois, assim como a mulher foi extraída do homem, também o homem provém da mulher. Mas todas as coisas são de Deus.

Façam este julgamento por si mesmos. É apropriado a uma mulher orar a Deus descoberta? Não os ensina igualmente a natureza que se um homem tem cabelos longos, é uma desonra para ele? Mas se uma mulher tem cabelos compridos, é uma glória para ela. Porque o cabelo dela, lhe é dado como uma cobertura.

Mas se qualquer um tem uma forte discórdia sobre isso, nós não temos tal costume, nem o tem as assembleias dos que Deus chamou para fora.”

1 Coríntios 11:3-16 (tradução livre da versão em inglês “The Father’s Life”)

Antes de iniciar a reflexão sobre o texto acima preciso primeiramente explicar algo a respeito dessa versão que estou usando. Infelizmente ela não está oficialmente disponível em português ainda; senão eu simplesmente indicaria a leitura do prefácio da mesma, o que os habilitados à leitura em inglês o podem fazer e pular esse parágrafo ;). Ao lerem o texto acima, irão perceber algumas palavras em itálico. Tais palavras não existem no texto original mas foram acrescentadas pelo tradutor a fim de que tornasse mais claro o significado do que o autor disse. Muitos podem pensar, como de fato muitos pensam, que isso seja algum tipo de corrupção ao texto sagrado original mas isso não é verdade. Na realidade qualquer pessoa que já tenha feito um trabalho de tradução sabe bem que por vezes para se traduzir com maior, e não menor, fidelidade um texto você deve fazer certas alterações de palavras a fim de que a fidelidade ao sentido, o que de fato é o que se deseja transmitir, seja mais acurado do que um certo “stricto sensu” (sentido restrito) de cada palavra isoladamente. O que certamente não significa que não deva ser feito com muito zelo e responsabilidade. Portanto, tais palavras em itálico, estão antes para clareza do que para indução particular do tradutor. Por outro lado isso não significa que qualquer que seja o tradutor, seja esse ou outro qualquer, não possua uma visão própria tal qual julgue ter recebido de Deus, e ao selecionar uma dentre as muitas possíveis traduções de um texto ou palavra não seja de algum modo influenciado por sua própria visão. Ainda assim, mesmo lendo-se o texto sem tais palavras; acredito que por inferência e compreensão do contexto chega-se à mesma conclusão como procurarei demonstrar. O texto entre colchetes diferente das demais palavras em itálico não é necessariamente um sentido implícito ao texto mas sim uma explicação particular do tradutor para o benefício do leitor, e a palavra “sob” que se encontra entre chaves consiste em uma alternativa legitima, ou seja, no escopo das possibilidades literais da palavra grega que foi traduzida por “abaixo”, ela é uma alternativa, uma possível tradução.

Durante os primeiros anos da minha vida cristã considerava e ouvia e entendia esse texto como sendo um texto que falasse sim, sobre uma ordenação de Deus a respeito de autoridade, mas também sobre a questão se era justo e/ou necessário o uso do véu por parte das mulheres. Realmente mesmo que não compreendesse bem o motivo pelo qual o simples véu tivesse algum tipo de real relevância, ainda assim, como quase que de maneira unânime ao meu “redor” era-se ensinado dessa forma, não havendo muita razão para que julgasse (até para não ser contencioso) que não fosse assim.

Contudo, após ler um livro (vou indicá-lo ao final) a respeito de autoridade e que abordava algo sobre esse texto, (não unicamente o livro mas a real maturidade de caminhar com Deus no Espírito, sendo o livro uma confirmação para as inclinações de inspiração celestial) comecei a perceber que a verdade contida no texto nada tem a ver com véu; mas sim somente com a autoridade de Deus.

Em primeiro lugar, como já havia dito, há problema com uma grande parte das traduções desse texto, como também em muitos outros lugares da bíblia é verdade. Essa palavra “véu” estritamente falando não está no texto grego e, foi assim traduzida ao bel-prazer de tradutores do passado, em alguns lugares a acrescentando e em outros traduzindo-a de uma palavra do grego que teria o sentido de uma cobertura sobre a cabeça, mas que não seria necessariamente um pano ou tecido mas podendo ser também uma cobertura espiritual por exemplo. Por isso disse que a tradução por “véu” veio de uma ideia relacionada a uma escolha talvez baseada ao costume dos tradutores do passado e não necessariamente à mente de Deus. Sim, é verdade que os tradutores possam ter escolhido a palavra “véu” com base em um costume muito antigo, talvez da tradição judaica por exemplo, (lembrando que há diferença entre uma tradição santa e divina e uma meramente humana que, normalmente, confronta e desonra o mandamento de Deus como Jesus demonstra em Mateus 15) mas que, como veremos, de modo nenhum representa e transmiti com fidelidade o coração e a mente de Deus.

Compreendendo isto, e tendo diante de nós uma tradução que seja mais próxima da verdade, como creio, vamos buscar entender qual é o verdadeiro ensino que Deus quer nos falar aqui.

A igreja (assembleia dos chamados para fora) de Corinto, aos que têm conhecido o contexto em que Paulo escreveu essa carta, era na ocasião uma igreja nova, ainda imatura e pouco desenvolvida espiritualmente; motivo pelo qual Paulo afirmou no início da carta que eram carnais. Assim sendo havia diversas confusões e o entendimento espiritual deles era limitado e muitas vezes distorcido também.

Dessa forma Paulo, segundo a sabedoria que Deus lhe deu, estava buscando corrigir aqueles irmãos em diversos assuntos, e ajudá-los com diversas dúvidas que tinham. Uma delas era sobre essa questão da autoridade entre eles, homens e mulheres.

É preciso enfatizar que o ensino aqui consiste nas relações de autoridade na igreja, entre os santos, (que são os que oram e profetizam) e não com respeito às autoridades seculares.

Sobre esse assunto Paulo começa estabelecendo coisas de extrema importância. Veja a primeira: “o Ungido é a cabeça de cada homem”. Ou seja, cada homem individualmente possui uma única cabeça que é o Ungido. Essa palavra “cabeça”, se você é crente e conhece algo sobre a realidade de Deus no Ungido (em Cristo) sabe que o corpo humano é uma figura do corpo de Deus (Cristo). Sim, disse que o corpo humano é uma figura do corpo de Deus e não o contrário. Quando Deus criou o homem, ele o fez conforme a Sua imagem e semelhança, o que significa que ao criar o homem com uma cabeça e um corpo, Ele o fez baseado em Si mesmo, O qual possui, como possuía, Deus é Eterno, uma cabeça e um corpo. Não há tempo para falar disso especificamente mas se Deus é eterno e também imutável, significa que Ele sempre foi assim mesmo como o é “agora”.

Dessa maneira, maravilhosamente, ao observarmos o nosso próprio funcionamento, ainda que tal funcionamento esteja manchado pelo pecado, podemos apreender coisas a respeito do próprio Deus, ainda que o seja de forma limitada como na realidade sempre o será. Mas a questão é que: cada um de nós têm um corpo que está sujeito à nossa própria cabeça, mente ou cérebro você poderia dizer também, pois são similares. Cada membro do nosso corpo, seja um dedo, a mão, olhos, etc, estão sujeitos e seguem a ordem e comando da nossa mente, cabeça. Se, por exemplo, faço uma pintura; ainda que o instrumento que use para tal seja minha mão segurando um pincel, o projeto e toda a regência do processo é “controlado” e administrado pela minha mente, minha cabeça. Também se poderia dizer que eu sou o autor da obra e não minhas mãos; da onde deriva a palavra autoridade, aquele ou o que, que possui a autoria.

O que podemos entender é que o próprio Ungido é diretamente a cabeça de cada homem na igreja, tendo completa e total, ou deveria, autoridade sobre cada um particularmente.

Mais a frente Paulo diz que: “Todo homem, quando ora ou profetiza, tendo sua cabeça abaixo, {ou, sob} desonra sua cabeça verdadeira: o Ungido.” Nessa parte, acredito que muitos de nós sempre lemos pensando na primeira e segunda menção do termo “sua cabeça” como a nossa própria cabeça física, (nas traduções tradicionais especialmente) já que estamos com a ideia do véu ou lenço fixa em nossa mente. Porém, como estamos vendo, antes de Paulo entrar nessas questões sobre “tipos de coberturas” que trazem desonra a “verdadeira cobertura”; ele estabeleceu como uma rocha, bem como Deus em Deus (Deus o cabeça do Ungido), que a cabeça de cada homem é o próprio Ungido, ou seja, que a minha ou a sua cabeça é o Ungido, Cristo. Portanto, o tal termo “sua cabeça” do texto pode sim se referir tanto à cabeça física do homem como à sua Cabeça espiritual, o Ungido; e é necessário buscar luz da parte de Deus e compreender qual termo se refere a qual cabeça.

Dessa forma temos que pensar e buscar de Deus o que seria orar ou profetizar com a cabeça abaixo ou sob. Pois, se de fato o Ungido é a minha cabeça, não é certo que eu mesmo, e minha própria cabeça, minha própria mente, estão abaixo e sob essa Cabeça celestial? Porém, caso abaixe minha própria cabeça e a coloque sob uma outra cabeça que não esta que está no céu, não estaria eu então desonrando a Cabeça celestial e não Lhe concedendo a posição, poder e autoridade que Lhe são devidos? Pense por um instante: não seria realmente o ato de orar ou profetizar atividades essencialmente espirituais, devendo ser exercidas sob a direção e orientação do Espírito Santo, o qual transmiti a autoridade e regência da Cabeça celestial, o Ungido? Portanto, ao orar, profetizar, o que acredito sejam apenas exemplos de possíveis serviços espirituais, devemos assim estar debaixo da autoridade da Cabeça, o Ungido, e não de qualquer outro ser, inclusive o homem, ainda que seja um homem de Deus.

Concluindo essa primeira parte vamos considerar o lugar em que Paulo diz que “…um homem é obrigado a não ter sua cabeça coberta pois ele possui a imagem e glória de Deus.” Percebam só, é uma obrigação de cada homem não permitir que sua cabeça seja coberta (o que seria o mesmo que colocar-se abaixo ou sob outra cabeça) por nenhuma outra cabeça senão única e exclusivamente à Cabeça celestial, o Ungido. Paulo afirma que todo homem possui a imagem e a glória de Deus, se referindo à sua criação, e que esse é o motivo pelo qual não deve ter sua cabeça coberta; ou seja, nenhum homem tem a imagem e a glória de Deus por si mesmo ou de outra criatura mas elas derivam de Deus e lhe são transmitidas por meio Dele e segundo Sua unção; todos os homens estão iguais perante Deus e não há nada originalmente que os diferencie um do outro nessa relação com Deus, antes todos estamos aptos a nos submetermos e nos colocarmos em uma relação de direta submissão à verdadeira Cabeça, Jesus. Isso é verdadeiro com relação a imagem e glória da criação original, mas certamente também o é com relação a nova criação no Ungido. Por isso, Jesus ensinou que na igreja, que de fato é o corpo dessa Cabeça celestial, um membro não pode exercer autoridade sobre o outro (Mateus 20:25-28), como o fazem os gentios, já que há um só Deus e Senhor a quem é dada toda autoridade no céu e na terra, o Ungido. Caso alguém coloque a si mesmo em uma posição de cobertura espiritual sobre um irmão ou sobre um grupo de irmãos, o tal esta, consciente ou não, assumindo uma posição de “concorrência” e usurpando uma posição da qual unicamente um é apto e digno para tal, o Ungido.

Ainda que essa ideia de uma tal cobertura espiritual de alguns irmãos sobre os demais seja muito comum nas assembleias dos santos (igrejas) percebemos que na realidade ela é espúria e não harmônica ao coração e à mente de Deus.

Os prejuízos que tal ‘substituição’, ainda que em parte (devido a completa falta de capacidade de uma cabeça que seja humana), da Cabeça celestial por uma cabeça terrena são muitos. O povo de Deus não foi chamado para ter um “rei” como o tem os demais povos, mas Deus mesmo é Aquele que tem a dignidade real sobre os santos.

É verdadeiro também que ainda que a vontade de Deus não fosse que o povo de Israel tivesse um rei como as outras nações gentílicas, e que ao decidirem isto eles rejeitaram ao Deus de Israel (assim como os que submetem sua cabeça aos homens rejeitam/desonram o Cabeça – Deus do novo Israel), ainda assim Deus abençoou a Davi como rei por exemplo, e nele, em Davi, podemos ver certos aspectos do verdadeiro Rei; motivo pelo qual Deus o escolheu também. Todavia, Deus o abençoou um tanto quanto a despeito da escolha da nação de se ter um rei humano; mas na realidade apesar dessa escolha, apesar dessa desonra ao único e verdadeiro Rei, Ele misericordiosamente ungiu e abençoou a Davi, muito até por causa do próprio Davi é verdade, que como rei foi uma benção ao povo. Ainda assim, a nação não deixou de ter aqueles prejuízos dos quais Deus havia falado a Samuel para advertir ao povo com respeito a se ter um rei (1 Samuel 8:9-18), nem mesmo com Davi, o qual poderíamos considerar como uma “boa autoridade humana” que foi ungida por Deus o qual em Sua misericórdia atendeu o povo nessa questão ainda que tendo sido desprezado por eles.

Os prejuízos e perdas do povo por constituírem para si um rei humano no tempo de Samuel, perdas as quais Deus determinou a Samuel adverti-los, se assemelha em muito aos prejuízos e perdas do povo da nova aliança por abaixarem suas cabeças e aceitarem sobre si outra cobertura que não o próprio Senhor Jesus. Só que, se o povo terreno de Deus teve perdas terrenas, o povo celestial, que nasceu do alto, têm então sofrido perdas espirituais, celestiais; cujas terrenas são figuras (será interessante se meditar sobre isso diante de Deus no texto de 1 Samuel que citei acima).

Portanto, que cada irmão sirva o seu próximo com os dons que tem recebido de Deus sem exercer qualquer autoridade sobre seu irmão; e que cada um não se submeta a qualquer outro homem, ou outra coisa qualquer, senão unicamente à Cabeça celestial, segundo sua mais absoluta dignidade e capacidade, o Ungido, Cristo (Juízes 9:7-15). Desse modo, a glória e o ser de Deus serão mais plenamente manifestados. Isso não significa que o próprio Ungido não possa expressar sua vontade e autoridade através de um irmão ou irmã, e que quando Ele expressa a Si mesmo por meio de um membro do corpo tenhamos que nos submeter Àquele que fala, porém, isso não torna tal irmão ou irmã em uma autoridade (a autoridade é Jesus) ou cabeça sobre o outro.

Sei que uma boa parte daqueles que estão lendo esse artigo, estão questionando muitas coisas das que estou dizendo, devido ao que têm normalmente aprendido e por outras passagens das Escrituras que aos seus olhos parecem não serem harmônicas a tudo quanto venho dito até aqui. Sim, o fato é que também tive de passar por isso, e pela vida e a luz do Espírito buscar a verdade em cada texto particularmente. Gostaria muito de talvez tentar ajudá-los com muitas dessas passagens mais críticas mas teria de gastar muita “tinta”, e o objetivo desse artigo é abordar especificamente esse texto em questão. Por isso mesmo disse que estarei indicando um livro que faz uma abordagem mais ampla sobre o tema da autoridade aos olhos de Deus, cujo qual recomendarei a leitura e colocarei o link ao final do assunto.

Apenas para se concluir, é preciso perceber, como utilizei o livro de Samuel e de Juízes para vermos os germes da revelação de Deus ao homem, que o estabelecimento de juízes entre o povo procedeu de Deus e não dos homens, diferente do rei. Do mesmo modo acredito que agora, possamos julgar entre os irmãos como fica bem evidente nessa carta de Paulo aos santos de Corinto; porém não um julgamento como se fossemos o Juiz, mas somente como representantes e transmitindo as palavras do único e verdadeiro Juiz. Mas sobre isto ainda teria muito o que se dizer não sendo possível no momento.

Para falar da parte das mulheres a que o texto fala, criei um novo post: “A Cabeça da Mulher”.

Minha esperança é que o Senhor ilumine os olhos do seu coração.

Paz.

O Julgamento de Adão

Deus é verdadeiramente justo, e talvez muitos não compreendam claramente Sua justiça.

Quando Deus criou o primeiro homem, é dito que Ele o fez à Sua própria imagem e semelhança. Basicamente isso significa que Deus estava fazendo uma miniatura, uma criatura dentre tudo quanto estava criando, que mais o expressasse e mais se parecesse com Ele em todos os aspectos.

Podemos seguramente dizer que Deus não se esqueceu de nada, aquela criatura foi feita com todos os atributos necessários para cumprir todo o proposito pelo qual Deus a havia criado; representa-lo neste mundo, ser tal qual um embaixador de Deus e com Deus mesmo governar a Terra.

Ainda assim lemos como o primeiro homem falhou, caiu em tentação e comeu do fruto proibido desobedecendo a Deus. Tal única decisão trouxe sobre a humanidade e a Terra consequências extremamente catastróficas. Ainda que Deus tenha estabelecido tudo de forma harmônica e perfeita, por causa do pecado de Adão, tudo veio a se perder.

Vamos ler juntos como Deus o julgou:

E ao homem declarou: “Visto que você deu ouvidos à sua mulher e comeu do fruto da árvore da qual eu lhe ordenara que não comesse, maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida. Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas, e você terá que alimentar-se das plantas do campo. Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó e ao pó voltará”.
Gênesis 3:17-19

Veja só: uma única ação de Adão trouxeram consequências terríveis sobre a Terra e sobre o próprio homem. Primeiramente a Terra foi amaldiçoada, e ao invés de produzir coisas deliciosas para nossa satisfação e nutrição, produziria também agora espinhos e ervas daninhas. Em consequência disso a vida do homem já não seria nada agradável, mas para que mantivesse sua vida nesse mundo ele teria de pelejar e sofrer; e para concluir, sua vida teria um fim desolador e medíocre, viraria pó (nada), a realidade última de sua péssima escolha.

Muitos podem pensar que Deus tenha sido muito rigoroso em um ato tão inofensivo do primeiro homem, afinal ele cometeu um erro, uma única vez. Os que pensam assim não percebem o aspecto maligno e contaminador da desobediência, é como o câncer, a lepra, se você não o retirar já no inicio contaminará e destruirá tudo o mais.

E de fato, foi isso mesmo o que aconteceu, a desobediência de Adão contaminou como um “vírus”; uma “doença” hereditária, toda a sua descendência para sempre. De maneira que ainda hoje todos os homens que respiram estão debaixo da mesma e única maldição sem nenhuma forma de escaparem.

Vamos ler um verso em Romanos o qual irá confirmar isso:

Portanto, da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram;
Romanos 5:12

A morte, é o tornar pó; é como uma casa que tendo sido construída for derrubada e esmiuçada por uma máquina ou dinamitada. O homem foi formado/construído pela Palavra Viva de Deus, e sem ela, ao desprezá-la pela desobediência, ele iria se tornar em um monte de “entulho”.

Certamente que isso fez da Terra um lugar terrível, como um tenebroso conto de uma maldição sem fim…

Mas realmente Deus já tinha isso em mente, e antecipadamente já havia pensado e providenciado a solução. Graças a Ele por Sua tão imensa sabedoria e poder!!

Leia comigo:

Cristo nos redimiu da maldição da lei quando se tornou maldição em nosso lugar, pois está escrito: “Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro”.
Gálatas 3:13

Aleluia!! Redenção!! É o que o texto diz! Todos estávamos cativos à maldição do pecado, subjugados ao seu perverso domínio, sem nenhuma esperança de salvação, mas eis que o Leão da tribo de Judá venceu! Destruiu as grades da maldição e libertou Seu povo para sempre!

Se fosse contar todas as realizações que o Ungido de Deus conquistou na cruz, creio que não iriam caber nesse post rsrs. Mas quero me ater a duas questões que abordei em relação ao julgamento de Adão: maldição da Terra e maldição ultima (morte).

Vou começar pela última:

Veja a declaração de Paulo em Romanos 5:

Consequentemente, assim como uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens, assim também um só ato de justiça resultou na justificação que traz vida a todos os homens. Logo, assim como por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio da obediência de um único homem muitos serão feitos justos. A lei foi introduzida para que a transgressão fosse ressaltada. Mas onde aumentou o pecado, transbordou a graça, a fim de que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reine pela justiça para conceder vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.
Romanos 5:18-21 (é bom ler todo o capítulo)

Veja, que tendo todo o “lote”, toda a árvore genealógica a partir de Adão ter sido descartada; contaminação generalizada haha. Deus então, semeou Seu amado Filho Unigênito neste mundo, para através Dele gerar uma nova “prole”, fruto de uma semente incorruptível, possuindo ela mesma a exata Vida de Deus e produzindo então está nova e gloriosa “árvore” santa e abençoada que produz frutos de justiça para Deus.

Não que Deus tenha tomado a massa corrupta de Adão (abrangendo todos os seus filhos) e a reformado ou esterilizado; mas Ele criou algo totalmente novo, de uma matéria totalmente única e distinta da antiga. Toda a velha massa, o corpo de toda a descendência de Adão, ainda esta devidamente destinada à morte, fulminação única e eterna. Como está escrito: “Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês…” Cl 3:5a.

Assim, Deus, através de Seu Filho amado criou em si mesmo um novo “homem” (o corpo dos descendentes de Jesus), constituído de uma nova e pura natureza; a qual pode resistir (não ser consumida/destruída) no dia do juízo de Deus!

Graças a Deus por tão grande graça!!

E quanto à maldição da Terra? Certamente que a salvação de Deus para a nossas vidas é sem duvida nosso maior tesouro; mas e quanto às demais coisas?

Tenho realmente pensado que ao Jesus ter-se feito maldição por ser pendurado no madeiro; assumiu não somente a maldição que pesava sobre nós, humanidade, mas ainda mesmo à que pesava sobre todo o universo!

Assim sendo, Sua autoridade e poder são não somente sobre nós para curar um paralitico por exemplo, mas ainda mesmo sobre a Terra; em sobrepor a maldição de se obter pão pelo suor do rosto; já que o próprio Jesus mesmo estava, naturalmente falando, sobre a linhagem e hereditariedade de Adão, e desse modo sujeito ao juízo de Deus por essa linhagem; quando por meio de uma só palavra de agradecimento e benção sobre os “cinco pães e dois peixinhos” fez uma multiplicação singular jamais antes vista na história humana sem “sofrer” um único suor para tal abundância.

A realidade é que toda a autoridade tem sido dada a Ele, sobre tudo, e em todos os lugares. Seu poder tem transpassado tudo, superado toda e qualquer maldição, pois Ele é o Filho do Homem.

Assim como aqueles que são Dele, tem recebido poder para superarem a maldição da morte, e viverão com Ele para sempre a partir da nova vida que tem recebido de Deus mesmo. Do mesmo modo a vida de sofrimento pela maldição à Terra também está sob Sua autoridade e poder, de modo tal que: se Sua vida é dominante em nosso interior, Sua autoridade irá se expressar também em relação ao fazer “pão”; e ao termos a mesma atitude de gratidão, e tão somente abençoarmos o que temos recebido de Suas mãos, te digo que também isso, o sofrimento e suor do rosto, não cairá sobre nós!

Mas calma! Não estou querendo dizer que não há necessidade de se trabalhar; na verdade acredito que devemos trabalhar sem cessar haha (favor ler o post sobre O Trabalho). O que quero dizer é que o Ungido de Deus tomou sobre si A Maldição, e proporcionou uma redenção para toda a criação! Tal redenção já pode ser de fato vista em nossos dias, a qual tendo começado através do próprio Filho o qual disse “dá-lhes de comer” ou “Menina, levante-se”, tem-se estabelecido cada dia mais nesse mundo, a qual um dia brilhará como o sol em Seu precioso reino!!

Esses dois extratos: maldição da Terra e maldição da morte, são base para diversos se não todos os males deste mundo; e é preciso compreender que nosso Senhor tem providenciado uma redenção/salvação para todos eles, Sua autoridade é sobre todos eles, e não há nada que não Lhe esteja sujeito e ao qual Ele não possua poder para superar em justiça.

A paz de Jesus! 🙂