A Cabeça da Mulher

Bem, em continuação à postagem “A Cabeça de Cada Homem”, chegou o momento de considerarmos a outra parte do texto, com relação a posição e função da mulher nesta ordenação da autoridade de Deus.

Leiamos ao texto novamente:

“Mas, eu quero que vocês saibam, que a cabeça de cada homem é o Ungido, a cabeça da mulher é o homem, e a cabeça do Ungido é Deus. Todo homem, quando ora ou profetiza, tendo sua cabeça abaixo, {ou, sob} desonra sua cabeça verdadeira: o Ungido.

E cada mulher orando ou profetizando com a cabeça descoberta desonra sua cabeça: o homem. Pois seria o mesmo que se ela estivesse com os cabelos rapados. Pois, se uma mulher não está coberta, deixe-a também rapar os cabelos. Mas, se é vergonhoso para uma mulher ter os cabelos cortados ou rapados, deixe-a ser coberta.

Porque um homem é obrigado a não ter sua cabeça coberta [sinalizando submissão à autoridade humana] pois ele possui a imagem e glória de Deus. Mas a mulher é a glória do homem. Você vê, o homem não foi extraído da mulher, mas a mulher foi extraída do homem.

Portanto, o homem não foi feito para a mulher, mas a mulher foi feita para o homem. Por esta razão, a mulher deve ter um sinal de sua submissão à autoridade em sua cabeça por causa dos anjos. No entanto; no Senhor, nem a mulher é completa sem o homem nem o homem completo sem a mulher. Pois, assim como a mulher foi extraída do homem, também o homem provém da mulher. Mas todas as coisas são de Deus.

Façam este julgamento por si mesmos. É apropriado a uma mulher orar a Deus descoberta? Não os ensina igualmente a natureza que se um homem tem cabelos longos, é uma desonra para ele? Mas se uma mulher tem cabelos compridos, é uma glória para ela. Porque o cabelo dela, lhe é dado como uma cobertura.

Mas se qualquer um tem uma forte discórdia sobre isso, nós não temos tal costume, nem o tem as assembleias dos que Deus chamou para fora.”

1 Coríntios 11:3-16 (tradução livre da versão em inglês “The Father’s Life”)

Vamos lá, primeiro Paulo afirma o seguinte: “a cabeça da mulher é o homem”. Como vivemos em uma sociedade completamente perdida e depravada, ela esta cheia de trevas e escuridão, e já os homens e mulheres não conhecem o Seu Deus ou O adoram. Isso significa que não podem ver e/ou compreender mesmo que seja as verdades mais simples de Deus, e são muitas vezes enganados pela ardilosa e dobre língua da antiga serpente. Quem disse que a cabeça tem mais valor do que o corpo? Por acaso, o coração, que podemos considerar como um dos nossos órgãos mais importante, está no corpo ou está na cabeça? Paulo não diz precisamente no capítulo seguinte a este que a própria cabeça do corpo não pode dizer aos pés que não precisa deles? Quanto mais o corpo inteiro não seria igualmente importante como a cabeça o é! Portanto, voltemos à revelação de Deus e não nos deixemos contaminar com a peçonha da víbora.

Assim como Paulo exemplifica nesse texto, vamos também voltar no principio e compreender o que Deus tinha em mente ao criar o homem e a mulher, qual é o significado e propósito deles.

Com a revelação que Deus tem dado no evangelho (boas novas) sabemos que Deus, assim como havia dito que Deus criou o homem com uma cabeça e um corpo como figura Dele mesmo, também criou o homem e a mulher como figuras do Ungido e da sua “mulher”, que é também o seu próprio corpo; o corpo de todos os que possuem a mesma unção da Cabeça, do Rei. O que está escrito é que essa é “ossos dos meus ossos, e carne da minha carne”; e também “será chamada mulher, porque do homem foi tirada” (Gênesis 2:23). Bem, se isso foi verdadeiro com relação ao homem e mulher terrenos, a verdade, é de que também é verdadeiro com relação ao “homem” e “mulher” celestiais. Além do mais, da “mulher” celestial se diz que é “o complemento (ou plenitude) daquele que enche tudo em todos” (Efésios 1:22,23). Ora, se é o Seu complemento, isso significa que sem ela, Ele torna-se então incompleto, (se pensar na palavra plenitude se deduz o mesmo, pois sem ela Ele não seria pleno, ou seja, incompleto) assim como se fosse uma cabeça sem corpo. Calma hehe, respire… talvez seja muito para você caso nunca houvesse pensado ou meditado diante de Deus sobre nada de tudo isso que estou falando. Primeiramente entenda que assim como Eva foi edificada, ou formada, a partir do próprio Adão, e por isso por assim dizer ela mesma é “Adão”, assim como se eu arrancar um ramo de uma laranjeira e plantá-lo, esse ramo mesmo que retirei da primeira laranjeira torna-se ele próprio outra laranjeira. Não há diferença de natureza, essência ou estrutura de uma laranjeira para a outra, mas as duas possuem uma mesma identidade (não que cada uma não seja singular, mas dentro do escopo da identidade como árvores que dão laranjas) ainda que sejam separadamente e distintamente duas. Porém, o homem e a mulher não foram criados para expressar dois separados, mas dois que são um, ainda que distintos. Da mesma maneira, a “mulher” do Ungido foi tirada Dele, e tem sido formada e se tornado tal qual Ele mesmo, de mesma natureza, essência e estrutura que o “Adão” Celestial.

Certamente, de tudo que tenho dito no parágrafo anterior, o que pode causar maior espanto e estranheza aos ‘ouvidos’ (internos) do leitor seja que Jesus seria incompleto sem a Sua amada noiva e futura esposa. Isso acontece devido a não conhecermos bem o coração, a natureza e também o propósito de Deus para o homem e Suas criaturas. Tudo isso que tenho dito não consiste em algo que esteja inventando ou erradamente interpretando, mas apenas uma dedução clara e simples da revelação de Deus, tanto nas Escrituras como em meu próprio espírito.

Assim como Jesus, ao partir os pães e distribuí-los para multidão os multiplicou, assim também, ao partir o Seu próprio corpo, o pão celestial, o qual contém Sua própria vida e estrutura, também multiplicou a Si mesmo. Assim como um ser humano, no inicio, é uma única célula (zigoto) e com o tempo vai se multiplicando, assim também Jesus é o zigoto desse corpo celestial. Desse modo, se ao princípio Jesus isoladamente era a Casa e a morada de Deus, já agora não é assim, mas Ele foi multiplicado no seio de muitos corações e já muitos daqueles que Ele tem escolhido são então, juntamente com Ele, Casa de Deus. Percebe? Ele já não é mais Casa de Deus sozinho por um lado, pois todos nós que temos o Espírito também o somos, porém, por outro lado, Ele permanece sendo, já que é Ele próprio quem habita em nós e forma o Seu próprio corpo; de modo que: “já não são apenas dois mas um só”.

A suma do que estou querendo dizer é que, quando uma mulher se submete à cabeça de um homem, ela não é inferior ao homem, assim como o Ungido se submete à cabeça de Deus e não Lhe é inferior mas iguais. Da mesma maneira a igreja (aqueles que Deus chamou para fora) se submete à sua cabeça, o Ungido, não como Lhe sendo inferior, mas sim de mesma natureza e sendo ela própria um com Ele, e parte Dele, e a multiplicação Dele.

Assim como há diferença na manifestação, modo de operação e etc entre o próprio Pai e o Filho, o Pai e o Espírito e o Espírito e o Filho, porém nenhum Deles é inferior ao outro, mas possuem a mesma essência, qualidade e valor, até mesmo porque são UM e Um está no Outro assim como o Outro está no Um, assim também com relação ao Ungido. Ungido digo, não somente a Cabeça que possui sobre Si e em Si a unção, mas também o corpo, o qual juntamente com a Cabeça forma um único corpo e possui sobre e em cada membro a mesma unção, precisamente o Espírito comum ao Pai e ao Filho. Para que todos sejam UM, assim como Eles são UM. (João 17)

O que quero dizer é que, assim como acontece em Deus, e Ele mesmo possui uma multiforme variedade de se expressar e comunicar a Si mesmo, assim também o homem e a mulher foram criados de modo a expressar e comunicar essas essências e glórias de Deus de modo diferente e particular.

Desse modo, o chamado e a vocação do homem e da mulher na revelação de Deus é distinto porém complementar. De maneira que, nem o homem pode expressar a “face” de Deus que a mulher foi chamada para expressar, nem a mulher pode expressar a “face” de Deus que o homem foi chamado para expressar. Contudo, quando a glória do Criador é revelada tanto no homem como na mulher; aí sim o quadro se faz completo e belo.

O homem foi chamado para ser o cabeça da mulher, e a mulher para ser a ajudadora do homem, como quando foram criados.

Nesse texto de primeira Coríntios Paulo ensina, como tenho buscado demonstrar até então com tudo o que disse anteriormente, que estar abaixo do homem e tê-lo como sua cabeça, é uma honra e não uma desonra para a mulher. Somente assim ela cumpre seu chamado tal como Deus a criou, de representar e expressar a “mulher” do próprio Deus, ou, mais corretamente dizendo a “mulher” do Ungido, já que ela, a “mulher” do Ungido, foi enxertada, e ao mesmo tempo extraída de Deus, e é ela mesma UM com Deus. Se a mulher assim o fizer, ela honra a Deus, honrando a cabeça homem que, junto com a mulher, Deus criou para participarem e expressarem a Sua glória.

Quando Paulo, e mais especialmente o Espírito Santo, diz que uma mulher que não queira cobrir a sua cabeça é como se tivesse seus cabelos rapados, ele não está se referindo a cobertura de um pano, lenço ou véu, mas sim a estar debaixo da orientação de um homem, que pode ser seu pai, ou seu marido, ou os próprios irmãos. Desse modo, caso uma mulher não deseje estar debaixo do homem e ter o homem como sua cabeça, Paulo conclui então que ela esta desse modo sem uma cobertura espiritual, e por isso, de uma maneira associativa, seria como uma mulher que não possui a cobertura dos seus cabelos. Assim como de modo geral, uma mulher é considerada, tanto pelos homens como pelas mulheres, (por isso tende a ser vergonhoso para ela rapar seus cabelos) mais bonita tendo cabelos longos do que rapados, do mesmo modo, para os olhos espirituais, uma mulher que se submete a orientação e direção de um homem e o honra como sua cabeça é mais bela espiritualmente. Pois se cumprimos aquilo para o que Deus nos chamou a Sua glória permanece em nós, se porém não o cumprimos, então não há glória (sendo a beleza de Deus uma das ‘coisas’ a que chamamos “Sua glória”). Pois se Deus se submete a Deus, seriamos por acaso melhores do que Ele para não nos submetermos uns aos outros? E se essa submissão (ajudar na missão, na corregência do reino a que o homem foi chamado), expressa com maior beleza e glória Seu Ser e Seu Caráter, não deveriam as mulheres colocar a si mesmas debaixo do Seu jugo e experimentarem o leve fardo que Ele prometeu aos que com Ele aprendem a ser mansos e humildes; e assim então desfrutarem do Seu descanso? Portanto, que a mulher não faça o trabalho do homem, nem o homem coloque a si mesmo na posição das mulheres, mas que cada qual honre a Deus, conforme o chamamento da sua própria natureza, a fim de que Deus e a Sua palavra sejam glorificados.

Será que os anjos são tão ignorantes, e possuem um discernimento tão raso que precisem ver um objeto, um véu, sobre a cabeça de uma mulher para atestarem ou perceberem sua submissão ou não? Não seria muito mais obvio e sensato — como de fato no original grego não diz que a mulher precise de um sinal ou muito menos de um véu sobre a sua cabeça por causa dos anjos mas sim de uma autoridade ou poder em sua cabeça — que os anjos tivessem a percepção da submissão de uma mulher, por seu proceder e pelas suas atitudes? E você já parou para pensar em que, tal submissão por parte da mulher se relacionaria com os anjos? Vamos pensar um pouco sobre isso:

Primeiro é preciso colocar que a palavra anjo na bíblia é usada tanto em relação aos espíritos da luz e do bem que servem a Deus como os espíritos das trevas e do mal que servem a Satanás, o adversário. Portanto nesse caso Paulo pode estar se referindo a um dos dois grupos ou a ambos. Quando penso nos anjos de Deus nenhum motivo muito especial me vem a mente senão um que decorra de outro. Porém quando penso nos anjos das trevas e em seu príncipe, me parece haver um motivo um tanto específico do porque estejam atentos a essa questão.

Assim como tudo o que tem sido dito, tanto na carta de Paulo quanto nesse texto que estou escrevendo, a maneira como Deus criou o homem e a mulher, suas funções e atribuições tais quais Deus as planejou em Seu eterno propósito, são de extrema importância no entendimento de toda essa ordenação e vocação de suas criaturas. Como é bem sabido, o anjo rebelde não se sujeitou à sua Cabeça, antes levantou a sua própria e dessa forma veio a cair da graça de Deus e a se perder. Além do mais, se estudar bem o que a Escritura diz sobre esta criatura rebelde, o pai da mentira, descobriremos que não somente ele não reteve a Cabeça real; mas como também induziu a muitas outras das criaturas celestiais de Deus a se rebelarem, não retendo a Cabeça santa e a abaixarem ou colocarem suas cabeças sob uma outra cabeça indigna, o próprio Diabo.

O que quero dizer é que, aquele que rodeia a terra buscando a quem possa tragar, caso perceba em uma mulher insubmissão à sua cabeça; percebe também ali, como o foi no principio, uma oportunidade e uma inclinação para ouvir a sua enganadora e cheia de encantos do mal, voz. Pois Satanás nada pode fazer caso não tenha “algo em nós”. Se todavia já em nosso interior tais desejos malignos brotam, são como um imã para o devorador de almas.

Finalmente, o costume ao qual Paulo afirmou que nem ele nem as assembleias dos chamados para fora tinha; era o costume de uma mulher orar ou profetizar sem ter a sua cabeça coberta por um homem, ou seja, sem estar sob a orientação, direção e conselho de um homem, seja o pai para as irmãs mais novas, o marido para as casadas, ou os irmãos de modo geral para as demais irmãs.

A vontade de Deus é que cada homem e cada mulher submeta a si mesmo a Deus, compreendendo diante Dele seu trabalho e função na cooperação com Deus para estabelecer Seu reino aqui na terra, como é o desejo do Seu coração. Envergonhando Satanás e todas as hostes celestiais da maldade, nos sujeitando uns aos outros alegremente na forma do Ungido, e experimentando de toda a alegria e vida que provêm do precioso e santo Cabeça celestial.

Em Cristo,
Seu servo

Segue o link para poder ler e baixar o livro sobre autoridade do qual havia dito que recomendaria:

David Dyer – Autoridade Espiritual Genuína

A Cabeça de Cada Homem

Olá irmãos,

Gostaria de fazer uma reflexão junto com vocês de um texto das Escrituras que acredito ser normalmente mal compreendido por certas questões: principalmente do entendimento espiritual errôneo (ao meu ver) a respeito de autoridade e em certas deficiências e/ou inclinações das traduções mais tradicionais do texto em questão.

Vamos ler a passagem juntos:

“Mas, eu quero que vocês saibam, que a cabeça de cada homem é o Ungido, a cabeça da mulher é o homem, e a cabeça do Ungido é Deus. Todo homem, quando ora ou profetiza, tendo sua cabeça abaixo, {ou, sob} desonra sua cabeça verdadeira: o Ungido.

E cada mulher orando ou profetizando com a cabeça descoberta desonra sua cabeça: o homem. Pois seria o mesmo que se ela estivesse com os cabelos rapados. Pois, se uma mulher não está coberta, deixe-a também rapar os cabelos. Mas, se é vergonhoso para uma mulher ter os cabelos cortados ou rapados, deixe-a ser coberta.

Porque um homem é obrigado a não ter sua cabeça coberta [sinalizando submissão à autoridade humana] pois ele possui a imagem e glória de Deus. Mas a mulher é a glória do homem. Você vê, o homem não foi extraído da mulher, mas a mulher foi extraída do homem.

Portanto, o homem não foi feito para a mulher, mas a mulher foi feita para o homem. Por esta razão, a mulher deve ter um sinal de sua submissão à autoridade em sua cabeça por causa dos anjos. No entanto; no Senhor, nem a mulher é completa sem o homem nem o homem completo sem a mulher. Pois, assim como a mulher foi extraída do homem, também o homem provém da mulher. Mas todas as coisas são de Deus.

Façam este julgamento por si mesmos. É apropriado a uma mulher orar a Deus descoberta? Não os ensina igualmente a natureza que se um homem tem cabelos longos, é uma desonra para ele? Mas se uma mulher tem cabelos compridos, é uma glória para ela. Porque o cabelo dela, lhe é dado como uma cobertura.

Mas se qualquer um tem uma forte discórdia sobre isso, nós não temos tal costume, nem o tem as assembleias dos que Deus chamou para fora.”

1 Coríntios 11:3-16 (tradução livre da versão em inglês “The Father’s Life”)

Antes de iniciar a reflexão sobre o texto acima preciso primeiramente explicar algo a respeito dessa versão que estou usando. Infelizmente ela não está oficialmente disponível em português ainda; senão eu simplesmente indicaria a leitura do prefácio da mesma, o que os habilitados à leitura em inglês o podem fazer e pular esse parágrafo ;). Ao lerem o texto acima, irão perceber algumas palavras em itálico. Tais palavras não existem no texto original mas foram acrescentadas pelo tradutor a fim de que tornasse mais claro o significado do que o autor disse. Muitos podem pensar, como de fato muitos pensam, que isso seja algum tipo de corrupção ao texto sagrado original mas isso não é verdade. Na realidade qualquer pessoa que já tenha feito um trabalho de tradução sabe bem que por vezes para se traduzir com maior, e não menor, fidelidade um texto você deve fazer certas alterações de palavras a fim de que a fidelidade ao sentido, o que de fato é o que se deseja transmitir, seja mais acurado do que um certo “stricto sensu” (sentido restrito) de cada palavra isoladamente. O que certamente não significa que não deva ser feito com muito zelo e responsabilidade. Portanto, tais palavras em itálico, estão antes para clareza do que para indução particular do tradutor. Por outro lado isso não significa que qualquer que seja o tradutor, seja esse ou outro qualquer, não possua uma visão própria tal qual julgue ter recebido de Deus, e ao selecionar uma dentre as muitas possíveis traduções de um texto ou palavra não seja de algum modo influenciado por sua própria visão. Ainda assim, mesmo lendo-se o texto sem tais palavras; acredito que por inferência e compreensão do contexto chega-se à mesma conclusão como procurarei demonstrar. O texto entre colchetes diferente das demais palavras em itálico não é necessariamente um sentido implícito ao texto mas sim uma explicação particular do tradutor para o benefício do leitor, e a palavra “sob” que se encontra entre chaves consiste em uma alternativa legitima, ou seja, no escopo das possibilidades literais da palavra grega que foi traduzida por “abaixo”, ela é uma alternativa, uma possível tradução.

Durante os primeiros anos da minha vida cristã considerava e ouvia e entendia esse texto como sendo um texto que falasse sim, sobre uma ordenação de Deus a respeito de autoridade, mas também sobre a questão se era justo e/ou necessário o uso do véu por parte das mulheres. Realmente mesmo que não compreendesse bem o motivo pelo qual o simples véu tivesse algum tipo de real relevância, ainda assim, como quase que de maneira unânime ao meu “redor” era-se ensinado dessa forma, não havendo muita razão para que julgasse (até para não ser contencioso) que não fosse assim.

Contudo, após ler um livro (vou indicá-lo ao final) a respeito de autoridade e que abordava algo sobre esse texto, (não unicamente o livro mas a real maturidade de caminhar com Deus no Espírito, sendo o livro uma confirmação para as inclinações de inspiração celestial) comecei a perceber que a verdade contida no texto nada tem a ver com véu; mas sim somente com a autoridade de Deus.

Em primeiro lugar, como já havia dito, há problema com uma grande parte das traduções desse texto, como também em muitos outros lugares da bíblia é verdade. Essa palavra “véu” estritamente falando não está no texto grego e, foi assim traduzida ao bel-prazer de tradutores do passado, em alguns lugares a acrescentando e em outros traduzindo-a de uma palavra do grego que teria o sentido de uma cobertura sobre a cabeça, mas que não seria necessariamente um pano ou tecido mas podendo ser também uma cobertura espiritual por exemplo. Por isso disse que a tradução por “véu” veio de uma ideia relacionada a uma escolha talvez baseada ao costume dos tradutores do passado e não necessariamente à mente de Deus. Sim, é verdade que os tradutores possam ter escolhido a palavra “véu” com base em um costume muito antigo, talvez da tradição judaica por exemplo, (lembrando que há diferença entre uma tradição santa e divina e uma meramente humana que, normalmente, confronta e desonra o mandamento de Deus como Jesus demonstra em Mateus 15) mas que, como veremos, de modo nenhum representa e transmiti com fidelidade o coração e a mente de Deus.

Compreendendo isto, e tendo diante de nós uma tradução que seja mais próxima da verdade, como creio, vamos buscar entender qual é o verdadeiro ensino que Deus quer nos falar aqui.

A igreja (assembleia dos chamados para fora) de Corinto, aos que têm conhecido o contexto em que Paulo escreveu essa carta, era na ocasião uma igreja nova, ainda imatura e pouco desenvolvida espiritualmente; motivo pelo qual Paulo afirmou no início da carta que eram carnais. Assim sendo havia diversas confusões e o entendimento espiritual deles era limitado e muitas vezes distorcido também.

Dessa forma Paulo, segundo a sabedoria que Deus lhe deu, estava buscando corrigir aqueles irmãos em diversos assuntos, e ajudá-los com diversas dúvidas que tinham. Uma delas era sobre essa questão da autoridade entre eles, homens e mulheres.

É preciso enfatizar que o ensino aqui consiste nas relações de autoridade na igreja, entre os santos, (que são os que oram e profetizam) e não com respeito às autoridades seculares.

Sobre esse assunto Paulo começa estabelecendo coisas de extrema importância. Veja a primeira: “o Ungido é a cabeça de cada homem”. Ou seja, cada homem individualmente possui uma única cabeça que é o Ungido. Essa palavra “cabeça”, se você é crente e conhece algo sobre a realidade de Deus no Ungido (em Cristo) sabe que o corpo humano é uma figura do corpo de Deus (Cristo). Sim, disse que o corpo humano é uma figura do corpo de Deus e não o contrário. Quando Deus criou o homem, ele o fez conforme a Sua imagem e semelhança, o que significa que ao criar o homem com uma cabeça e um corpo, Ele o fez baseado em Si mesmo, O qual possui, como possuía, Deus é Eterno, uma cabeça e um corpo. Não há tempo para falar disso especificamente mas se Deus é eterno e também imutável, significa que Ele sempre foi assim mesmo como o é “agora”.

Dessa maneira, maravilhosamente, ao observarmos o nosso próprio funcionamento, ainda que tal funcionamento esteja manchado pelo pecado, podemos apreender coisas a respeito do próprio Deus, ainda que o seja de forma limitada como na realidade sempre o será. Mas a questão é que: cada um de nós têm um corpo que está sujeito à nossa própria cabeça, mente ou cérebro você poderia dizer também, pois são similares. Cada membro do nosso corpo, seja um dedo, a mão, olhos, etc, estão sujeitos e seguem a ordem e comando da nossa mente, cabeça. Se, por exemplo, faço uma pintura; ainda que o instrumento que use para tal seja minha mão segurando um pincel, o projeto e toda a regência do processo é “controlado” e administrado pela minha mente, minha cabeça. Também se poderia dizer que eu sou o autor da obra e não minhas mãos; da onde deriva a palavra autoridade, aquele ou o que, que possui a autoria.

O que podemos entender é que o próprio Ungido é diretamente a cabeça de cada homem na igreja, tendo completa e total, ou deveria, autoridade sobre cada um particularmente.

Mais a frente Paulo diz que: “Todo homem, quando ora ou profetiza, tendo sua cabeça abaixo, {ou, sob} desonra sua cabeça verdadeira: o Ungido.” Nessa parte, acredito que muitos de nós sempre lemos pensando na primeira e segunda menção do termo “sua cabeça” como a nossa própria cabeça física, (nas traduções tradicionais especialmente) já que estamos com a ideia do véu ou lenço fixa em nossa mente. Porém, como estamos vendo, antes de Paulo entrar nessas questões sobre “tipos de coberturas” que trazem desonra a “verdadeira cobertura”; ele estabeleceu como uma rocha, bem como Deus em Deus (Deus o cabeça do Ungido), que a cabeça de cada homem é o próprio Ungido, ou seja, que a minha ou a sua cabeça é o Ungido, Cristo. Portanto, o tal termo “sua cabeça” do texto pode sim se referir tanto à cabeça física do homem como à sua Cabeça espiritual, o Ungido; e é necessário buscar luz da parte de Deus e compreender qual termo se refere a qual cabeça.

Dessa forma temos que pensar e buscar de Deus o que seria orar ou profetizar com a cabeça abaixo ou sob. Pois, se de fato o Ungido é a minha cabeça, não é certo que eu mesmo, e minha própria cabeça, minha própria mente, estão abaixo e sob essa Cabeça celestial? Porém, caso abaixe minha própria cabeça e a coloque sob uma outra cabeça que não esta que está no céu, não estaria eu então desonrando a Cabeça celestial e não Lhe concedendo a posição, poder e autoridade que Lhe são devidos? Pense por um instante: não seria realmente o ato de orar ou profetizar atividades essencialmente espirituais, devendo ser exercidas sob a direção e orientação do Espírito Santo, o qual transmiti a autoridade e regência da Cabeça celestial, o Ungido? Portanto, ao orar, profetizar, o que acredito sejam apenas exemplos de possíveis serviços espirituais, devemos assim estar debaixo da autoridade da Cabeça, o Ungido, e não de qualquer outro ser, inclusive o homem, ainda que seja um homem de Deus.

Concluindo essa primeira parte vamos considerar o lugar em que Paulo diz que “…um homem é obrigado a não ter sua cabeça coberta pois ele possui a imagem e glória de Deus.” Percebam só, é uma obrigação de cada homem não permitir que sua cabeça seja coberta (o que seria o mesmo que colocar-se abaixo ou sob outra cabeça) por nenhuma outra cabeça senão única e exclusivamente à Cabeça celestial, o Ungido. Paulo afirma que todo homem possui a imagem e a glória de Deus, se referindo à sua criação, e que esse é o motivo pelo qual não deve ter sua cabeça coberta; ou seja, nenhum homem tem a imagem e a glória de Deus por si mesmo ou de outra criatura mas elas derivam de Deus e lhe são transmitidas por meio Dele e segundo Sua unção; todos os homens estão iguais perante Deus e não há nada originalmente que os diferencie um do outro nessa relação com Deus, antes todos estamos aptos a nos submetermos e nos colocarmos em uma relação de direta submissão à verdadeira Cabeça, Jesus. Isso é verdadeiro com relação a imagem e glória da criação original, mas certamente também o é com relação a nova criação no Ungido. Por isso, Jesus ensinou que na igreja, que de fato é o corpo dessa Cabeça celestial, um membro não pode exercer autoridade sobre o outro (Mateus 20:25-28), como o fazem os gentios, já que há um só Deus e Senhor a quem é dada toda autoridade no céu e na terra, o Ungido. Caso alguém coloque a si mesmo em uma posição de cobertura espiritual sobre um irmão ou sobre um grupo de irmãos, o tal esta, consciente ou não, assumindo uma posição de “concorrência” e usurpando uma posição da qual unicamente um é apto e digno para tal, o Ungido.

Ainda que essa ideia de uma tal cobertura espiritual de alguns irmãos sobre os demais seja muito comum nas assembleias dos santos (igrejas) percebemos que na realidade ela é espúria e não harmônica ao coração e à mente de Deus.

Os prejuízos que tal ‘substituição’, ainda que em parte (devido a completa falta de capacidade de uma cabeça que seja humana), da Cabeça celestial por uma cabeça terrena são muitos. O povo de Deus não foi chamado para ter um “rei” como o tem os demais povos, mas Deus mesmo é Aquele que tem a dignidade real sobre os santos.

É verdadeiro também que ainda que a vontade de Deus não fosse que o povo de Israel tivesse um rei como as outras nações gentílicas, e que ao decidirem isto eles rejeitaram ao Deus de Israel (assim como os que submetem sua cabeça aos homens rejeitam/desonram o Cabeça – Deus do novo Israel), ainda assim Deus abençoou a Davi como rei por exemplo, e nele, em Davi, podemos ver certos aspectos do verdadeiro Rei; motivo pelo qual Deus o escolheu também. Todavia, Deus o abençoou um tanto quanto a despeito da escolha da nação de se ter um rei humano; mas na realidade apesar dessa escolha, apesar dessa desonra ao único e verdadeiro Rei, Ele misericordiosamente ungiu e abençoou a Davi, muito até por causa do próprio Davi é verdade, que como rei foi uma benção ao povo. Ainda assim, a nação não deixou de ter aqueles prejuízos dos quais Deus havia falado a Samuel para advertir ao povo com respeito a se ter um rei (1 Samuel 8:9-18), nem mesmo com Davi, o qual poderíamos considerar como uma “boa autoridade humana” que foi ungida por Deus o qual em Sua misericórdia atendeu o povo nessa questão ainda que tendo sido desprezado por eles.

Os prejuízos e perdas do povo por constituírem para si um rei humano no tempo de Samuel, perdas as quais Deus determinou a Samuel adverti-los, se assemelha em muito aos prejuízos e perdas do povo da nova aliança por abaixarem suas cabeças e aceitarem sobre si outra cobertura que não o próprio Senhor Jesus. Só que, se o povo terreno de Deus teve perdas terrenas, o povo celestial, que nasceu do alto, têm então sofrido perdas espirituais, celestiais; cujas terrenas são figuras (será interessante se meditar sobre isso diante de Deus no texto de 1 Samuel que citei acima).

Portanto, que cada irmão sirva o seu próximo com os dons que tem recebido de Deus sem exercer qualquer autoridade sobre seu irmão; e que cada um não se submeta a qualquer outro homem, ou outra coisa qualquer, senão unicamente à Cabeça celestial, segundo sua mais absoluta dignidade e capacidade, o Ungido, Cristo (Juízes 9:7-15). Desse modo, a glória e o ser de Deus serão mais plenamente manifestados. Isso não significa que o próprio Ungido não possa expressar sua vontade e autoridade através de um irmão ou irmã, e que quando Ele expressa a Si mesmo por meio de um membro do corpo tenhamos que nos submeter Àquele que fala, porém, isso não torna tal irmão ou irmã em uma autoridade (a autoridade é Jesus) ou cabeça sobre o outro.

Sei que uma boa parte daqueles que estão lendo esse artigo, estão questionando muitas coisas das que estou dizendo, devido ao que têm normalmente aprendido e por outras passagens das Escrituras que aos seus olhos parecem não serem harmônicas a tudo quanto venho dito até aqui. Sim, o fato é que também tive de passar por isso, e pela vida e a luz do Espírito buscar a verdade em cada texto particularmente. Gostaria muito de talvez tentar ajudá-los com muitas dessas passagens mais críticas mas teria de gastar muita “tinta”, e o objetivo desse artigo é abordar especificamente esse texto em questão. Por isso mesmo disse que estarei indicando um livro que faz uma abordagem mais ampla sobre o tema da autoridade aos olhos de Deus, cujo qual recomendarei a leitura e colocarei o link ao final do assunto.

Apenas para se concluir, é preciso perceber, como utilizei o livro de Samuel e de Juízes para vermos os germes da revelação de Deus ao homem, que o estabelecimento de juízes entre o povo procedeu de Deus e não dos homens, diferente do rei. Do mesmo modo acredito que agora, possamos julgar entre os irmãos como fica bem evidente nessa carta de Paulo aos santos de Corinto; porém não um julgamento como se fossemos o Juiz, mas somente como representantes e transmitindo as palavras do único e verdadeiro Juiz. Mas sobre isto ainda teria muito o que se dizer não sendo possível no momento.

Para falar da parte das mulheres a que o texto fala, criei um novo post: “A Cabeça da Mulher”.

Minha esperança é que o Senhor ilumine os olhos do seu coração.

Paz.