O Trabalho – Parte 2

Bem, um assunto tão amplo e significativo como esse me rendeu mais palavras do que previa rsrs… Além de ser realmente delicado por estar diretamente relacionado com uma parte do nosso ser que exerce uma poderosa demanda e suplica em nós: nossas preocupações com as nossas necessidades.

Na primeira postagem sobre o trabalho, procurei abordar o que considero como o mais essencial sobre o mesmo: a natureza do trabalho, propósitos e recompensa. Pensar em que Deus esta trabalhando, e então, nos estimular a segui-Lo e nos unir a Ele em Seu empreendimento. Mas há algo relacionado ao trabalho, que é de grande importância, que não cheguei a abordar e explicar e o estarei fazendo agora. Preferi criar outro post para que o primeiro não ficasse demasiadamente grande.

No post anterior enunciei a ideia de que alguns poderiam considerar como utópico e não prático, a ideia e caminho de se trabalhar única e exclusivamente para obter bens espirituais, e não os materiais. E, como disse, há outros que bem sei possuem embasamento bíblico para afirmarem que o trabalho para obter bens materiais é bíblico e honrado. Sei que sinceramente e honestamente o afirmam de boa consciência. Sim, estou certo de que é extremamente importante pensarmos sobre isso e irmos até o Senhor para conhecermos Seu coração nisso!

Primeiramente, é preciso deixar claro que sim! Não existe nenhuma proibição bíblica em um trabalho remunerado, para se ganhar dinheiro. Antes, vemos realmente Paulo exortando alguns irmãos de Tessalônica a procederem assim:

“Agora àqueles que são assim, ordenamos e exortamos no Senhor Jesus o Ungido, que trabalhem sem perturbar os outros, e consigam dinheiro para pagarem pela comida que comem.” (tradução livre da versão The Father´s Life)

2Ts 3:12

Mas, percebam que ao se entender o contexto em que Paulo deu tal ordem; veremos, que tal atitude foi exigida devido primeiramente ao comportamento de certos irmãos em Tessalônica, que na realidade não queriam trabalhar, os quais até mesmo estavam criando confusão e fofocas. O trabalho para se conseguir comida, suprimentos básicos, nos trás preciosos ensinos sobre o caráter de Deus sobre o qual falamos no primeiro post. Podemos perceber que mesmo para obtermos coisas materiais, mesmo as mais básicas como alimento e vestes, precisamos exercer trabalho e haverá uma labuta e uma fadiga! Somos então ensinados por tal realidade terrena que, caso queiramos obter algum lucro no mundo que há de vir; indubitavelmente o será com muito trabalho e “fadiga”. A segunda questão relacionada ao trabalho de remuneração terrena, essa um tanto mais nobre, é para testemunho dos que estão de fora.

Para aquelas pessoas que não conhecem as riquezas eternas, os homens e mulheres que dedicam suas vidas a elas, tais riquezas invisíveis, são desprezadas aos seus olhos, já que verdadeiramente não podem atribuir valor ao ganho que estão perseguindo. Repare bem! Isso esta intrinsecamente relacionado com as motivações reais de Paulo ter trabalhado para ser recompensado com dinheiro, secularmente, como dizemos (veja sua própria explicação em 1Co 9). O que movia seu coração era o profundo desejo de alcançar pessoas para as boas novas sobre Jesus e Seu reino. Mas como enviado que foi aos gentios – o que poderíamos considerar como os que não conhecem a Jesus em nossos dias – identificou-se com os gentios, e se humilhou, à maneira terrena dos gentios trabalharem, para alcançarem coisas terrenas; já que de fato, nada mais podiam enxergar. Como Jesus disse: “porque todas estas coisas os gentios procuram”. Portanto, de fato, seu trabalho/oficio com tendas, que lhe rendia um dinheiro/lucro; na realidade era com o proposito de ganhar pessoas para Deus, construir a verdadeira Tenda, com o fim de Lhe agradar, e acumular para si e seus irmãos: riquezas eternas!!

Tendo entendido esses dois justos motivos para se trabalhar por coisas desse mundo; os quais são; não o objetivo final, mas sim tutores, meios para se alcançar o verdadeiro. Finalizaremos então, o que confirmará o que tenho dito desde o inicio, que, tendo assim perseguido recursos a partir dos dois motivos anteriores; surge então um terceiro, que é pensarmos em como iremos então: Distribuir os dividendos? Investir os rendimentos?

Vai perceber pelos textos que irei colocar abaixo, que até mesmo nisso somos chamados, e temos verdadeiramente a possibilidade, de obtermos gloriosas virtudes de Seus tesouros eternos!!

Então Jesus disse ao que o tinha convidado: “Quando você der um banquete ou jantar, não convide seus amigos, irmãos ou parentes, nem seus vizinhos ricos; se o fizer, eles poderão também, por sua vez, convidá-lo, e assim você será recompensado. Mas, quando der um banquete, convide os pobres, os aleijados, os mancos, e os cegos. Feliz será você, porque estes não têm como retribuir. A sua recompensa virá na ressurreição dos justos”.

Lucas 14:12-14

Jesus olhou para ele e o amou. “Falta-lhe uma coisa”, disse ele. “Vá, venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me”. Diante disso ele ficou abatido e afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas.

Marcos 10:21,22

Perceba como Jesus está ensinando que ao utilizarmos os recursos que temos em mãos, para abençoar com estes pessoas que não nos poderão recompensar com dinheiro; que a nossa recompensa será algo extremamente mais precioso, que nos será dada diretamente por Deus no que ele chamou de ressurreição dos justos. Veja também como na conhecida passagem sobre o jovem que possui muitas propriedades, bens, Jesus lhe disse como, se o tal jovem aplicasse corretamente seus recursos; nesse caso Jesus falou para doar TUDO; que isso lhe garantiria um tesouro no céu, certamente imensamente mais glorioso do que tudo quanto possuía neste mundo. A questão de Jesus ter dito TUDO está relacionado com a palavra “amou” da primeira frase o que ficará mais claro com os versos que iremos ver a frente. Infelizmente para o tal jovem; foi-se embora triste como muitos de nós muitas vezes…

O Rei responderá: Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram.

Mateus 25:40

Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé.

Gálatas 6:10

Quem recebe um profeta, porque ele é profeta, receberá a recompensa de profeta, e quem recebe um justo, porque ele é justo, receberá a recompensa de justo. E se alguém der mesmo que seja apenas um copo de água fria a um destes pequeninos, porque ele é meu discípulo, eu lhes asseguro que não perderá a sua recompensa.

Mateus 10:41,42

Por isso, eu lhes digo: usem a riqueza deste mundo ímpio para ganhar amigos, de forma que, quando ela acabar, estes os recebam nas moradas eternas.

Lucas 16:9

Não que eu esteja procurando ofertas, mas o que pode ser creditado na conta de vocês.

Filipenses 4:17

Os versos acima demonstram que além dos nossos investimentos serem direcionados aos pobres, há um de ainda maior lucro. Refere-se ao investimento feito aos que são da fé, ou seja, nosso irmão (ou irmã) e também do próprio Senhor; dos quais nos parece haver um “plus” quando os abençoamos. Jesus ainda associa a recompensa à pessoa a qual abençoamos; se profeta, recompensa de profeta; se justo, recompensa de justo, etc. Veja como em Lucas 16 há um vislumbre sobre certos aspectos da recompensa: “recebam nas moradas eternas”. Mas não! Não são mansões celestiais cheias de guloseimas!! Na realidade se estudar a Palavra entenderá que as moradas eternas se referem aos nossos corpos ESPIRITUAIS que receberemos na ressurreição. Assim sendo, acredito que, os amigos que fizermos com tais riquezas do mundo ímpio, irão partilhar conosco da vida de Deus (que é devidamente as riquezas eternas a que nos referimos) dentro deles nos dias da eternidade. E, à semelhança de Paulo, os verdadeiros homens de Deus não estarão buscando ofertas, mas se alegrarão pelo fato de que por elas; Deus irá recompensar os ofertantes naquele Dia, conforme Sua fidelidade.

Jesus sentou-se em frente do lugar onde eram colocadas as contribuições, e observava a multidão colocando o dinheiro nas caixas de ofertas. Muitos ricos lançavam ali grandes quantias. Então, uma viúva pobre chegou-se e colocou duas pequeninas moedas de cobre, de muito pouco valor. Chamando a si os seus discípulos, Jesus declarou: “Afirmo-lhes que esta viúva pobre colocou na caixa de ofertas mais do que todos os outros. Todos deram do que lhes sobrava; mas ela, da sua pobreza, deu tudo o que possuía para viver”.

Marcos 12:41-44

Lembrem-se: aquele que semeia pouco, também colherá pouco, e aquele que semeia com fartura, também colherá fartamente.

2 Coríntios 9:6 (recomendável a leitura dos capítulos 8 e 9)

Para completarmos o entendimento sobre tais aplicações, é preciso entender a avaliação de Deus em relação às proporções. No interessante caso da viúva percebemos como que em Seus cálculos, os valores da aplicação não estão relacionados à quantidade absoluta, mas sim proporcionalmente ao quanto que cada um possui – patrimônio. Assim Jesus categoricamente afirmou: “mais do que todos os outros”; ainda que em valores absolutos tenha sido uma ‘mixaria’. Olhando então como Deus olha, percebemos então uma segunda lei em relação à administração dos Seus recursos (mesmo os terrenos) que por um momento coloca em nossas mãos a fim de nos provar; que a colheita da recompensa daquele Dia, será então diretamente proporcional a semeadura, não dos valores absolutos, mas à proporção do montante que temos.

Quero concluir irmãos com o desejo que cada um de nós creia em Deus! Pela sua vida, suas atitudes, demonstrará se crê, ou se as palavras Dele não são verdadeiras para você; o que seria o mesmo de chamá-lo de mentiroso. Não que haja qualquer capacidade em nós para crermos amados irmãos, pois é sim “impossível aos homens”! Mas se o buscarmos de todo o nosso coração e confiarmos totalmente em Sua bondade e fidelidade; Ele mesmo nos encherá de Seu poder santo a fim de passarmos pelo “fundo da agulha” e obtermos riquezas infindáveis e eternas junto do nosso amado Senhor!!

Quero lembra-lo, de que não teremos uma segunda chance, hoje é o dia da salvação, da decisão; e Ele te diz venha! Não tenha medo! Toda a terra é minha, diz o Senhor, e tudo quanto nela há! Sou Seu Pai e você é Meu filho!

Que Deus tenha misericórdia de nós!

No Ungido.

Paz.

O Que Você Vê?

“Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração. Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são! Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”.
Mateus 6:19-24 (recomendável ler até o verso 34)

Gostaria neste post de estar analisando mais especificamente os versículos 22 e 23, em negrito. Tenho visto e ouvido muito ensino que acredito não se encaixar exatamente ao que Jesus realmente estava querendo dizer neles; e certamente isso trás consigo uma deficiência a mensagem que Ele quer que apreendemos, produz prejuízo ao nosso entendimento e, consequentemente, à nossa vida com Ele.

Durante um tempo tive dificuldade para compreender o que Jesus estava querendo dizer, até que um dia tive um entendimento que acredito ser o mais justo ao ensino e à mente do Senhor. Acredito que o problema esteja em primeiro lugar em que os próprios tradutores das Escrituras, por não terem também tido um acurado entendimento sobre o assunto, fizeram sua tradução de um modo que não ajuda muito. Mas também é verdadeiro que Jesus ensinava usando palavras de Sua própria sabedoria que por si mesmas são divinamente poéticas, podendo ser desvendadas unicamente por Ele mesmo. Tendo boa consciência de que seu significado me foi revelado por Ele mesmo, irei transmitir conforme me foi dito…

Quando Jesus diz “se seus olhos forem bons”, a primeira ideia que temos em relação à palavra ‘bom’ é no sentido de bondade, e assim associamos que Jesus estivesse falando para termos olhos bondosos e tal. Mas ainda que sim, ele queira isso, não é esse o seu sentido mais “bruto”, “cru” e primeiro. Não! De fato acredito que o literal e imediato sentido o qual estava se referindo ao dizer bom é como significando “saudável” ou “que funciona bem”.

A segunda coisa que também precisa ser equalizada, ajustada, tendo também em mente o significado de bom no contexto é; da mesma forma, o entendimento que temos da ideia associada a corpo e luz nesse texto. Quando Ele diz “os olhos são a candeia do corpo”, ou “a luz do corpo”; o que literalmente Ele quer dizer é que através dos olhos é que todo o corpo enxerga; e por isso não está em trevas ou escuridão. Este modo de falar como foi traduzido nos parece um tanto estranho e de fato não usual aos nossos dias. Mas obtive ajuda para entender tal falar, com a linguagem do antigo testamento. Como por exemplo:

“E aconteceu que, como Isaque envelheceu, e os seus olhos se escureceram, de maneira que não podia ver…”
Gênesis 27:1a

Repare bem! É dito que os olhos de Isaque “escureceram”, não no sentido de que a cor dos olhos tornou-se escura ou preta; mas que devido à sua velhice a sua visão escureceu, ou seja, estava enxergando mal, com deficiência. Aplicando essa mesma percepção e linguagem as palavras de Jesus, juntamente com o significado de bom nelas, vou parafraseá-las abaixo, de modo a ajudar em sua compreensão:

“Os olhos são os que dão visão ao corpo. Se os teus olhos funcionarem bem, todo o seu corpo será bem guiado por sua visão. Mas se os seus olhos funcionarem mal então todo o seu corpo estará desnorteado. Portanto, se a visão que possuem por dentro for cega, quão grande cegueira será!”

Entendem! Vejam só como esse entendimento se aplica tão maravilhosamente bem ao ensino que Jesus estava dando!… Ele estava dizendo aos discípulos sobre dois tipos de riqueza: a terrena e a celestial. E os estava incentivando/ordenando a que acumulassem para eles próprios as riquezas celestiais. Mas a realidade é que tais riquezas são invisíveis aos nossos olhos naturais, e caso nossa vida seja dirigida/guiada por eles iremos buscar as riquezas que vemos, ou seja, as terrenas. Se, por outro lado, tivermos olhos espirituais e realmente estivermos enxergando as riquezas eternas que Deus tem pra nós, então, nossos olhos espirituais guiarão todo o nosso corpo, para que todo ele se empenhe e esteja corretamente direcionado para adquirir e acumular tais riquezas imarcescíveis. Desse modo, o que vemos é que nos será precioso, será nosso tesouro; e nosso coração, que está relacionado com o cerne e as fontes de nossa vida, será então cativado e impulsionado por isso.

Muitos dizem estarem buscando as coisas celestiais, mas na realidade, na pratica de suas vidas, nas obras de suas mãos, o caminho dos seus pés, são para ‘as coisas que se veem’. Para esses a palavra do Senhor é “quão grandes trevas serão”!

Desse modo ele estabelece apenas dois caminhos; ou iremos servir a um Senhor invisível com riquezas invisíveis, ou seremos servos de um senhor visível que possui riquezas visíveis! Realmente somente a graça e a misericórdia de Deus nos fará trabalhar e investir em um ganho que por hora, talvez não estejamos vendo. Mas à medida que por Sua grande bondade nos concede ver algo celestial; nossa convicção se torna tal, que as demais coisas quando comparadas com os verdadeiros bens; são então reputadas como “lixo”!

Que o nosso amado e precioso Senhor ilumine os olhos do seu coração, para compreender e já hoje experimentar as excelentes riquezas dos Seus tesouros eternos! Com o fim de que cada, até mesmo pequeno movimento, ou respiração de nossos corpos, seja para Ele e para a glória do Seu bendito reino!

 

Recomendo a leitura da postagem “O Trabalho”, diretamente relacionada com essa.

 

Na paz Dele.
Amém.