Aos Pés do Mestre (livro)

Tendo no ultimo post oferecido aos irmãos a tradução do livro “Visões do Mundo Espiritual” do irmão Sundar Singh e havendo um outro livro dele do qual gosto muito, resolvi também me dispor a traduzi-lo.

Embora seja possível encontrar já uma tradução do presente livro na web, não fiquei satisfeito com ela e quis oferecer uma que julgo melhor.

Este livro, “Aos Pés do Mestre”, consiste em um livro cheio de sabedoria espiritual um tanto quanto condessada, e até por isso mesmo necessitando de uma tradução um tanto mais minuciosa creio.

Novamente faço a recomendação de que se leia a biografia desse precioso irmão Sadhu Sundar Singh, disponível em português na internet, se possível antes mesmo de se ler o presente livro. Penso ser de maior ganho perceber a obra de Deus nele e através dele de forma mais completa.

Tal livro é de domínio público. Segue abaixo o link para lê-lo e baixá-lo:

Sadhu Sundar Singh – Aos Pés do Mestre

Biografia – George Mueller

Olá irmãos,

Finalmente concluída a tradução da biografia do amado servo de Deus George Mueller.

Penso que pelo que tenho conhecido de todos os servos do Senhor desde Abel, poucos foram tão honrados por Deus em sua obra como George Mueller. De fato Ele tem dado ainda hoje testemunho de Seu servo; que tão intimamente andou com Ele e o conheceu de modo que o testemunho que o Pai dá dele, glorifica ao Pai mesmo; de Quem são todas as fontes de George Mueller, e de Quem ele recebeu todas as coisas para ser quem é e fazer o que fez, e ainda mesmo agora, pelo testemunho que deixou, tem feito.

Penso que não muitos livros trouxeram mais edificação em minha vida do que o testemunho de George Mueller; e apesar de terem se passado mais de um século e Aquele que é O Edificador continuar Seu trabalho, certamente tal ‘pedra’ é de extrema importância para A OBRA.

Uma das verdadeiras marcas deste servo de Jesus certamente foi a fidelidade de sua mordomia com relação a tudo quanto recebeu de Seu Pai, quer dos recursos que são do céu quer dos que são da terra.

Como poderão perceber ao lerem esta biografia, é notável quanto dinheiro o servo humilde de Deus lidou com; e em conformidade com o caráter de Seu Senhor realizou os melhores investimentos, cuja recompensa está além do tempo. Ainda que não seja exatamente isto o principal testemunho, é um meio de se inspirar fé; a tantos de nós necessitados dos sinais de Deus; O qual apesar de querer que andemos por fé, conhece nossa debilidade e se compadece de Seus “homens de pouca fé”. Por este motivo, por ter sido do agrado do Senhor que Seu testemunho a Seu servo se desse assim, recomendo utilizarem dois sites para fazerem uma atualização e contemporização razoável dos valores monetários com os quais George Mueller administrou tanto quanto Deus lhe concedeu.

Em meus cálculos, usando como base o salario de um dentista o qual se encontra na biografia cheguei ao seguinte resultado que me pareceu razoável:
1 libra na Inglaterra em 1850 é equivalente a aproximadamente 379 reais no Brasil em 2017.
fontes: https://www.measuringworth.com/ukcompare/ e http://www4.bcb.gov.br/pec/conversao/conversao.asp

Finalmente, para todos os que desejam ser inspirados por Deus em Seu servo/presente à Sua amada, segue o link para ler e baixar a biografia:

Link: George Mueller de Bristol – por Arthur T. Pierson

Minha oração é que tal livro, o qual é de domínio público, ou seja, deve ser distribuído gratuitamente sem qualquer custo; possa abençoar a muitos e conduzir a muitos mais a lançarem-se por completo Naquele que tem cuidado por nós.

Em Jesus,

Um servo Dele.

Caso deseje ler alguns trechos, selecionei alguns para inspirá-lo e animá-lo a ler, os quais estão logo abaixo:

“Uma vida humana, cheia da presença e poder de Deus, é um dos melhores presentes de Deus para Sua igreja e para o mundo.”

“regozijando-se que, em cada alargamento da obra, seria mais aparente o quanto um pobre homem, simplesmente confiando em Deus, pode produzir com a oração; e que, assim, outros filhos de Deus possam ser levados a conduzir a obra de Deus em dependência unicamente Dele, e de modo geral a confiar Nele mais em todas as circunstâncias e posições.”

“Em todo esse múltiplo trabalho que o Sr. Mueller fez ele foi, até o fim, auto-abstraído. A partir do momento em que, em outubro de 1830, ele havia desistido de todo o salário fixo, como pastor e ministro do evangelho, nunca havia recebido qualquer salário, remuneração nem renda fixa, de qualquer espécie, seja como pastor ou como diretor da Instituição Para Conhecimento Das Escrituras (Scriptural Knowledge Institution). Ambos, princípio e preferência, o guiaram a esperar somente em Deus para todas as necessidades pessoais, como também para todas as necessidades de seu trabalho. No entanto, Deus colocou nos corações de Seus filhos crentes em todas as partes do mundo, não apenas enviar doações em auxílio aos vários ramos da obra que o Sr. Mueller supervisionou, mas para enviar-lhe dinheiro para seu próprio uso, bem como roupas, alimento, e outros suprimentos temporais. Ele nunca se apropriou de um penny o qual não fosse de alguma forma indicado ou designado como para suas próprias necessidades pessoais, e sujeito ao seu pessoal julgamento. Nenhum aperto de necessidade individual ou familiar jamais o levou a usar, nem por um tempo, o que lhe foi enviado para outros fins. Geralmente, as doações designadas a ele mesmo estavam embrulhadas em papel com o seu nome escrito nela, ou de outras formas igualmente distintas definidas como sendo para ele. Assim, já em 1874 sua renda anual chegou para mais de duas mil e cem libras. Poucos ministros não-conformistas, e não um em vinte do clero do estabelecimento estatal tem qualquer renda tal, que em média é de aproximadamente seis libras por cada dia do ano – e tudo isso veio do Senhor, simplesmente em resposta à oração, e sem apelo de qualquer espécie ao homem ou mesmo a revelação de necessidades pessoais. Se acrescentarmos legados pagos no final do ano de 1873, a renda total do Sr. Mueller, em cerca de treze meses, ultrapassaria três mil e cem libras. Disto ele deu; de todas as formas aos necessitados, e para a obra de Deus, toda a quantidade salva, foi cerca de duzentos e cinquenta, gastas em necessidades pessoais e familiares; e assim começou o ano de 1875 tão pobre como tinha começado quarenta e cinco anos antes; e se suas despesas pessoais fossem examinadas, iria ver-se que até mesmo o que ele comia, bebia e usava era com a mesma conscienciosidade despendida para a glória de Deus, de modo que em um verdadeiro sentido podemos dizer que ele não gastou nada consigo mesmo.”

“”Houve um dia em que eu morri, morri totalmente;”
E, enquanto falava, inclinou-se cada vez mais para baixo até quase tocar no chão –
“morri para George Mueller, suas opiniões, preferências, gostos e vontade – morri para o mundo, sua aprovação ou censura – morri para a aprovação ou culpa mesmo de meus irmãos e amigos – e desde então tenho estudado apenas para apresentar a mim mesmo “aprovado diante de Deus.”””

“As reais respostas de Deus à oração frequentemente parecem negações. Sob o pedido exterior, Ele ouve a voz do desejo interior e Ele responde à mente do Espírito, e não às imperfeitas e talvez equivocadas palavras, nas quais o anseio procura expressão. Além disso, Sua infinita sabedoria vê que uma bênção maior pode ser nossa, somente pela retenção do bem menor que buscamos; e assim toda a verdadeira oração confia em que Ele dê Sua própria resposta, não à nossa maneira ou tempo, nem mesmo em nosso próprio desejo expresso, mas antes em Seu próprio gemido inexprimível dentro de nós o qual Ele pode interpretar melhor do que nós.”

“Ele me levou, em uma medida, a ver qual é a minha verdadeira glória neste mundo, até mesmo em ser desprezado, e ser pobre e vil com Cristo. Eu vi então, em uma medida, embora eu tenha visto isso mais plenamente desde então, que é prejudicial ao servo procurar ser rico, e grande, e honrado neste mundo onde seu Senhor foi pobre, e vil, e desprezado.”

Link: George Mueller de Bristol – por Arthur T. Pierson

A Nutrição da Alma Primeiro

“Um livreto de George Mueller, 9 de maio de 1841

Tem sido do agradado do Senhor me ensinar uma verdade, o benefício da qual eu não perdi, por mais de catorze anos. O ponto é este:

Vi mais claramente do que nunca que o primeiro grande e primordial negócio a que eu deveria atender todos os dias era ter a minha alma feliz no Senhor. A primeira coisa a se preocupar não era o quanto eu poderia servir ao Senhor, ou como eu poderia glorificar o Senhor; mas como eu poderia ter minha alma em um estado feliz, e como meu homem interior poderia ser nutrido. Pois eu poderia buscar estabelecer a verdade diante dos não convertidos, buscar beneficiar os crentes, buscar aliviar os aflitos, de outras formas buscar me comportar em como se tornar um filho de Deus neste mundo; e ainda assim não sendo feliz no Senhor, e não sendo nutrido e fortalecido no meu homem interior dia a dia, tudo isso não poderia ser atendido em um espírito correto.

Antes dessa época, minha prática tinha sido, pelo menos durante dez anos antes, como uma coisa habitual, me entregar à oração, depois de ter me vestido pela manhã. Agora, vi que a coisa mais importante que eu tinha de fazer era me entregar à leitura da Palavra de Deus e à meditação sobre ela, para que assim meu coração pudesse ser consolado, encorajado, advertido, reprovado, instruído; e que assim, por meio da Palavra de Deus, enquanto meditava sobre ela, meu coração pudesse ser levado à experiencial comunhão com o Senhor.

Comecei, portanto, a meditar no Novo Testamento desde o princípio, de manhã cedo. A primeira coisa que fiz, depois de ter pedido em poucas palavras a bênção do Senhor sobre sua preciosa Palavra, foi, começar a meditar na Palavra de Deus, procurando como em cada versículo, para obter bênção dela; não por causa do ministério público da Palavra, não para pregar sobre o que eu tinha meditado, mas para obter alimento para minha própria alma.

O resultado que eu encontrei ser quase invariavelmente isto, que depois de alguns minutos minha alma foi levada a confissão, ou a ação de graças, ou a intercessão, ou a súplica; de modo que, embora eu não me entregasse, por assim dizer, à oração, mas à meditação, no entanto, quase imediatamente tornava-se mais ou menos em oração. Quando então, tendo feito por um tempo, confissão ou intercessão, ou súplica, ou agradecimento, vou para as próximas palavras ou versos, transformando todos, enquanto continuo, em oração para mim mesmo ou para os outros, na medida em que a Palavra possa levar a isso, mas ainda continuamente mantendo diante de mim, o alimento para minha própria alma o objetivo da minha meditação. O resultado disto é que sempre há muita confissão, ação de graças, súplica ou intercessão misturada com minha meditação, e então meu homem interior quase invariavelmente é mesmo sensivelmente nutrido e fortalecido, e assim à hora do café da manhã, com raras exceções, estou em um estado pacífico senão feliz de coração. Assim o Senhor também tem o prazer de comunicar a mim isto que, logo depois ou em um momento mais tarde, acharei ser alimento para outros crentes, embora não fosse por causa do ministério público da Palavra que eu me entreguei a meditação, mas para o beneficio do meu próprio homem interior.

A diferença, então, entre minha prática anterior e a presente é esta:

Antes, quando eu levantava, começava a orar o quanto antes, e geralmente gastava todo o meu tempo até o café da manhã em oração, ou quase todo o tempo. Em todos os eventos, quase invariavelmente começava com a oração, exceto quando sentia minha alma mais do que normal estéril, caso em que eu lia a Palavra de Deus para o alimento, ou para o refrigério, ou para um renascimento e renovação do meu homem interior, antes que eu me entregasse à oração.

Mas qual foi o resultado? Muitas vezes passei um quarto de hora, meia hora ou até uma hora, de joelhos, antes de ter consciência de ter obtido conforto, encorajamento, humilhação de alma, etc., e muitas vezes, depois de ter sofrido muito de vagar na mente durante os primeiros dez minutos, ou um quarto de hora, ou mesmo meia hora, só então comecei realmente a orar. Eu agora quase nunca sofro desta maneira. Pois meu coração, sendo primeiro nutrido pela verdade, sendo levado à comunhão experiencial com Deus, falo então ao meu Pai e ao meu Amigo, (embora eu seja vil e indigno disso), sobre as coisas que Ele trouxe perante mim em Sua preciosa Palavra.

Isso muitas vezes me espanta agora, que não tenha percebido esse ponto mais cedo. Eu jamais li sobre isso em nenhum livro. Nenhum ministério público jamais me apresentou a questão. Nenhuma relação privada com um irmão me excitou até este assunto. E, no entanto, agora, desde que Deus me ensinou este ponto, é tão claro para mim como qualquer coisa, que a primeira coisa que o filho de Deus tem que fazer manhã após manhã é, obter alimento para seu homem interior. Como o homem exterior não é apto para o trabalho por qualquer espaço de tempo, a não ser que tomemos alimento, e como esta é uma das primeiras coisas que fazemos pela manhã, assim deve ser com o homem interior. Devemos levar alimento para ele, na medida em que cada um possa conceder.

Agora, qual é o alimento para o homem interior? Não a oração, mas a Palavra de Deus; e aqui novamente, não a simples leitura da Palavra de Deus, de modo que somente passe através de nossas mentes, assim como a água percorre através de um cano, mas considerando o que lemos, ponderando sobre e aplicando-o aos nossos corações. Quando oramos, falamos com Deus. Agora, a oração, a fim de ser continuada por qualquer período de tempo, em qualquer outra do que uma maneira formal, requer, em termos gerais, uma medida de força ou desejo piedoso, e a ocasião, portanto, quando este exercício da alma pode ser mais efetivamente realizado, é depois que o homem interior tenha sido nutrido pela meditação na Palavra de Deus, onde encontramos nosso Pai falando a nós, para nos encorajar, para nos consolar, para nos instruir, para nos humilhar, para nos reprovar. Podemos, portanto, meditar proveitosamente, com a bênção de Deus, embora possamos estar espiritualmente fracos como nunca; mais, quanto mais fracos estamos, mais precisamos de meditação para o fortalecimento do nosso homem interior.

Assim, há muito menos a ser temido de vaguear na mente do que se nos entregarmos à oração sem ter tido previamente tempo para a meditação. Permaneço tão particularmente neste ponto, por causa do imenso proveito e refrigério espiritual do qual estou consciente de ter obtido disso para mim mesmo, e eu, carinhosamente e solenemente, suplico a todos os meus companheiros crentes que ponderem sobre este assunto. Pela bênção de Deus, atribuo a este modo a ajuda e a força que tive de Deus para passar em paz através de provações mais profundas, de várias maneiras, do que jamais tive antes; e depois de ter agora por mais de catorze anos experimentado deste modo, posso muito plenamente, no temor de Deus, recomendá-lo.

Em adição a isso, geralmente leio, depois da oração familiar, porções maiores da Palavra de Deus, quando ainda persigo minha prática de ler regularmente adiante nas Sagradas Escrituras, às vezes no Novo Testamento e às vezes no Velho, e por mais de vinte e seis anos eu provei a bem-aventurança disso. Tomo também, do mesmo modo então ou em outras partes do dia, tempo mais especialmente para a oração. Quão diferente, quando a alma é refrescada e feliz no início da manhã, do que é, quando sem a preparação espiritual; o serviço, as provações e as tentações do dia que virá.”

 

Extraído e traduzido do livro: George Mueller of Bristol de A. T. Pierson